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Geral
16/01/2022 00:00:00

“Aumento de vazão do Rio São Francisco para Alagoas é positivo”

Segundo pesquisador, medida traz mais benefícios, atenua um período de sete anos de seca e não deve colocar vidas em risco


“Aumento de vazão do Rio São Francisco para Alagoas é positivo”

Os efeitos das intensas chuvas na bacia do Rio São Francisco começam a chegar em Alagoas. Com o procedimento de controle de cheia executado pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), o aumento da vazão no chamado Baixo São Francisco deve chegar a 4.000 m³/s, o maior volume em duas décadas. De acordo com o doutor em Ciências Aquáticas e coordenador da Expedição Científica do rio, Emerson Soares, de modo geral a situação gera mais impactos positivos do que negativos.

Conforme explica o pesquisador, há sete anos o rio vem enfrentando períodos de seca, o que ocasionou entre outros pontos comprometimento da navegabilidade, na reprodução dos animais e aumento da poluição. Apesar do impacto inicial a expectativa é que a água que está chegando faça um processo de “limpeza” e inaugure um novo ciclo de reprodução de peixes nativos.

“A última vez que tivemos isso [aumento da vazão] foi no início dos anos 2000. Os impactos positivos são, no caso de Alagoas, maiores do que os negativos porque vão promover a melhora na qualidade da água, vão aumentar a reprodução e a produção dos peixes devido à cheia, novos organismos sendo disponibilizados para o homem. São fatores muito positivos que vêm sendo trazidos para a população. Apesar do carreamento de sedimentos ele vai ser depositado e essa água nova vai impactar muito, vai ajudar bastante na situação que temos hoje, até na questão da salinidade vai amenizar, ali na região da foz, em Piaçabuçu, o aumento da água doce vai afastar um pouco essa salinidade”, detalha.

Todas as hidrelétricas da região irão liberar água de forma gradativa

Conforme explicou a Chesf, todas as hidrelétricas do São Francisco terão aumento de vazão gradativa. Nessa sexta-feira (14) começou o processo de abertura das comportas.

“Depois de 12 anos, as regiões do Submédio e do Baixo São Francisco terão vazões em patamares elevados. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decretou regime de cheia na Bacia do Rio São Francisco e, dessa forma, temos que atuar com regras específicas, aguardando chegar mais água, pois ainda há grande volume de chuvas acontecendo em Minas Gerais. A previsão é de Sobradinho, nosso maior reservatório, alcançar cerca de 75% de armazenamento no fim de janeiro. Como as chuvas ocorrem até abril, na Bacia do São Francisco, há grandes possibilidades de o Reservatório de Sobradinho voltar a atingir armazenamento próximo a 100%”, informou o diretor de Operação da Chesf, João Henrique Franklin.

Segundo Emerson Soares, a vazão só deve começar a regredir a partir de meados de fevereiro.

“Estamos com um volume de mais de 9 mil m/s chegando e essas águas que estão sendo liberadas agora é fruto de um planejamento para evitar que seja tudo liberado de uma vez. Então está sendo liberado de forma gradual e até o dia 24 vai atingir essa vazão de 4 mil m³/s para que os reservatórios não atinjam sua capacidade máxima e haja risco de transbordo”, pontua.

Nível do rio deve subir em até 2,5 metros na margem

Em Alagoas, a Chesf emitiu comunicado às comunidades ribeirinhas. O alerta é para alguns pontos, entre eles, áreas muito exploradas turisticamente como Piranhas e Pão de Açúcar.

“Em Piranhas os bares construídos dentro da calha do rio devem sofrer inundação com 2.500 m³/s; em Pão de Açúcar os balneários sofrem inundação a partir de 3.000 m³/s; Belo Monte a partir de 4.000 m³/s; Já em Traipu, o trecho conhecido como Prainha inunda com vazões de 3.500 m³/s; Em São Brás as vazões acima de 4.000 m³/s causam inundações em construções próximas a calha do rio”, disse a Chesf.

De forma prática, o aumento da vazão vai ocasionar a subida do nível do rio em 2,5 metros na margem. Já no meio do rio o aumento pode chegar a até 4 metros. Conforme adianta Emerson Soares, o impacto vai ser sentido nas áreas onde houve avanço sobre o curso d’água.

“Nos trechos onde o homem desmatou vai haver erosão e desmoronamento das margens pela fragilidade do solo sem a proteção da vegetação. Já nos casos onde houve a construção irregular ou avanço sobre o rio, o curso vai voltar ao local original e isto é uma consequência das escolhas que foram feitas porque uma hora o rio ia tomar o seu espaço de volta. Para as pessoas que ao longo do tempo vinham avançando sobre o rio, desmatando, vai haver sim impacto”, acrescenta.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Evellyn Pimentel



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