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Polícia
28/11/2021 12:00:00

Balsas usadas no garimpo ilegal foram queimadas no rio Madeira

Ibama informou que ouro e mercúrio foram apreendidos neste sábado (27), e um homem foi preso. Operação contou com apoio da Polícia Federal.


Balsas usadas no garimpo ilegal foram queimadas no rio Madeira

Trinta e uma balsas usadas por garimpeiros ilegais foram queimadas no rio Madeira, neste sábado (27), durante operação contra exploração ilegal de ouro na região. 

As embarcações estavam abandonadas no rio, e apenas um homem foi encontrado e preso.

Porções de ouro e mercúrio foram apreendidas. A ação foi realizada por agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal (PF).

Nas últimas semanas, centenas de balsas e dragas atracaram em um único ponto do rio Madeira, para exploração em massa de ouro. Os garimpeiros se dispersam do local na sexta-feira (26), mas alguns continuaram operando de forma ilegal.

Omissão de órgãos responsáveis

O Ministério Público de Contas acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar uma possível omissão de órgãos fiscalizadores no combate ao garimpo ilegal no rio Madeira, no interior do Amazonas.

No requerimento, o Ministério Público pede que a apuração seja voltada, especialmente, para a atuação da Polícia Federal e Marinha do Brasil.

Centenas de dragas atracam no Rio Madeira, próximo ao município de Autazes. — Foto: Silas Laurentino

Centenas de dragas atracam no Rio Madeira, próximo ao município de Autazes. — Foto: Silas Laurentino

Os garimpeiros começaram a se dispersar na quinta-feira (25), e desfizeram a vila flutuante na sexta-feira (26), após as imagens repercutirem na imprensa e o governo prometer uma ação de combate ao garimpo ilegal.

O ativista do Greenpeace Brasil, Danicley Aguiar, afirma que essa dispersão faz parte de uma estratégia dos garimpeiros para dificultar a fiscalização.

"O anúncio dessa operação, prometida pelo governo federal, acabou a facilitar que eles construíssem um plano de fuga da região. Permitiu a dispersão dessas dragas, o que dificulta ainda mais o combate a essa atividade", afirmou.

Vida de ribeirinhos afetada

Moradores da Comunidade do Bonfim, que fica as margens do Rio Madeira, no interior do Amazonas, temem que a presença de garimpeiros na região possa causar poluição do rio e contaminação de peixes.

A comunidade fica a poucos minutos da cidade de Autazes. Segundo os moradores, cerca de 20 famílias moram no local e sobrevivem com o uso da água do rio e os peixes que são pescados tanto para consumo, quanto para venda.

O mercúrio usado na atividade ilegal de garimpo no rio Madeira é capaz de causar lesões nos órgãos das pessoas que se alimentam todos os dias com peixes contaminados, pois apresentam sintomas mais crônicos do minério do corpo.

O médico e pesquisador em Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Cesar Basta, explicou ao g1 que o mercúrio usado pelos garimpeiros afunda no leito do rio e, consequentemente, é consumido por peixes.

"No fundo do rio, ele sofre um processo de transformação química mediada por microrganismo. Ele se transforma numa forma química ainda mais tóxica, o metil mercúrio, e entra na cadeia alimentar desse pescado", disse.

Os povos tradicionais da Amazônia possuem o hábito alimentar muito marcado pelo consumo de pescado. Conforme Basta, as comunidades que comem os peixes contaminados todos os dias também estão sob alto risco de contaminação.

"Se você come diariamente, duas ou três vezes, peixe contaminado pelo mercúrio, o corpo não tem tempo de eliminar, e ele vai acumulando. Nisso, ele vai provocando lesões em órgãos, principalmente no cérebro, rins, fígado, e no coração".

Uma das pescadoras que mora na Comunidade do Bonfim é a Rosana Trindade, de 33 anos. Ela contou que a rotina dos moradores é sair às 5h para pescar e voltar durante a tarde, do Rio Madeira, que passa na frente da comunidade.

“Eu fiquei com medo. Eles usam essas coisas pra colocar na água. A nossa profissão é a pesca e pensei ‘poxa, vai prejudicar nosso peixe cada vez mais perto’. Para lá (outras áreas do rio) eles já trabalham com isso. Eles mais perto, vão prejudicar mais a nossa pesca”, disse Rosana.

G1