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Polícia
02/11/2021 06:00:00

Integrantes de quadrilha mortos em operação em MG fugiriam em carreta com fundo falso, diz PRF

Veículo que serviria para transportar os homens após o crime foi localizado em Muzambinho (MG) pela Polícia Rodoviária Federal.


Integrantes de quadrilha mortos em operação em MG fugiriam em carreta com fundo falso, diz PRF

Os integrantes da quadrilha de roubos a bancos mortos em Varginha (MG) neste domingo (31) poderiam fugir em uma carreta com fundo falso apreendida pela Polícia Rodoviária Federal. A suspeita é da PRF, que localizou o veículo em Muzambinho (MG). Os homens possuíam armamento de guerra e têm relação com crimes do mesmo tipo em outros estados.

“É um fator novo em relação à ação desses criminosos. É uma carreta, com compartimento secreto embaixo da carroceria, preparado para transportar diversas pessoas. Pode ajudar a polícia Judiciária nas investigações, porque uma das grandes dúvidas que aconteciam após as ações dessas quadrilhas era onde essas pessoas iam, ou onde saiam dos locais dos crimes, visto que muitas vezes eles incendiavam os veículos utilizados”, destacou Aristides Júnior, chefe da comunicação da Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais.

De acordo com Júnior, que também é inspetor da PRF, a carreta foi localizada simultaneamente à ação da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal em Varginha.

Durante entrevista coletiva na tarde de domingo, o Bope confirmou o número oficial de 25 mortos no confronto. No entanto, a EPTV Sul de Minas, Afiliada Rede Globo, obteve a informação de que 26 corpos foram transferidos para o IML em Belo Horizonte, o que foi confirmado pela Polícia Civil posteriormente. No entanto, a polícia ainda não passou mais dados de quem seria essa 26ª vítima. Todos os envolvidos tinham idades entre 25 e 40 anos.

Caminhão com fundo falso que serviria para fuga de integrantes de quadrilha de roubos a bancos foi apreendido pela PRF em Muzambinho (MG) — Foto: Divulgação/PRF

Caminhão com fundo falso que serviria para fuga de integrantes de quadrilha de roubos a bancos foi apreendido pela PRF em Muzambinho (MG) — Foto: Divulgação/PRF

“Já havíamos feito um reforço bem intenso na região do Sul de Minas. Durante as rondas das equipes especializadas, foi detectada a presença dessa carreta em um local que não seria comum. Ao tentar fazer a abordagem foram descobertos pequenos fatores que levaram a realmente descobrir essa carreta”, falou.

A apreensão do veículo, conforme o inspetor, pode ajudar para futuras abordagens policiais devido ao compartimento secreto de difícil acesso na carreta.

“Com esse tipo de situação identificada na carreta, a gente consegue descobrir que um veículo pode transportar vários assaltantes sem despertar a curiosidade dos policiais, pois existe um compartimento por baixo da carroceria e sobre esse compartimento eles transportam uma carga normal. Se o policial não tiver a curiosidade de abrir a carroceria, no caso um basculante, que é uma carroceria difícil de se levantar e abrir, eles passariam desapercebidos”, disse.

Caminhão com fundo falso que serviria para fuga de integrantes de quadrilha de roubos a bancos foi apreendido pela PRF em Muzambinho (MG) — Foto: Divulgação/PRF

Caminhão com fundo falso que serviria para fuga de integrantes de quadrilha de roubos a bancos foi apreendido pela PRF em Muzambinho (MG) — Foto: Divulgação/PRF

Operação e confronto

 

A operação conjunta entre Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) resultou na morte de pelo menos 25 suspeitos de pertencerem a uma quadrilha roubos a bancos neste domingo (31) em Varginha (MG). De acordo com a PM, os suspeitos seriam especialistas neste tipo de crime.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, os confrontos com os homens ocorreram em dois sítios diferentes localizados em duas saídas da cidade. Na primeira, os suspeitos atacaram as equipes da PRF e da PM, sendo que 18 criminosos morreram no local. Em uma segunda chácara, conforme a PRF, foi encontrada outra parte da quadrilha e neste local, após intensa troca de tiros, sete suspeitos morreram.

Armamento apreendido durante operação da PM e PRF que resultou na morte de 25 suspeitos de roubo a bancos em Varginha (MG) — Foto: Tarciso Silva/EPTV

Armamento apreendido durante operação da PM e PRF que resultou na morte de 25 suspeitos de roubo a bancos em Varginha (MG) — Foto: Tarciso Silva/EPTV

Ao todo foram apreendidas 26 armas, dois adaptadores, 5.059 munições, 116 carregadores, capacetes à prova de balas, explosivos diversos, 12 coletes balísticos, sete rádios comunicadores, 12 galões de gasolina de 18 litros cada e quatro galões de diesel de 100 litros cada. Entre as armas, havia um ponto 50, além de fuzis e granadas. Pelo menos 12 veículos roubados que estavam com a quadrilha foram recuperados.

A Polícia Militar de Varginha revelou que os suspeitos haviam alugado um sítio na região do bairro rural da Flora para ficarem perto do Batalhão da PM e assim realizarem a ação.

Apuração sobre as mortes

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais pediu uma apuração sobre as mortes. A deputada Andréia de Jesus (PSOL), presidente do colegiado, diz que vai acionar o Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública investigar o caso.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública também acredita que uma investigação deve ser feita para apurar a ação.

"A gente sempre lembra que o policial só é policial porque pode fazer o uso da força e essa força pode chegar a matar outra pessoa, mas isso não se faz desprovido de regras e limites, é preciso entender se nessa operação em Minas Gerais houve um abuso desse limite, ultrapassou-se esse limite para gerar 25 mortes. Como eu disse, é muito raro no Brasil que uma única operação policial tenha como resultado, além da grande apreensão de armas, a frustração de um crime como assalto a bancos como vem acontecendo Brasil afora, o resultado de 25 mortes. É preciso esforço do Ministério Público e das corregedorias das polícias investigar se houve ou não abuso ou houve ou não letalidade policial", disse o membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Ivan Marques.

G1