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Alagoas
03/10/2021 11:00:00

'Mistura' vira artigo de luxo na mesa do consumidor alagoano

Cidadão tem sido forçado a trocar a carne bovina e, até mesmo, a galinha por outras proteínas para não deixar faltar comida em casa


'Mistura' vira artigo de luxo na mesa do consumidor alagoano

"Saio de casa no fim da tarde, por volta das 17 horas, para ir em busca do alimento. Nem sempre conseguimos mistura, consigo pouco para manter os meus filhos, principalmente o pequeno de um ano e dez meses". Este é o relato de dona Luciene da Silva, de 38 anos, da comunidade Favelinha, mãe de 10 filhos, sendo dois adotados.

“Às vezes eu consigo pegar sopa e também trazer um pouco para os meus filhos que ficam em casa, porque não tem como todos irem comigo. E tem vezes que não consigo trazer pra casa”, conta a moradora.

A situação vivida por Luciene é o retrato da insegurança alimentar que, nos últimos anos, se tornou a realidade para as populações mais pobres do país, sendo a situação agravada pela pandemia da Covid-19.

“Vou pedindo ajuda e pegando doação onde consigo. Tem mês que ganho cesta básica, mas tem mês que é difícil. Sempre preciso de fraldas, de leite em pó, nem me preocupo muito com a mistura, mas só de ter o básico já engana a fome”, retrata Luciene. Milhares de brasileiros vivem igual a Luciene e seus filhos, sem perspectivas de um amanhã diferente e tendo que conviver com a disparada nos preços dos alimentos básicos e a incerteza de receber doação para ter o mínimo de dignidade. “Mistura é artigo de luxo. A gente come quando consegue, quando não, agradece por ter, pelo menos, algo para comer”, lamenta Luciene.

Nos últimos meses, histórias como a de Luciene, além da substituição da mistura ou exemplos do que comprar com R$ 5 reais têm sido notícias amplamente divulgadas através de notícias publicadas em jornais ao redor do mundo. A alta dos alimentos tem sido normalizada e já virou parte da rotina; a “mistura virou artigo de luxo”.

Em Maceió, no Mercado da Produção, localizado na Levada, a substituição tem sido sentida por permissionários e por consumidores. A feirante Valderez Maria Franca, de 34 anos, conta que, antes da pandemia, comprava o frango a R$ 6,50 até R$ 7. “Hoje a gente está comprando a R$ 9,50, e vendendo a R$ 12 o quilo. Antes você pagava até R$ 17 em um frango todo e, agora, um frango chega a R$ 40. Os clientes reclamam, né, mas está tudo caro”, conta Valderez Maria França.

O cidadão tem sido forçado a trocar a carne bovina e até mesmo a galinha, por miúdos, como o pé de frango, ossos da carne, ovos e, em raras situações, pelo peito do frango. “O filé, que é o peito do frango, está sendo mais procurado porque rende mais, você faz vários bifes e dá pra família toda comer. Com relação aos miúdos, as pessoas compram porque rende mais também”, conta a permissionária Eliete Maria, acrescentando que, como consumidora, no mercado é o lugar mais em conta para se comprar.

“Com toda carestia, o mercado é o mais em conta. Fui ao supermercado e o leite está mais caro, R$ 31, e no mercado está R$ 24”, acrescentou Eliete.

A substituição se tornou rotina na mesa do vendedor de lanches Joel da Silva Santos, de 34 anos, morador do Bom Parto. “Está um descontrole triste o preço. No abatedor perto da minha casa está R$ 16 o quilo, no supermercado o quilo está R$ 21. A gente tem que recorrer ao mais barato”, conta o vendedor.

Com os aumentos do gás de cozinha e dos alimentos, a situação de extrema miséria, onde o cidadão não consegue sequer manter o básico, quiçá a proteína na mesa, tem feito o consumidor peregrinar em busca do melhor preço. “Economizar um pouquinho. Já não comprava carne, agora então não compro mesmo”, diz.

Joel diz, ainda, que vende lanches e também teve que mudar a rotina do negócio. “Tivemos que substituir e aumentar o preço para poder manter meu negócio. O cliente reclama, mas a gente tem que acompanhar a situação. Não está fácil pra ninguém”.

Gazetaweb

 


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