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Economia
22/09/2021 12:00:00

Evergrande: entenda por que a crise de uma única empresa chinesa afeta o Brasil


Evergrande: entenda por que a crise de uma única empresa chinesa afeta o Brasil

É possível uma única empresa derrubar os mercados de todo o mundo? Se ela é a segunda maior incorporadora da China e possui mais de US$ 300 bilhões de dívidas com bancos, detentores de títulos de dívida, fornecedores, fundos de investimento e proprietários de imóveis, a resposta é sim.

A eventual falência da Evergrande pode provocar um efeito cascata negativo na economia chinesa e mundial, e para países fortemente exportadores de commodities para a Ásia, como o Brasil, o impacto pode ser ainda maior.

É por isso que que os bolsas globais colocaram um preço salgado para o risco de falência da empresa nesta segunda (dia 20), às vésperas do vencimento de US$ 83,5 milhões em juros na próxima quinta (dia 23) e outros US$ 47,5 milhões em 29 de setembro. No Brasil, o Ibovespa fechou em queda de 2,33%, a 108.843 pontos, enquanto o dólar subiu 1,32%, a R$ 5,35.

“A China é um dos principais importadores de matéria-prima local. O caso Evergrande não só diminui a demanda pelo produto local como ainda derruba o preço de commodities, prejudicando nossa balança comercial com o resto do mundo”, explica João Beck, economista e sócio da BRA.

Por enquanto, a resposta do governo chinês vem se limitado à atuação do Banco Popular da China, que injetou 90 bilhões de yuans no sistema bancário na última sexta (dia 17) e outros 100 bilhões no sábado (dia 18). Ao longo da semana passada, a desaceleração na venda de imóveis e a piora nas condições das incorporadoras chinesas levou agências de classificação de riscos rebaixarem as notas da Evergrande e de outras empresas.

Como a situação pode contaminar a economia?

Em primeiro lugar, é importante lembrar que a construção civil responde por cerca de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) da China. Quando se considera a cadeia de fornecedores, esse peso aumenta para mais de 20% da economia do país.

Como a Evergrande possui uma quantidade enorme de ativos que precisarão ser vendidos rapidamente para fazer frente às suas dívidas, isso tende a desvalorizar os preços de imóveis na China.

O setor de construção é um dos motores da retomada chinesa no pós pandemia, e compra quase metade da demanda total do país por aço, e consequentemente de minério de ferro. Isso ajuda a explicar a perda de valor das empresas exportadoras, como Vale e siderúrgicas, na Bolsa.

Além disso, a crise pode se alastrar para outros setores, já que boa parte dos empréstimos da Evergrande são em instituições financeiras chinesas. “É uma crise sistêmica, pois afeta todo o mercado financeiro, inclusive a Bolsa brasileira”, lembra Virgílio Lage,  da Valor Investimentos, que avalia que a crise pode se tornar maior nos próximos meses. “São dívidas grandes e graves, que podem desencadear impactos significativos nos bancos chineses”.

O mercado aguarda o governo chinês

Analistas apontam a necessidade de o governo chinês tomar medidas para reduzir o impacto no mercado. O Goldman Sachs, por exemplo, fala que as autoridades devem enviar uma “mensagem mais clara” sobre como vão impedir que o caso Evergrande chegue à economia real.

“Eu acredito que o governo chinês vai interferir, será um calote administrado. Até o vencimento dessa dívida, o mais provável é que a China garanta alguns passivos, mas não todos. O mais provável é que preservem as dívidas da empresa com os bancos, para não contagiar a economia”, afirma o diretor da plataforma de análises Ohmresearch, Roberto Attuch.

Evergrande possui até time de futebol

Fundada em 1996, a Evergrande possui projetos de construção em 280 cidades da China. Ela possui ainda uma empresa de veículos elétricos, uma empresa de mídia, um parte que diversões e até um time de futebol, o Guangzhou Evergrande.

A empresa cresceu tanto porque foi impulsionada por um endividamento que foi se tornando fora de controle.

Apesar de empresas de construção tradicionalmente costumarem se endividar, no caso da Evergrade esse processo aconteceu de forma exagerada. Com a crise econômica por causa da pandemia, a construtora não conseguiu o faturamento previsto, e se viu sem condições de se manter adimplente.

O time de futebol da Evergrande, o Guangzhou Evergrande (Crédito: Shutterstock)

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