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Comportamento
23/02/2021 12:00:00

Assédio cai com teletrabalho, mas se “ressignifica” na pandemia

Dados mostram queda de mais de 30% em denúncias de assédio moral e sexual em 2020, mas não é um resultado a ser comemorado


Assédio cai com teletrabalho, mas se “ressignifica” na pandemia

Desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, o ambiente de trabalho foi modificado no Brasil. Após a implantação da quarentena, muitos brasileiros puderam desfrutar do home office, e muitos outros tiveram que se deslocar de casa para fazer suas funções presencialmente.

Com a transformação, porém, vieram também outras mudanças. O assédio no trabalho, que ganhou as manchetes no ano passado com o caso Marcius Melhem, está em fase de transição. Se anteriormente uma vítima poderia demorar dias, semanas ou meses para absorver que sofreu moral ou sexualmente, agora a incerteza pode ser ainda mais potencializada.

Em 2020, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 4.826 denúncias de assédio moral no país, queda de 36% em relação ao ano anterior, informam dados obtidos pelo Metrópoles. O órgão coletou 311 denúncias de assédio sexual, 34% a menos do que em 2019 (veja os números completos ao final da matéria). A diminuição no total de casos não significa que o combate a práticas abusivas tem sido adotado por empresas, alerta a procuradora do Trabalho, Ana Lúcia Stumpf González.

Resumidamente, o assédio corporativo nasce a partir do constrangimento de um empregado pela ação de um colega, seja o chefe ou não. A legislação brasileira tipifica somente o assédio sexual como crime e penaliza com até dois anos de detenção. “Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função”, diz o texto.

Denunciar ou manter o emprego?
Arte: MetrópolesIlustração que apresenta situação de assédio no trabalho
Situações de assédio no trabalho ganham novas formas dentro do home office

Para ela, existe uma subnotificação que pode ser explicada pelo temor do desemprego. Em novembro do ano passado, o Brasil tinha 14 milhões de pessoas desocupadas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“As pessoas normalmente têm receio de denunciar, desconhecem ou normalizam o chefe que grita porque ‘é assim que funciona’ e ‘assim sempre foi’. O fato de reduzir o quantitativo não significa que o assédio está em baixa. Talvez tenhamos uma redução ligada ao medo de perder o emprego. Nesse cenário de retração econômica e desemprego históricos, naturalmente existe o receio de alguém se ver sem aquela vaga e acabar se colocando em em uma situação de sofrimento”, explica Ana Lúcia.

No home office há muitas possibilidades de configurações de assédio, alerta a especialista. O desvio de conduta moral pode ser exemplificado pelo chefe que envia constantemente mensagens grosseiras e/ou com cobrança de demanda de trabalho. Enquanto a prática sexual acontece com o compartilhamento de textos e nudes (fotos de partes íntimas) indesejáveis.



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