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Economia
23/01/2021 16:00:00

Dólar dispara e fecha a semana a R$ 5,47 com pandemia e risco fiscal

Divisa norte-americana valoriza 3,3% na semana com investidores avessos ao risco; Bolsa brasileira fecha aos 117 mil pontos e regride ao patamar registrado no fim do ano passado


Dólar dispara e fecha a semana a R$ 5,47 com pandemia e risco fiscal

A sequência de notícias negativas no controle da pandemia do novo coronavírus e a apreensão do risco fiscal contaminaram o mercado brasileiro nesta sexta-feira, 22, em dia que as Bolsas globais também operaram em baixa. O cenário de incertezas fez o dólar disparar para próximo de R$ 5,50, enquanto o Ibovespa derreteu e regrediu para o nível registrado no fim do ano passado. A moeda norte-americana fechou a semana cotada a R$ 5,479, com avanço de 2,14%. Na máxima, a divisa chegou a R$ 5,487, enquanto a mínima não passou de R$ 5,396. No acumulado da semana, o dólar cresceu 3,29%, enquanto desde o início do ano a valorização chega a 5,60%. Acompanhando o mau humor, a Bolsa de Valores brasileira caiu pelo quarto dia consecutivo. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou a semana com queda de 0,80%, aos 117.380 pontos.

O crescimento da pandemia do novo coronavírus após as festas de fim de ano causaram temor nos investidores diante da iminente adoção de novas medidas de distanciamento social.  O governo do estado anunciou a reclassificação de todas as regiões para a Fase 1 – Vermelha do Plano São Paulo, com medidas mais rígidas de isolamento, todos os dias após às 20h até as 6h. A medida também vale para os finais de semana e feriados. O novo regime proíbe o atendimento presencial em bares e restaurantes, além de todos os outros serviços que não são considerados essenciais. As regras valem a partir desta segunda-feira, 25, e foram decretadas após a disparada nos números de internações e óbitos por causa da Covid-19. Além do avanço de infecções, pesou negativamente os entraves enfrentados pelo Instituto Butantan e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a importação de insumos necessários na fabricação de vacinas em território nacional. O Brasil possui 6 milhões de doses da CoronaVac, que já foram distribuídas para todos os estados, e hoje recebeu mais 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, importadas da Índia. Também no fim da tarde desta sexta-feira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial de mais 4,8 milhões de doses da CoronaVac. O pedido foi feito pelo Instituto Butantan na segunda-feira, 18.

O risco fiscal voltou ao radar nesta semana após as declarações dos candidatos ao comando do Congresso apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em conversa com empresários na quinta-feira, 22, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), afirmou que seria possível o aporte extra entre R$ 20 bilhões a R$ 50 bilhões por mais seis meses para cobrir o custo de novos benefícios sociais. Mais comedido, o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi na mesma linha e disse que o quadro de pandemia demanda assistência do governo. “A pandemia não terminou, há pessoas alcançadas de maneira muito severa pela pandemia e que demandam uma uma assistência do Estado. E é fundamental que haja um diálogo com o Ministério da Economia para se encontrar uma matemática possível, que eu sei que é difícil, para compatibilizar o teto de gastos com a necessidade de amparar pessoas que estejam em vulnerabilidade pela pandemia”, afirmou nesta quinta-feira.  O principal temor do mercado é o rompimento do teto de gastos para o financiamento das medidas. A suspeita do descumprimento do compromisso fiscal fez o dólar disparar no fim do ano passado, forçando o ministro da Economia, Paulo Guedes, reiterar diversas vezes o comprometimento do Executivo com as contas públicas.

JP



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