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Saúde
01/09/2020 04:00:00

Inovação cirúrgica para casos de hérnia de disco chega na rede pública


Inovação cirúrgica para casos de hérnia de disco chega na rede pública

Para quem sofre com hérnia de disco, a dor pode ser paralisante. Em alguns casos, a cirurgia se faz necessária para garantir qualidade de vida ao paciente. Desenvolvida na Coreia do Sul, a intervenção endoscópica de coluna é uma das apostas para minimizar os riscos cirúrgicos e proporcionar uma recuperação mais rápida. A técnica, que já é utilizada em outros países, tem ganhado força no Brasil nos últimos anos. Em Brasília, o procedimento começou a ser aplicado na rede particular e, no mês passado, chegou aos pacientes da rede pública de saúde.

A primeira cirurgia em hospital público utilizando essa técnica ocorreu no mês passado, no Hospital da Região Leste, localizado no Paranoá, unidade da rede pública considerada referência no tratamento ortopédico. O procedimento piloto foi realizado por Breno Frota, médico ortopedista especialista em cirurgia da coluna. Ele viajou a Seul, capital da Coreia do Sul, para especializar-se no método. “Saí daqui sabendo que poderia trazer essa realidade para a rede pública. Poder ajudar as pessoas, que não têm condições de pagar por esse tipo de procedimento”, ressalta o profissional ao Correio.

A cirurgia menos invasiv é feita por um corte de menos de um centímetro na pele, próximo à lesão da hérnia. “Pela incisão de 0,8 centímetro utilizamos um sistema de dilatadores para colocar uma cânula (tubo) de trabalho. Através dela é colocado o aparelho de endoscopia, conectado a uma câmera de vídeo e fonte de luz, permitindo visualização da cirurgia através do monitor. Com isso, é possível tirar o fragmento de disco que causa a dor no paciente”, explica.

Segundo Breno, em comparação ao procedimento tradicional, essa técnica é mais rápida, tem menos sangramento e menos riscos de infecção ao paciente. “Um outro ponto positivo é a possibilidade da anestesia local, o que permite ao paciente ficar consciente durante toda a cirurgia. Isso garante menos risco de lesão no nervo e dá mais segurança em todo o processo.”

A primeira cirurgia endoscópica de coluna na rede pública decorreu de uma demanda na emergência. “Recebemos uma paciente que chegou com urgência no pronto-socorro. Ela sentia muita dor que irradiava para a perna, e não tinha mais força na perna direita. Fizemos os exames e era hérnia de disco. Falei com a direção do hospital e expliquei que dava para fazer com esse procedimento. E, como tinha o equipamento, fui autorizado a fazer”, relata. O resultado positivo gerou um novo parâmetro para o serviço ofertado pelo Hospital da Região Leste.

Gratificante


Para ele, foi gratificante realizar esse procedimento na rede pública. “Foi melhor do que o esperado, e vimos que é totalmente possível. O meu intuito é que isso possa se tornar algo rotineiro para os casos que necessitam desse tipo de procedimento” ressalta o médico. “O diretor do hospital aprovou, e a Secretaria de Saúde mostrou-se interessada em dar seguimento. Precisamos de material na rede pública; o equipamento que temos é o meu pessoal”, pontua. Porém, apesar da falta do equipamento, ele reforça que vai continuar disponibilizando o aparelho para o atendimento aos pacientes. “Tem todo o processo licitatório, e isso demora.” Com a aquisição do material, Breno ressalta que será possível treinar novos profissionais para atuar com a técnica e ampliar o fluxo no atendimento a esses pacientes.

De acordo com o profissional, cerca de 80% do atendimento no pronto-socorro são de pacientes com dor na lombar, relacionados a diversos fatores. Nem todos têm indicação de cirurgia; e esse procedimento só é feito quando o tratamento convencional, como fisioterapia, remédios e acupuntura, não funciona. “Depende de cada caso, tem que ser avaliado por um profissional antes”, alerta.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal tem o intuito de maximizar essa técnica na rede pública, principalmente no Hospital da Região Leste, unidade referência para esse tipo de tratamento. Em nota, a pasta informou que já adiantou alguns dos processos de compra de materiais e estruturas para o fortalecimento do serviço de coluna do hospital. A expectativa é de colocar o serviço à disposição da população durante todos os dias da semana. A unidade só atende a esse tipo de especialidade, de segunda a sexta-feira.

Ruptura


A hérnia de disco é quando há uma ruptura do disco vertebral, que pode comprimir o nervo, resultando em dor, dormência ou fraqueza nos braços ou nas pernas. A faixa etária que mais tem incidência é de 20 a 40 anos. Os principais fatores ligados são: a genética, o sedentarismo e o sobrepeso, além da má postura da coluna.

“Um outro ponto positivo é a possibilidade da anestesia local, o que permite ao paciente ficar consciente durante toda a cirurgia”
Breno Frota, médico ortopedista

Procedimento indolor e de rápida recuperação

 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
crédito: Ana Rayssa/CB/D.A Press

Para o advogado Roani Pereira do Prado, 39 anos, a cirurgia na coluna pela técnica endoscópica representou melhora de vida. “Era uma dor constante, nada funcionava, nem os remédios fortes, nem a fisioterapia e nem a infiltração. Cheguei a parar no pronto-socorro oito vezes de tanta dor. Só quem tem hérnia de disco sabe, é uma dor que irradia e vai até o pé. Não conseguia fazer nada”, conta o morador de Samambaia, que, mesmo com o tratamento convencional, só conseguiu aliviar o problema.

Ele realizou a cirurgia na rede particular, em meados de maio. “Depois da cirurgia, consegui dormir e trabalhar melhor. Até brinquei com o doutor, que, se eu soubesse, teria feito o procedimento antes”, relata. Ele explica que sofria com a hérnia havia um ano. Ao longo dos meses, a dor foi aumentando, até tornar-se insuportável. Em relação à cirurgia, Roani sentiu-se mais aliviado por ser menos invasiva.

Dor intensa
No caso da Aparecida Fabiana Loiola Silva, 39, a hérnia de disco apareceu de repente e com dor intensa, que paralisou as duas pernas. “Eu estava me arrumando para ir ao trabalho quando senti uma dor muito forte. Minhas pernas perderam a força e precisei ficar deitada durante um bom tempo na cama. A minha sorte é que não estava dirigindo na hora, senão teria me envolvido em um acidente”, relata.

Foram dois meses de espera até a realização da cirurgia na rede particular. “Era uma dor que eu não conseguia dormir, Foi um processo muito sofrido”, afirma. Atualmente, ela tem uma vida bem melhor. “Foi fantástico. A cicatriz é minúscula, nem parece que fiz uma cirurgia”, conta Aparecida, que segue com tratamento de fisioterapia e acupuntura para reforçar a melhora na recuperação.

Para o médico ortopedista cirurgião de coluna vertebral Tadeu Gervazoni Debom, que atua na rede particular do Distrito Federal, a cirurgia de endoscopia de coluna é a técnica do futuro. “Daqui a alguns anos, vai substituir o procedimento convencional”, destaca. Na rede privada, apenas o procedimento, sem as custas médicas, custa em torno de R$ 15 mil.

Correio Braziliense



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