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Geral
25/06/2020 20:00:00

PF quer ouvir Bolsonaro ‘nos próximos dias' sobre interferências na corporação

Cabe a Celso de Mello decidir se oitiva será presencial ou por escrito.


PF quer ouvir Bolsonaro ‘nos próximos dias' sobre interferências na corporação

Polícia Federal informou ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello que vai precisar ouvir o presidente Jair Bolsonaro “nos próximos dias” para dar andamento às apurações sobre suspeitas de interferências do mandatário de forma indevida na corporação. A informação foi adiantada pela CNN e confirmada pelo HuffPost na tarde desta terça-feira (23). 

“Informo a Vossa Excelência que as investigações se encontram em estágio avançado, razão pela qual nos próximos dias torna-se necessária a oitiva do Senhor Jair Messias Bolsonaro, Presidente da República”, escreveu a delegada Christiane Correa Machado, que coordena o Serviço de Inquéritos Especiais da PF. 

O ofício foi enviado ao gabinete do decano da Corte na última sexta (19) e não especifica se o depoimento será por escrito ou presencial. Caberá ao ministro decidir. Quando acusado por irregularidades no setor de portos, em 2017, o ex-presidente Michel Temer prestou depoimento por escrito. 

Bolsonaro é investigado a partir de acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro. De acordo com Moro, o presidente tentou interferir na Polícia Federal politicamente com fins pessoais. A intervenção fere a autonomia da instituição e o princípio da impessoalidade. O presidente nega qualquer irregularidade. 

Ao prestar depoimento, em 2 de maio, Moro afirmou várias vezes que o comando da Superintendência era uma questão sobre a qual Jair Bolsonaro desejava interferir. Em uma mensagem, o mandatário teria sido enfático e dito: “quero o Rio”. 

Moro falou por cerca de 8h na oitiva ? parte do inquérito aberto por Celso. Ao se demitir do governo, Sergio Moro também afirmou que Bolsonaro teria interesse no comando da Superintendência da PF em Pernambuco. 

Ao insistir em trocar o comando da Superintendência do Rio de Janeiro desde agosto de 2019, o mandatário alegava declínio na produtividade da unidade. Na época, quem estava no comando por lá era o delegado Ricardo Saadi, que acabou substituído por Carlos Henrique Sousa. Com a demissão de Moro, uma nova onda de trocas ocorreu. Atualmente, a Superintendência é dirigida por Tácio Muzzi. 

Uma parte do documento enviado ao ministro Celso de Mello é um ofício assinado pelo delegado Igor Romário de Paula, da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado, que demonstra a produtividade da Superintendência do Rio.

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Tabela do ofício enviado pelo delegado Igor Romário.

Em quadros, o delegado da PF demonstra que, em 2019, a unidade foi mais eficiente que em qualquer outro ano. Ao se considerar todo aquele ano, a superintendência ficou em 26º lugar no ranking de todos os estados do País. Porém, de fevereiro a setembro, a melhora na comparação com o que se via de efetividade nos anos anteriores foi considerável. 

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Mais provas

Já consta no processo uma troca de mensagens entre o presidente e Moro que reforça a versão de que o chefe do Executivo tentou interferir na PF. De acordo com reportagem do jornal O Estado de São Paulo de 24 de maio, três horas antes da reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro comunicou a Moro que o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, seria demitido. Bolsonaro alega que falava de sua segurança pessoal quando exigiu substituições. 

Segundo o jornal, em mensagem enviada pelo WhatsApp às 6h26 de 22 de abril, o presidente escreveu “Moro, Valeixo sai esta semana”. “Está decidido”, continuou ele, em outra mensagem enviada na sequência. “Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio” (sic). As mensagens obtidas pelo Estadão constam do inquérito do STF (Supremo Tribunal Federal) que apura se Bolsonaro interferiu na Polícia Federal para ter acesso a informações de investigações sigilosas contra amigos e familiares, conforme acusação do ex-ministro da Justiça.

O vídeo da reunião ministerial também é uma das provas anexadas ao inquérito aberto pelo ministro Celso de Mello, do STF, a partir de pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, após a saída de Sergio Moro do governo.



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