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Saúde
05/06/2020 23:00:00

Diante das polêmicas da cloroquina, veja outras apostas de tratamento em estudo para a covid-19


Diante das polêmicas da cloroquina, veja outras apostas de tratamento em estudo para a covid-19

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu retirar temporariamente a droga hidroxicloroquina da sua lista de medicamentos em estudo para tratar a covid-19. A OMS alegou que não estava claro que o medicamento apresentava o nível de segurança necessário.

Nesta quarta-feira (3), a entidade anunciou que vai retomar os estudos com a droga.

A suspensão aconteceu depois da publicação de um estudo sobre o medicamento no periódico científico The Lancet. O estudo coletou informações de 96 mil pessoas internadas com coronavírus em 671 hospitais de seis continentes e mostrou que não houve benefício no uso da hidroxicloroquina após o diagnóstico de covid-19. Além disso, seu uso foi associado a um risco maior de arritmia e de morte.

De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a suspensão dos estudos sobre a hidroxicloroquina foi feita por precaução, devido ao fato de o estudo da Lancet ter sido feito com um número expressivo de pacientes e após questionamentos feitos por agências de saúde de vários países.

Desde então, foi feita uma revisão dos dados disponíveis e o conselho do Solidarity, formado por dez dos países participantes (o Brasil não faz parte da lista), decidiu retomar os estudos com a droga.

"Com base nos dados sobre mortalidade disponíveis, os membros do comitê decidiram que não há motivo para modificar o protocolo do ensaio", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

A hidroxicloroquina era uma das quatro apostas de tratamento em análise no projeto internacional Solidarity, em que a organização coordena experimentos com pacientes em 18 países com a finalidade de verificar sua segurança e a eficácia no combate ao coronavírus.

Estão na lista de medicamentos em estudo a hidroxicloroquina; remdesivir; lopinavir-ritonavir; e essas duas drogas combinadas com interferon beta-1a (confira detalhes sobre estudos com cada um destes quatro tratamentos abaixo).

Os estudos com a cloroquina e hidroxicloroquina estão cercados de polêmicas. Sua adoção é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, ainda que não haja evidências científicas suficientes de sua eficácia e segurança.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz estar tomando a droga preventivamente, contrariando a recomendação oficial dos órgãos de saúde de seu próprio governo. Apesar da decisão da OMS, no Brasil, o Ministério da Saúde vai manter as orientações que ampliam o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina.

Além destas quatro frentes de aposta do projeto Solidarity, a OMS afirmou por e-mail à BBC News Brasil que está acompanhando mais de 700 estudos clínicos pelo mundo com diferentes medicamentos. Pelo menos 550 destes já estão recrutando pessoas para testes. A organização criou uma plataforma que reúne detalhes destes estudos, como país de origem e tipo de droga usado, em tempo real.

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Todos as quatro apostas do Solidarity já têm pelo menos um estudo envolvendo pacientes com covid-19 publicado em algum periódico de renome, com revisão de pares, e que segue critérios de excelência em pesquisa científica, essenciais para testar medicamentos — são estudos do tipo clínico randomizado controlado (RCT, na sigla em inglês), que envolve pacientes (clínico), divididos aleatoriamente (randomizado) em um grupo que recebe o medicamento e um grupo de controle, que não recebe medicamento, ou que é submetido a outro tratamento, com placebo, ou seja, os pacientes recebem um medicamento inócuo.

Os medicamentos incluídos no Solidarity também foram testados ou já são comercializados para o tratamento de outras doenças, como malária e HIV. Este foi um critério importante para sua escolha por um painel de especialistas consultados pela OMS, pois, por não serem novas criações, há mais garantia de sua disponibilidade e qualidade das informações.

Assim, o processo pode ser mais rápido — uma vantagem na comparação com remédios novos ou até vacinas para prevenção, cujo desenvolvimento também está a todo vapor na atual pandemia de coronavírus, mas começa do zero.

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