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Alagoas
26/03/2020 12:00:00

Bolsonaro e Doria batem boca durante reunião

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que ele deveria "dar exemplo ao País, e não dividir a nação em tempos de pandemia". A declaração aconteceu durante reunião virtual do presidente com os quatro g


Bolsonaro e Doria batem boca durante reunião

 governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que ele deveria "dar exemplo ao País, e não dividir a nação em tempos de pandemia". A declaração aconteceu durante reunião virtual do presidente com os quatro governadores do Sudeste, na manhã desta quarta-feira (25). Segundo pessoas que participaram da reunião, Bolsonaro se exaltou com a declaração do governador de São Paulo e chegou a chamá-lo de "leviano" e "demagogo".

Bolsonaro também reclamou que Doria teria se apoderado do nome dele nas eleições de 2018 e depois "virou as costas" como fez todo mundo. "Se você não atrapalhar, o Brasil vai decolar e conseguir sair da crise. Saia do palanque", disse Bolsonaro a João Doria.

A fala de Doria durou cerca de 5 minutos. "Sem diálogo não venceremos a pior crise de saúde pública da história de nosso País. Bolsonaro, início na condição de cidadão, de brasileiro, lamentando seu pronunciamento de ontem [terça] à noite à nação. Nós estamos aqui, os quatro governadores do Sudeste, em respeito ao Brasil e aos brasileiros, e em respeito também ao diálogo e ao entendimento. O senhor, como presidente da República, tinha que dar o exemplo. Tem que ser um mandatário para comandar, para dirigir e para liderar o País e não para dividir", disse o governador paulista.

Ainda segundo Doria, o objetivo principal do governo seria salvar vidas. "A nossa prioridade é salvar vidas, presidente. Estamos preocupados com as vidas de brasileiros em nossos Estados. Preservando também empregos e o mínimo que a economia possa se manter ativa. Os Estados estão conscientes disso e governadores também".

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, também cobrou liderança e responsabilidade do presidente da República.

Dificuldade em marcar reunião

Antes do encontro virtual, diversos governadores reclamaram da dificuldade em conseguir conversar com Jair Bolsonaro. Na era da comunicação instantânea e virtual, chefes do Executivo do Sudeste e do Nordeste do País já lançaram mão de cartas e até mesmo de ofícios por malote como forma de estabelecer contato com o presidente.

Agora, muitos deles até preferem falar com ministros. Embora desde o início da semana o presidente esteja fazendo encontros "on-line" com  governadores de cada região do País para tratar da crise do coronavírus, muitas medidas anunciadas parecem agora ofuscadas pelo pronunciamento da noite de terça-feira, quando Bolsonaro não fez questão de esconder os atritos. Antes dessas reuniões virtuais, porém, os chefes de Executivos estaduais encaminharam pelo menos uma dezena de cartas ao presidente.

"Há 15 meses que os governadores não têm nenhuma reunião nem virtual nem presencial com o presidente da República. Mas, deixando de lado qualquer destempero de ordem política, eu quero cumprimentar a decisão do governo federal de promover o encontro com os governadores", disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), antes do pronunciamento de Bolsonaro em cadeia nacional de rádio e TV. "Quanto mais entendimento tivermos no País, melhor para a população", completou ele.

Na manhã desta quarta-feira, 25, menos de 24 horas após dizer que algumas autoridades devem "abandonar o conceito de terra arrasada" e que não há motivo para fechar escolas nem para proibir transporte, Bolsonaro tem videoconferência marcada com governadores do Sudeste. Antes da vidoconferência, porém, voltou a criticar Doria e o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC). "Alguns poucos governadores, não são todos, em especial Rio e São Paulo, estão fazendo uma demagogia barata em cima disso. Para esconder outros problemas? Se colocam junto à mídia como salvadores da pátria, como o messias que vai salvar os seus estados o Brasil do caos. Fazem política o tempo todo. Não é esse o caminho que o Brasil deve seguir", afirmou o presidente.

Cartas

Witzel disse que, até hoje, a única forma de se comunicar com o presidente tem sido por meio de cartas, sempre mediadas pelo Fórum de Governadores. Foram pelo menos três, nos últimos dois meses. Antes de recorrer ao Fórum, no entanto, Witzel chegou a encaminhar ofícios solicitando audiência com Bolsonaro.

Terra



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