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Violência Sexual
01/03/2020 23:59:00

Ministério da Justiça aponta aumento de 26,5% no número de casos de estupros em AL


Ministério da Justiça aponta aumento de 26,5% no número de casos de estupros em AL

O crime de estupro, que ainda é extremamente subnotificado no Brasil, atinge cerca de 180 vítimas por dia, essas vítimas em sua grande maioria se tratam de crianças do sexo feminino de até 13 anos, isso é o que aponta o levantamento divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

De acordo com os dados, o número de estupros no estado de Alagoas cresceu em 26,5%, entre os meses de janeiro a outubro do ano de 2019.

Os números mostram que entre janeiro e outubro de 2019, 525 ocorrências foram registradas, já no mesmo período do ano de 2018, 415 casos foram registradas.

O Ministério da Justiça apontou também que julho do ano de 2019 foi o mês que mais registrou casos de estupros, com 75 ocorrências, seguido do mês de maio, com 70 casos, o mês de abril com 64 e por fim o mês de fevereiro com 61.

Alan Barbosa, que é chefe de operações da Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente (DCCCA), conversou com a reportagem do Cada Minuto e destacou que o medo de denunciar o agressor e registrar o fato oficialmente junto aos órgãos responsáveis ainda é um dos fatores predominantes para que os crimes permaneçam subnotificados e impunes.

“Infelizmente isso ainda acontece, é o que chamamos de subnotificação, e em sua maioria, ocorrem por vergonha e também por medo. Ainda existe o pensamento de que é aquilo que ocorreu foi culpa da criança, então infelizmente ainda existe esse preconceito que deve ser quebrado por estás famílias”, disse Barbosa.

O chefe de operações explicou ainda que não é difícil de identificar o perfil da pessoa que comete o estupro, pois em sua maioria são pessoas que possuem uma estreita relação com a vítima ou até mesmo que estão dentro da residência. “Na grande maioria dos casos, os estupradores são pessoas extremamente próximas e que a criança possui um certo grau de confiança nessa pessoa, geralmente um pai, um padrasto, tio, avô e por vezes até vizinhos”.

Alan explicou ainda que é necessário a sociedade está ciente que qualquer contato além do carinho social deve receber uma atenção redobrada. “Às vezes as famílias acreditam que só pelo fato de passar a mão, aquele ato não venha dizer nada, mas muito pelo contrário, ao passar a mão já caracteriza um ato libidinoso, o que é crime, não é que necessariamente o estupro deve haver a conjunção carnal, basta ter o toque para o vulnerável, até 14 anos, nós já tratamos como estupro e ele precisa ser investigado”, detalhou.

O policial pontuou também que é preciso acreditar na vítima. “Primeira coisa a ser feita é acreditar na criança. Se uma criança de dois, três, quatro anos verbaliza que aconteceu alguma coisa relacionado a sexo é muito provável que tenha acontecido, então aqui deve ser investigado”, finalizou.

 Esse aumento pode ser atribuído a uma diminuição do preconceito

 Para o conselheiro tutelar Júnior Mendonça, o aumento destes dados relacionados a casos de estupros em Alagoas pode estar diretamente relacionado a redução do preconceito das vítimas e de suas respectivas famílias.

“A quebra do tabu em ir até a polícia e denunciar tem feito muitas famílias a começar a enxergar esse problema de uma forma diferente, então formalizar a denúncia acaba encorajando outras pessoas, hoje ainda temos muitos casos subnotificados, pois há uma cultura de se julgar mais a vítima do que o agressor, com isso os país também acabam tendo um certo medo de serem julgados”, defendeu o conselheiro.

Júnior frisou ainda que a ausência de políticas públicas e o fortalecimento do machismo no país pode haver uma ligação direta com os aumentos. “A ausência do estado em alguns momentos faz com que isso se fortaleça e a nossa missão enquanto conselheiro é essa, é garantir com que o direito venha ser efetivado de maneira eficaz”.

O conselheiro explicou que o fato dos casos acontecerem com pessoas muito próxima da família das vítimas, fazem com que estas crianças sintam uma certa dificuldade em externar a situação para algum responsável ou até mesmo para os pais. “Os estupradores acabam usando daquela super confiança que a criança e a família tem nele para que possa praticar esse tipo de ato, com isso a criança acaba ficando acuada, não consegue passar a situação para os pais ou responsáveis, pois acaba entrando em um certo conflito interno”, ponderou.

Mendonça aproveitou a oportunidade e informou que é necessário ter uma atenção ao comportamento da criança e do adolescente e manter um canal de comunicação franco e muito direto. “Essas são as dicas primordiais para um bom relacionamento dentro de casa. A criança para contar uma situação como essa ela precisa confiar muito na pessoa. A situação do estupro e a conjunção carnal pode nem ter ocorrido ainda, mas a criança já vem mostrando indícios que algo de estranho possa estar ocorrendo, por isso é preciso haver uma atenção mais sensível”, recomendou.

Cada Minuto



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