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Política
02/02/2020 21:00:00

Partidos montam estratégias para disputa sem coligações às câmaras de vereadores


Partidos montam estratégias para disputa sem coligações às câmaras de vereadores

Com o fim das coligações partidárias para as eleições proporcionais - vereador - em 2020, os partidos políticos devem apresentar listas fechadas com nomes dos candidatos aos eleitores. Especialistas já preveem que este pleito de 4 de outubro terá número recorde de concorrentes. Pela lei, vencem os que forem mais votados às vagas disponíveis em cada Câmara Municipal. Esta tendência deve ser seguida em Alagoas. Dirigentes partidários também usam como estratégia nomes conhecidos do eleitorado e a força da própria legenda da qual fazem parte.

Atualmente, há no Brasil 33 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dados do próprio tribunal indicam que outras 77 legendas esperam por aprovação na corte, incluindo o "Aliança pelo Brasil", proposto pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que, eleito pelo PSL, deixou a sigla ainda em seu primeiro ano de gestão. A entrada do chefe do Executivo nacional no social liberal, no pleito de 2018, tornou a legenda, em apenas uma única eleição, em uma das maiores do País, atrás apenas do PT em número de representantes no Congresso Nacional.

Diante das regras eleitorais, os partidos com maior representação têm acesso a mais recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, este último com orçamento de R$ 2 bilhões de dinheiro público para uso das legendas nas eleições municipais de 2020. Com o fim das coligações partidárias, que deve se repetir e acontecer pela primeira vez na eleição para deputados estadual e federal, em 2022, a intenção desta nova regra é diminuir o total de partidos no País. Sigla sem representação, fica sem dinheiro público e sem tempo de propaganda no rádio e na TV.

Mesmo sem contar com seu maior puxador de votos nas últimas eleições gerais - Jair Bolsonaro -, o PSL pensa grande e pretende ocupar dezenas de vagas nas Câmaras de Vereadores e eleger pre-feitos. A estratégia da legenda, segundo o presidente estadual, o policial federal Flávio Moreno, é lançar "500 pré-candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereadores". Ele, que se coloca como "ex-vendedor de biscoito na feira e principal defensor e articulador de obras e projetos do governo federal no estado", mesmo sem cargo ou representação política na União, também adianta que deve se lançar a prefeito de Maceió.

"O partido cresce forte e pretende eleger de 80 a 100 vereadores e 20 prefeitos e vice em todo Estado. Já existem pré-candidaturas majoritárias e proporcionais fortes do PSL em várias cidades, tais como, Maceió, Arapiraca, Delmiro Gouveia, Rio Largo, União dos Palmares, Paripueira, Ma-triz do Camaragibe, São Miguel dos Campos, Jequiá da Praia, São José da Laje, Palmeira dos Índios e outras cidades", assegura o dirigente partidário. Apesar das altas pretensões, o PSL ainda precisa criar o oficializar diretórios municipais do partido por Alagoas perante a lei eleitoral.

Em cidades onde a legenda tem representantes, eleitos antes mesmo da chegada do ex-filiado e presidente, Jair Bolsonaro e mesmo do próprio Flávio Moreno, como é o caso de Arapiraca, o par-tido, segundo o dirigente estadual, pretende manter a intenção de lançar nomes de candidatos que não sejam vereadores. A proposta, que quer os vereadores Edvânio do Zé Baixinho e Márcio Marques fora da disputa pela legenda, deve voltar a gerar polêmica com os dois representantes.  

"A Lei Eleitoral dá o direito de concorrer à reeleição pelo mesmo partido. O Estatuto do PSL reza isso aí, me dando o direito de disputar nova eleição. Naturalmente, o partido que tem vereadores eleitos com mandato, tem por obrigação assegurar a candidatura. Admiro a radicalidade do presidente [do diretório municipal, Abelardo Silva]. Ele não respeita o Estatuto e nem quer o crescimento do partido. Não tiro o direito nem a razão de dizer que não aceita representantes com mandatos de outras siglas, mas do próprio PSL isso é infantilidade ou mesmo falta de patriotismo", Já havia declarado à Gazeta o vereador Edvânio do Zé Baixinho.

Pelo PT, partido que conta com o mesmo número de representantes que o PSL na Câmara Federal, 53 deputados, cada um, e que segue como uma das maiores legendas do Brasil,  a tática para as eleições de 4 de outubro é ter candidato a prefeito e uma ampla chapa de vereadores, a ser composta por nomes reconhecidos pela atuação dentro da própria legenda e com representação social na comunidade.

"Nossa tática é formar chapa para vereador e se lançar à disputa com candidato a prefeito. Esta é uma ideia e objetivo reforçados dentro da legenda. Acho que vai ser uma tendência da maioria dos partidos. Também sabemos que o PT sempre foi o mais votado, o maior puxador de voto de legenda. Para a eleição a vereador, vamos nos valer de nomes históricos e que estão credenciados sobretudo em votos. O PT não abre mão dessas táticas", pontua Ricardo Barbosa, presidente estadual da sigla e apresentado como pré-candidato a prefeito de Maceió.

Além de acreditar na força do partido, Ricardo ainda destaca o ex-presidente da República, Lula, como um grande cabo eleitoral à conquista de espaços pela legenda. "Temos o modo de governar do PT, voltado para as classes sociais menos favorecidas e contamos com representantes em diversos setores importantes da sociedade", acrescenta.

Adeílson Bezerra, dirigente de uma legenda pequena, sem representação no Congresso Nacional e, portanto, sem acesso a recursos públicos para realizar a campanha eleitoral, acredita que a legenda pode se beneficiar deste novo formato, sem coligações, para conquistar vagas nos Legislativos municipais. Para isso, ele diz contar com nomes conhecidos do eleitor e cita como exemplo a composição vitoriosa da legenda, nas últimas eleições gerais, quando, na ocasião, ao se lançar com chapa "puro sangue", conseguiu eleger quatro parlamentares para a Assembleia Legislativa Estadual (ALE).

"A nova regra de não coligação é benéfica para o PRTB, pois temos expertise em fazer eleições com chapa própria. Temos quatro representantes na Assembleia Legislativa que estão expandindo as ações partidárias do litoral ao sertão", tem declarado o líder partidário.

Embora confiantes em suas colocações, os dirigentes partidários ainda podem contar com novos nomes já com representação política eletiva em suas legendas ou mesmo perder os que têm. No período de 5 de março a 3 de abril, conforme calendário eleitoral, vereadores em mandato podem mudar da legenda livremente, sem que com isso sofram a perda do cargo, ao contrário do que acontece durante os três primeiros anos do mandato, caso algum representante deixe a sigla pela qual foi eleito sem motivação permitida em lei.

Gazetaweb



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