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Maceió
10/12/2019 08:00:00

Maceió terá de esvaziar área equivalente a 78 campos de futebol sob risco de afundamento


Maceió terá de esvaziar área equivalente a 78 campos de futebol sob risco de afundamento

Em Maceió, uma área equivalente a 78 campos de futebol, ou 78 hectares, terá de ser esvaziada em bairros afetados por rachaduras e afundamento. A informação é do jornal O Estado de S.Paulo, segundo o qual o problema vem ao menos desde fevereiro de 2018.

A situação foi apontada por um documento elaborado por agências do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. Provocadas pela extração de sal-gema na região, as fissuras vêm se agravando e causam apreensão entre os moradores.

Ao todo, o plano de remoção engloba os bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro e mostra que também estão na área de risco quatro hospitais, três unidades de saúde, 12 escolas e uma subestação de energia que abastece um terço da capital alagoana. Alguns equipamentos terão de ser realocados e outros, monitorados.

Segundo o jornal, existe também o risco de alagamento em alguns pontos, tendo em vista que há áreas passíveis de colapso na Lagoa Mundaú, que tem conexão com os bairros.

Uma área de 242 hectares é atingida pelo problema, que afeta mais de 40 mil pessoas, segundo o documento. E 2.114 imóveis terão de ser esvaziados. O cronograma de remoção não foi divulgado. O Ministério do Desenvolvimento Regional considera a situação um "desastre em andamento". Procurada para explicar as ações, a administração municipal não se manifestou.

A rotina dos moradores foi afetada pelas rachaduras. Alguns deles já se mudaram, enquanto outros assistem ao esvaziamento dos bairros. É o caso do professor Eduardo Jorge Ramos de Araújo, de 47 anos, que mora no Pinheiro, bairro de classe média de Maceió, desde os 4 anos de idade. Aos poucos, viu seus amigos de infância abandonarem os imóveis condenados. Hoje, mora sozinho no quarteirão em frente a um conjunto de 23 blocos de edifícios praticamente abandonados por causa do afundamento.

Ele chegou a se cadastrar no aluguel social do governo federal, como fizeram seus amigos, mas desistiu porque o valor oferecido (R$ 1 mil) não pagaria nem metade da casa que encontrou.

"Teria de achar um imóvel equivalente ao meu, que pudesse acomodar meus animais", diz ele, que tem três cães e dois gatos. Araújo fez dos cães seus companheiros de andanças no bairro, que hoje registra mais assaltos e arrombamentos depois que dezenas de moradores deixaram o local. "Não dá mais para andar sozinho em determinadas horas. Os cães pelo menos dão certa segurança."

Segundo o governo federal, até o momento a Defesa Civil Nacional repassou R$ 35,6 milhões para a concessão de aluguel emergencial às famílias. O aposentado Jairon Pinheiro, de 65 anos, saiu da casa onde morava em maio no Pinheiro e está recebendo o aluguel, mas não conseguiu um imóvel com o valor. "Deixei um apartamento e uma casa de primeiro andar. Foi bastante difícil alugar um apartamento. O preço subiu muito e só achava por mais de R$ 1 mil. Consegui alugar por R$ 1,3 mil."

Uma das áreas com recomendação para realocação por causa de "processos erosivos e patologias estruturais em edificações" abriga um hospital filantrópico, que é referência para hemodiálise e realiza 10 mil atendimentos por mês, além de cinco escolas estaduais. A Secretaria de Estado da Educação informou não ter recebido nenhuma nova notificação de interdição de unidades.

Outra zona, que tem até áreas alagadas, abriga dois hospitais psiquiátricos com 298 pacientes e uma creche que atende 221 alunos. Os prédios devem ser esvaziados.

Já foi interditada uma escola estadual da região. A subestação de energia elétrica do Pinheiro, que abastece 1/3 da cidade, está na zona de monitoramento. E a linha de trem urbano está dentro da área de risco. Em nota, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) informou que não foram observados afundamentos ou alterações nas Estações Bebedouro, Mutange e Bom Parto do Veículo Leve sob Trilhos (VLT), que recebem 2 mil por dia.

 

 Braskem, apontada por um estudo realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) como principal responsável pelo afundamento registrado nos bairros, inicia na segunda-feira uma ação de cadastro para pagamento de indenizações e realocação de 1,5 mil pessoas de áreas no entorno de 15 poços de extração de sal-gema.

A remoção de moradores de 400 imóveis e a criação de uma zona de resguardo na região haviam sido anunciadas no fim de novembro, pouco depois de a empresa informar à Agência Nacional de Mineração o encerramento das atividades de extração de sal-gema e fechamento dos poços.

A petroquímica informou, contudo, que ainda não é possível estabelecer a relação entre o fenômeno e a atividade realizada pela empresa. Na última segunda, a Braskem iniciou um estudo com sonar para avaliar o fundo da Lagoa Mundaú. Serão monitorados 30 pontos.

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