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Atualidade
28/11/2019 15:00:00

'Escravidão, aqui no Brasil, foi porque o índio não gosta de trabalhar, até hoje', diz Procurador


'Escravidão, aqui no Brasil, foi porque o índio não gosta de trabalhar, até hoje', diz Procurador

O procurador da República Ricardo Albuquerque, do Ministério Público Estadual do Pará, afirmou durante palestra na sede da instituição que a escravidão de negros aconteceu no Brasil porque "índio não gosta de trabalhar".

— Esse problema da escravidão aqui no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar, até hoje. O índio preferia morrer do que cavar mina, do que plantar para os portugueses. O índio preferia morrer. Foi por causa disso que eles foram buscar pessoas nas tribos na África, para vir substituir a mão de obra do índio. Isso tem que ficar claro, ora! — afirmou.

A frase foi dita durante a visita à Procuradoria de alunos de Direito de uma universidade privada do Pará. O áudio de um trecho da conversa a que O GLOBO teve acesso foi divulgado em redes sociais. Procurado pela reportagem, o Procurador avisou que se manifestaria por nota.

Na palestra, o procurador ainda afirma que vai "falar uma coisa que talvez muita gente não goste" e defende que não há "dívida nenhuma com quilombolas".

— Nenhum de nós aqui tem navio negreiro. Nenhum de nós aqui, se você for ver sua família há 200 anos atrás (sic), tenho certeza que nenhum de nós trouxe um navio cheio de pessoas da África para ser escravizadas aqui.

Ainda de acordo com o procurador, que ocupa o cargo de ouvidor-geral da instituição, políticas públicas não devem ter destinação por raça.

— Agora tem que dar estrutura para todo mundo, tem que dar terra pra todo mundo, mas é porque é brasileiro, só isso. É o que eu disse ainda agora, todos são iguais em direitos e deveres, homens e mulheres. Você escolhe o que você quiser ser, não estou nem aí. Mas todos são iguais, todos, todos, todos, absolutamente todos. Não precisa ser gay, ser negro, ser índio, ser amarelo, ser azul para ser destinatário de alguma política pública. Isso tá errado. O que tem que haver, meus amores, é respeito mútuo. Eu lhe respeito, você me respeita, acabou a história. O resto é papo furado. Isso tudo só faz travar a sociedade e eu tô dizendo isso porque eu sei o que rola lá dentro — defendeu.

O Ministério Público do Pará afirmou que o "áudio que está sendo veiculado tendenciosamente nas redes sociais foi divulgado fora de seu contexto". Ainda de acordo com a nota, "o assunto era o Ministério Público como instituição e não tinha como escopo a análise de etnias ou nenhum outro movimento dessa natureza".

O tema principal do encontro, ainda de acordo com o MP, era "a atuação do MP brasileiro em comparação com o seu equivalente nos Estados Unidos, onde lá, quem defende direitos civis são as ONGs".

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