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Alagoas
12/11/2019 04:00:00

Censo agropecuário mostra aumento no uso de agrotóxicos em Alagoas


Censo agropecuário mostra aumento no uso de agrotóxicos em Alagoas

Dados do Censo Agropecuário divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), apontam que entre os anos de 2006 e 2017 houve um significativo aumento de pelo menos 10% no uso de agrotóxicos nas plantações do estado de Alagoas. 

Ainda segundo informações do IBGE, no ano 2006 o instituto registrou 20% e em 2017 o número chegou a cerca de 30%. 

Em entrevista ao Cada Minuto, o professor de agroecologia da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Rafael Navas, avaliou o aumento destes números como preocupante e disse que a sociedade e poder público deve prestar mais atenção no assunto.“Quando se faz o uso desses produtos, temos um enorme impacto ambiente, mesmo eles sendo aplicados seguindo as recomendações dos fabricantes, existe um impacto ambiental”, destacou. 

Um outro recorte da pesquisa apresenta ainda que 90% das pessoas que fazem o uso destas substâncias afirmaram que não possuem a devida orientação para realizar a aplicação do produto. O professor pontuou ainda que isso oferece outros riscos à saúde de quem faz a manipulação inadequada. “Um outro fator que preocupa é que pesquisas mostram que quem faz a manipulação destes produtos são pessoas possuem uma baixa escolaridade e normalmente não fazem o uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), ou seja, esses trabalhadores correm o risco de uma contaminação com esses produtos por fazer esse uso inadequado”. 

Rafael Navas explicou ainda que existem alguns fatores que levam os produtores a fazerem o uso de agrotóxicos, mas destacou que isso pode ser revertido. “Um dos principais fatores para que façam o uso desses produtos é o modelo de produção baseado na monocultura.  O uso de agrotóxicos é muito relacionado aos monocultivos, ou seja, quando você tem uma única cultura plantada, isso aumenta os riscos da ocorrência de pragas e doenças, justamente por você não ter uma biodiversidade na área e para manter o controle é feito o uso de agrotóxicos”. 

O professor de agroecologia explicou ainda que apesar de existir uma certa dificuldade de manter uma produção sem o uso de agrotóxicos, ainda é possível. “Temos muitas experiências positivas, principalmente em Alagoas da agroecologia, pois ela traz uma perspectiva que vai te fazer trabalhar com uma diversidade de cultivos e essa diversidade manejada vai te trazer uma alta produtividade e faz com que o produtor venha reduzir esse indicie de agrotóxicos. 

Navas explicou ainda que existem produtos biológicos que podem manter o equilíbrio e que consequentemente acaba fazendo com que as pragas não se aproximem das plantações. “Hoje já temos produtos biológicos que podem contribuir no controle e no manejo de pragas e doenças, fazendo com que possamos evitar os produtos químicos. É um conjunto de técnicas que devem serem adotadas, quanto mais a biodiversidade, maior será o controle biológico, para que possamos ter uma menor dependência”, finalizou. 

O censo percorreu no estado de Alagoas aproximadamente 150 mil propriedades, onde dentre elas cerca de 98 mil foram considerados como rurais. O IBGE explicou ainda que percorreu mais de 200 mil km, para que estes dados pudessem serem levantados. 

Cada Minuto



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