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Brasil
29/10/2019 13:00:00

Tipo 1 de poliomielite ainda é ameaça com cobertura vacinal baixa


Tipo 1 de poliomielite ainda é ameaça com cobertura vacinal baixa

Prevenível por meio da vacinação, a poliomielite é uma doença causada pela infecção de diferentes poliovírus, que podem atingir o sistema nervoso central e a medula espinhal, provocando a paralisia, sendo mais comum a dos membros inferiores. Conhecida popularmente como “paralisia infantil”, é considerada  eliminada no Brasil desde 1989, quando o último caso foi registrado na cidade de Souza, na Paraíba. De lá para cá, pouco se ouviu a respeito da enfermidade, que fez 26 mil casos no País entre 1968 e 1989.

No entanto, esse quadro pode mudar se a cobertura vacinal continuar diminuindo. Por isso, é necessário educar e conscientizar as pessoas a respeito da importância da prevenção e, principalmente, pais, mães e avós, para levarem seus filhos e netos tomar a vacina, que é distribuída gratuitamente na rede pública.

Uma comissão independente de especialistas concluiu que o poliovírus selvagem tipo 3 (WPV3) foi erradicado em todo o mundo. Após a erradicação da varíola e do poliovírus selvagem tipo 2, essa notícia representa uma conquista histórica para a humanidade, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS). O tipo 3 não é detectado em nenhum lugar do mundo desde 2012, assim como o poliovírus 2, que foi considerado totalmente erradicado em 1999. Mas a luta para erradicar o tipo 1 continua.
 
“Infelizmente, a poliomielite não é considerada erradicada em todo o mundo porque ainda há registro da doença selvagem em três países: Nigéria, Paquistão e Afeganistão. Enquanto houver casos, existe o risco de contaminação e, por esse motivo, é muito importante que as pessoas não se acomodem e continuem vacinando seus filhos”, explica Sheila Homsani, diretora médica da Sanofi Pasteur, divisão de vacinas da Sanofi, que atua na Iniciativa Global de Erradicação da Pólio da Organização Mundial da Saúde.
 
Segundo a especialista, a sensação de que não existe perigo favorece a queda da cobertura vacinal e pode contribuir para a volta de casos em nosso país, como ocorreu com o Sarampo recentemente.
 
Transmissão
De acordo com a médica, o vírus da poliomielite entra no organismo através de contato direto pessoa a pessoa (falar, espirrar, tossir), por objetos, alimentos e/ ou água contaminados com o vírus da pólio, podendo acessar a corrente sanguínea e, assim, alcançar o sistema nervoso central. A infecção se instala no sistema nervoso destruindo os neurônios motores o que, consequentemente, causa a paralisa. “Há ainda o risco das células que controlam os músculos respiratórios e de deglutição serem atacadas e o quadro evoluir gravemente”, ressalta.
 
Um dado que muitas pessoas desconhecem é que a doença também pode acometer adultos, podendo, inclusive, levar ao óbito. “A poliomielite está sempre associada à infância, mas ela é capaz de infectar qualquer pessoa que não tenha sido imunizada, independentemente da idade”, afirma Sheila. A especialista explica ainda que, quem contraiu o vírus no passado não está livre de apresentar sequelas futuras. “A Síndrome Pós-Poliomielite é uma disfunção neurológica que pode se manifestar 15 anos após o indivíduo ter adquirido a doença”.  Por isso a médica alerta sobre a importância de estar atento a sintomas como fraqueza, fadiga e dores musculares e articulares. “Essa síndrome chega de maneira muito silenciosa, e, como consequência da pólio, a melhor forma de evitá-la é a vacinação”.
 
A vacina inativada contra a poliomielite é totalmente segura, produzida com vírus inativado, e está disponível na rede pública de saúde. Ela é indicada para crianças com mais de seis semanas de vida ou pessoas que vivam em áreas endêmicas. Na rede privada, também é possível encontrar um imunizante hexavalente, que protege crianças contra a pólio e outras cinco doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite b e Haemophilus influenzae tipo b.
 
“A maioria das pessoas infectadas não manifesta sintomas e, assim, a poliomielite pode passar desapercebida. No entanto, mesmo nesses casos, elas ainda podem transmitir a doença ou desenvolver a Síndrome Pós-Poliomielite. É nosso dever alertar a população sobre esses riscos”, conclui Sheila Homsani.
 
 Diário de Pernambuco


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