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Meio Ambiente
25/10/2019 06:00:00

Rio Manguaba: 70% da produção de ostras se perde

Marisco foi contaminado pelo óleo; membros da Associação Mariostra contam que mais de 20 famílias serão prejudicadas


Rio Manguaba: 70% da produção de ostras se perde

As manchas de óleo que surgiram desde o início de setembro, identificadas como petróleo cru, ainda de origem desconhecida, já atingiram mais 200 localidades do litoral nos nove estados do Nordeste, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). E agora chegou ao Rio Manguaba, em Porto de Pedras, causando a perda de 70% da produção de ostras.

Segundo membros da Associação Mariostra, a perda prejudica diretamente mais de 20 famílias que trabalham com o cultivo das espécies.

Imagens que circulam nas redes sociais desde a noite da última terça-feira (22) mostram as ostras contaminadas no estuário.

O detalhe é que o local é próximo ao maior santuário de peixes-boi do país.

“A princípio sabemos que 70% da produção foi atingida prejudicando em média 22 famílias. Amanhã [quinta-feira, 24], aproveitando a maré baixa, ostreicultoras estarão no cultivo  juntamente com técnicos  do IABS [Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade], coordenação da pesca estadual e federal  para fazer um levantamento técnico, prejuízos causados e definir ações. Após esta visita  que será feita a partir das 7h da manhã, é que  poderemos  ter maiores informações  sobre os impactos causados e prejuízos econômicos”, comenta Jovina Ferreira Lopes, tesoureira da associação.

Jovina acrescenta que os membros da associação trabalham com as ostras nativas e com as sementes de ostras desenvolvidas no Laboratório da Universidade de Santa Catarina.

Outro membro da Associação Mariostra, Pedro Oliveira, disse que a substância avançou mais de 300 metros para dentro do rio e atingiu o estuário das ostras.

“Com certeza o mangue também está sendo contaminado, assim como os animais que vivem por lá. As ostras, por exemplo, vieram de Santa Catarina e tiveram que passar por uma adaptação em laboratório para conseguir a reprodução nas nossas águas, que são mais quentes que as do Sul. Todo nosso trabalho foi perdido. Agora, resta saber se vamos ter apoio do poder público”, lamenta.

Prefeitura de Porto de Pedras desconhece produção recente de ostras na localidade

 

A reportagem da Tribuna Independente entrou em contato com a assessoria de comunicação de Porto de Pedras que explicou algumas situações.

“A questão está distorcida – devido à administração municipal e o impasse com a colônia. Na verdade, a colônia tem vínculo direto com o Governo Federal e não municipal, temos o conhecimento que ela existe, mas até então achávamos que ela estava desativada, foi surpresa para o poder municipal. Até então, pra gente da Prefeitura não tem nenhuma atividade de ostras em Porto de Pedras.” Já sobre as manchas de óleo no rio Manguaba, a assessoria disse que aparentemente está tudo tranquilo.

No Pontal do Peba, massunins são encontrados mortos na areia próximo à foz do Rio São Francisco (Foto: Ibama)

A assessoria explica ainda, que as manchas vieram na maré alta, mas quando a maré seca, ela volta com o óleo na mesma proporção que trouxe, e que teria ficado apenas um resquício ou outro nos galhos, mas fora isso nada de impacto maior. ‘‘Rapidamente o pessoal da secretaria de obra e limpeza contorna isso. O rio continua apto para banho e navegação e demais atividades’’.

IMPASSE

Jovina Ferreira afirma que produção existe e que tanto o governo federal quanto o municipal têm conhecimento. ‘’Não sabemos quem disse que não existe. Até porque, a Secretária da Agricultura e Pesca, através do senhor Farias, tem conhecimento deste cultivo  e do trabalho de reorganização’’.

PEIXE-BOI

Para os membros da associação Mariostra, os peixes-boi que passam por reabilitação no estuário no Rio Tatuamunha que também fica em Porto de Pedras, podem ser prejudicados já que foram vistos no Manguaba depois que o piche chegou no local.

A prefeitura de Porto de Pedras ressalta que no santuário do peixe-boi foram colocadas as barreiras de proteção e o local está sendo monitorado, e até o momento sem alteração.

PONTAL DO PEBA

Em Alagoas, já são cerca de 30 pontos de praias registrados com o piche segundo o último relatório do Ibama divulgado no dia 19. E de acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), até ontem, já foram recolhidos 662 toneladas do produto.

Imagens que circulam também em grupos de aplicativo de mensagens e nas redes sociais mostram o impacto ambiental que vem sendo causado.

No Pontal do Peba em Piaçabuçu, próximo da foz do Rio do São Francisco, no mesmo local do óleo, também foi feito o registro de milhares de Massunim – Marisco/Bivalve, morto nesta quarta-feira (23).

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França



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