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Saúde
22/09/2019 17:30:00

Pesquisa do Ministério da Saúde aponta que obesidade atinge 20% dos maceioenses


Pesquisa do Ministério da Saúde aponta que obesidade atinge 20% dos maceioenses

m a cada cinco maceioenses, em média, convive com a obesidade. É o que revela uma pesquisa telefônica do Ministério da Saúde com dados de pessoas entrevistadas em todas as capitais brasileiras e o Distrito Federal. Em Maceió, 18,5% disseram ser obesos. O público feminino é o que mais sofre com a doença. E ainda tem um dado alarmante: mais da metade da população local tem excesso de peso.

O levantamento Vigitel [Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico] refere-se ao ano passado e evidencia o percentual de adultos com o problema, considerando o Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 quilos pela altura ao quadrado. O estudo reúne informações sobre peso, hábitos alimentares e exercícios físicos, sendo feita anualmente. A edição de 2018 foi elaborada com base em 52.395 entrevistas entre fevereiro e dezembro do ano passado.

 

Os dados mostram que 20,3% das mulheres maceioenses eram obesas. Em comparação às demais capitais, Maceió tem a 11ª taxa mais alta do País. Entre os homens, o percentual ficou em 16,2% (é a sexta mais baixa do Brasil e a terceira do Nordeste). No Brasil, a frequência de adultos obesos foi de 19,8%, sendo ligeiramente maior entre as mulheres (20,7%) do que entre os homens (18,7%).

Os números mostram um alerta: a obesidade aumentou com a idade até os 44 anos para homens e até os 64 anos para mulheres. Por outro lado, em ambos os sexos, o problema diminuiu com o aumento do nível de escolaridade, de forma notável para mulheres.

As maiores frequências de obesidade foram observadas, entre homens, em Manaus (27,1%), Cuiabá (25,4%) e Porto Velho (23,2%) e, entre as mulheres, no Rio de Janeiro (24,6%), Rio Branco (23,0%) e Recife (22,6%). As menores ocorreram, entre homens, em Aracaju (14,4%), Curitiba (14,8%) e Goiânia (15,5%) e, entre mulheres, em Palmas (14,9%), São Luís (15,7%) e Florianópolis (16,4%).

Para o nutricionista Rômulo Damasceno, a obesidade é um fenômeno mundial. As últimas pesquisas têm trazido estes dados, que podem estar relacionados ao sedentarismo, ou seja, à falta de atividade física regular. Sem se movimentarem, as pessoas aumentam de peso e desenvolvem doenças relacionadas.

"Outro fato que pode ser influenciador é o excesso de trabalho. Muitos precisam se dividir em várias atividades laborais, deixam de ter cuidado com a alimentação saudável e balanceada, buscando a praticidade. A alimentação de hoje está muito relacionada ao consumo de produtos industrializados, cheios de corantes, conservantes, ricos em carboidratos e que são capazes de provocar uma série de complicações à saúde do indivíduo", explica.

Segundo ele, os homens têm diferença na questão hormonal, já que possuem um aporte maior de testosterona, que, no corpo deles, permite controle contra a obesidade. Este talvez seja o fator que explique o índice de obesidade maior nas mulheres. Os hormônios fazem ainda com que as pessoas do sexo feminino tenham mais deposição de gordura no corpo e, por isso, elas tendem a desenvolver obesidade mais do que os homens.

Para Rômulo Damasceno, o percentual de obesos em Maceió não é considerado alto, mas não deixa de ser preocupante, levando em consideração os que também estão com sobrepeso. "As pessoas obesas tendem a desenvolver doenças e onerar mais do serviço público, com a utilização de gastos com a saúde. A obesidade também é cofator para o surgimento de outras doenças, como diabetes, hipertensão e síndrome metabólica, que, atualmente, provocam muitas mortes no Brasil".

Aos 46 anos, Luciene Oliveira convive com a obesidade e sente os efeitos nocivos da doença há muito tempo. A dona de casa é casada e mora com o marido, José Carlos, que também tem excesso de peso, no município de Rio Largo. Mais jovem, ela teve complicações respiratórias e sofreu um derrame pleural, além de uma trombose nas duas pernas. Desde então, toma medicamentos controlados para evitar novos episódios e vive sob a recomendação de que não pode ter um quilinhos a mais.

Agora, ela está em processo de reeducação alimentar, prescrita por um nutrólogo. Admite ser sedentária, sem qualquer atividade física, mas diz entender que a dieta é um passo importante para reaver a qualidade de vida. "Estou fazendo uma dieta bastante rigorosa, que retira da minha rotina alimentar os carboidratos. Por isso, não estou comendo arroz, massa, cuscuz, nada praticamente. Não estou consumindo açúcar de jeito nenhum também", revela.

 

Os números também mostram que as mulheres são as que sofrem mais com a doença no Brasil

FOTO: AP PHOTO/M. SPENCER GREEN, FIL

 

 

Luciene comenta que procurou orientação médica ao perceber que estava sem disposição para os afazeres domésticos e sentindo muita fadiga no corpo. "Estava muito ansiosa e cheguei a pesar 126 quilos. Quando um fui para o médico estava com 123 quilos e, após a dieta, 120. Eu estava sem energia e relatei isso na consulta, além de me sentir muito pesada. Parecia uma máquina sem força para trabalhar".

Além do acúmulo desordenado de gordura corporal, Luciene também descobriu que estava com anemia e com a taxa baixa de ferritina. O tratamento para combater estes problemas já foi iniciado. "Até que estou me sentindo melhor depois da dieta. Pelo problema da trombose, eu jamais poderia ter o peso atual".

Ela diz que conviver com excesso de peso é terrível e atrapalha muito no dia a dia, que vai desde a batalha interior, com baixa estima, até a luta para comprar roupas, calçados e até a interferência no relacionamento sexual com o marido. "Isto é óbvio. O homem e a mulher quando estão gordos demais até a libido fica menor e o prazer acabar. A gordura não faz bem para ninguém (risos)", admite.

A dona de casa conta que um dos melhores prazeres da vida é comer, mas é preciso entender que, para tudo, há uma consequência. "Eu me assumo gorda mesmo e até eu perder a disposição para a rotina do dia eu convivia bem assim. Porém, estou chegando aos 50 anos e tenho que vigiar".

Quanto à dieta, diz que está levando bem as novas regras e retirou os produtos nocivos do cardápio visando o bem-estar. "O bom é que meu marido também está me acompanhando no regime. Percebemos que estamos perdendo peso e isto nos motiva ainda mais a continuar neste ritmo".

EXCESSO DE PESO

A Vigitel 2018 também revelou que 54,8% dos maceioenses acima de 18 anos têm excesso de peso. O problema é mais frequente no sexo masculino (57,1%). No feminino, o índice chega a 52,9%. No Brasil, o percentual variou entre 47,2% em São Luís e 60,7% em Cuiabá. Chama a atenção o quadro em Porto Alegre, onde 66,7% dos homens informaram estarem com quilos a mais. A média do país ficou em 55,7%, sendo ligeiramente maior entre homens (57,8%) do que entre mulheres (53,9%).

O endocrinologista Edson Perrotti confirmou que o sobrepeso é, da mesma forma que a obesidade, um fato que acontece no Brasil todo e os maiores motivadores para este problema são os que todos conhecem: consumo (excessivo) de alimentos, principalmente alimentos ultraprocessados e muito calóricos, além de pouca atividade física, quer seja programada (exercícios físicos programados) ou atividade não programada (caminhar para realizar atividades cotidianas, como descer e subir escadas).

A pesquisa também revelou um percentual baixo de pessoas de Maceió que consomem frutas e hortaliças em cinco ou mais dias da semana. Apenas 36,3% daqui disseram que tinham este hábito. Não havia muita diferença entre homens e mulheres. O índice ficou em 34% para eles e uma leve alteração para mais em relação a elas: 37,5%.

Outro dado relacionado a este tipo de consumo também foi exposto no levantamento. Ao todo, 20,6% dos adultos da capital disseram que ingerem cinco ou mais porções diárias de hortifrutis, um índice considerado baixo pelos especialistas. O percentual é levemente menor entre os homens.

O nutricionista ouvido pela reportagem lembra que o consumo de frutas, verduras e hortaliças apresentam diversas vantagens, como o fornecimento de vitaminas e minerais, que atuam em diversos processos fisiológicos.

"Elas regulam a deposição de gordura corporal e, com as fibras que possuem, ajudam a dar uma sensação de saciedade, fazendo com que as pessoas comam menos. Quem não come ou ingere pouco estes alimentos deixa de dar combustível ao corpo para que ele funcione de forma adequada, abrindo brechas para doenças crônicas não transmissíveis", alerta.

Já o endocrinologista faz uma análise otimista, mesmo com os indicadores apresentados. "Apesar do aumento da obesidade e do peso, as pessoas estão comendo mais frutas e hortaliças, um sinal de que elas podem estar sendo mais bem informadas e, possivelmente, tendendo a mudar hábitos, embora ainda não tenha sido suficiente para impactar nas estatísticas de excesso de peso e obesidade", afirmou Perrotti.

É destaque, ainda, que 11,5% dos homens maceioenses disseram que consumiam refrigerantes em cinco ou mais dias da semana. Entre as mulheres, eram 4,7% no ano passado, conforme a Vigitel. A média da capital ficou em 7,8%. Estas bebidas são consideradas as vilãs pelos médicos e nutricionistas pelo alto teor de açúcar e por não dispor de nutrientes.

"Quanto ao refrigerante, o consumo frequente pode acarretar diversos danos. Primeiro, estes líquidos não têm valor nutricional de um alimento (chamados de alimentos com calorias vazias). São muito ricos em açúcar, que, em excesso, se transforma em gordura no corpo, além do risco deles provocar resistência à insulina e, a longo prazo, diabetes do tipo 2 no organismo", detalha Rômulo Damasceno.

ATIVIDADES FÍSICAS

Uma das aliadas mais eficazes no combate à gordura corporal, além de promover melhor qualidade de vida, a atividade física está sendo negligenciada por mais da metade da população de Maceió. A pesquisa mostrou que só 39,9% dos que foram entrevistados aqui informaram que praticavam o equivalente a pelo menos 150 minutos de atividade de intensidade moderada no tempo livre.

O percentual dos que fazem exercícios regularmente é maior entre os homens (48,5%). O público feminino soma 32,8%. Os adultos que praticam atividades físicas durante o deslocamento são 16,9%. Chama a atenção o índice dos que se exercitam de maneira insuficiente na capital: são 44,2% dos que foram ouvidos neste levantamento. Neste quesito, mais da metade das mulheres disseram se enquadrar nesta situação. Os que não fazem nenhuma atividade são 15,1% da população local.

Os maiores de 18 anos que reservam três ou mais horas do seu tempo livre assistindo televisão ou usando computador, tablet ou celular são 60,9%. Os homens, neste caso, são os mais ocupados com os eletrônicos (66,1%). Também são eles que mais ingeriram bebidas alcoólicas (28,8%) e os que informaram terem conduzido veículos após a bebedeira (8,1%).

A pesquisa também revelou que 27,1% dos maceioenses revelaram ter hipertensão arterial. As mulheres têm um índice um pouco maior do que os homens deste diagnóstico médico. E o público do sexo feminino lidera o grupo dos que disseram ter diabetes (10,2%) contra 6,3% dos homens.

"A falta de atividades físicas é o reflexo da sociedade sedentária atual. O álcool é muito danoso. Metabolizado no fígado, ele é capaz de destruir os nutrientes que poderiam ser absorvidos pelo corpo, além de prejudicar a função hepática. Há várias implicações para quem bebe. A longo prazo, pode causar uma desnutrição, uma resistência insulínica, problemas de metabolismo de nutrientes, a questão social", afirmou o nutricionista Rômulo Damasceno.

A prática regular de atividade física está diretamente relacionada ao controle de peso, conforme explica a profissional de educação física Núbia Rafaela Vasconcelos. Segundo ela, o excesso de peso corporal e mais especificamente de gordura está ligado ao que é chamado de balanço energética.

"Um saldo de calorias positivo leva, consequentemente, ao acúmulo de peso corporal. E o exercício físico atua diretamente nessa perca de calorias, por isso uma alimentação equilibrada junto com exercícios físicos esse saldo não gera acumulado de peso", informa.

Rafaela esclarece que os comprovantes da aptidão física relacionados à saúde são força e resistência muscular, aptidão cardiorrespiratória, flexibilidade e composição corporal. Um programa de atividades físicas que contemplem esses comprovantes seria o ideal para qualquer indivíduo.

"Atividades aeróbicas como corrida, caminhada, entre outros, junto com exercícios resistidos, como por exemplo, a musculação, seria uma boa estratégia para se conseguir tudo isso. Mas, também, cabe lembrar que algumas pessoas não se adaptam a determinadas atividades físicas e acabam abandonando. Então, a princípio, é bom procurar uma atividade que mais se adeque ao seu gosto e não esquecer de ter um profissional capacitado para avaliar a situação e para orientar melhor".

Ela acrescenta que, mesmo havendo diferenças fisiológicas e de hormônios, não há atividades, exercícios ou até mesmo esportes que sejam indicados somente para homens ou mulheres. "Quando se fala em pessoa com sobrepeso e até mesmo obesas também não há diferenças quanto ao sexo, o que se tem que avaliar é o estado físico, o histórico de atividades, de patologias articulares, melancólicas e cardiovasculares para se melhor fazer uma escolha sobre exercícios físicos".

O endocrinologista Edson Perrotti orienta que o uso de medicações contra obesidade só é recomendado quando estão esgotadas as tentativas de mudanças comportamentais, quando essas ações não tenham surtido resultados ou quando seja necessário, conforme avaliação médica individualizada. Para alguns casos, inclusive, há indicação para cirurgia bariátrica. "A mais conhecida, neste caso, é quando o IMC do paciente é maior do que 40, também conhecida como obesidade mórbida.

Gazetaweb



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