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Educação
15/09/2019 11:00:00

Enem será sem ''constrangimento nem viés ideológico'', diz Inep


Enem será sem ''constrangimento nem viés ideológico'', diz Inep
Alunos podem esperar um Enem diferente em termos de conteúdo ou de abordagem?
As trocas que ocorreram não impactaram na preparação pedagógica da prova, sejam as mudanças no Inep, no Ministério da Educação ou na Presidência. Não tiveram impacto na preparação pedagógica. Os alunos podem esperar uma prova como nos últimos anos, na mesma linha de raciocínio. Não há diferenciação. O que é colocado, e é uma decisão do governo federal, é que realmente não tenham questões com qualquer viés ideológico, seja para que lado for. Essas questões devem mostrar o conhecimento do aluno, fazendo perguntas do modo mais isento possível. Que não haja ideologia de qualquer natureza. Os itens são preparados por professores e avaliados por comissões do mesmo modo de sempre. Não há diferença pedagógica. 
 
O que o Inep e o governo entendem por “viés ideológico”?
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O que foi colocado é que questões como as do ano passado, as que falavam sobre uma coisa relativa à sexualidade, não caiam mais. Agora, quanto a questões relativas a abordagens do conteúdo que os alunos veem na escola e no seu dia a dia, vai ser normal. O de sempre. Muda apenas o direcionamento para que não tenha nenhuma pergunta que deixe as pessoas constrangidas. Não deve haver constrangimento a qualquer pessoa, de qualquer religião ou camadas sociais. Queremos questões que tenham sentido com o conteúdo, que sejam feitas de um modo que não ofenda ninguém. Foi a resposta que o presidente Bolsonaro deu no ano passado sobre a questão que fala de sexualidade, por exemplo.
 
O presidente da República, o ministro da Educação ou a direção do Inep lerão as questões?
Vou repetir a palavra do ministro. Ele disse: “Eu não li, o Alexandre [Lopes, presidente titular do Inep] não leu, o Camilo Mussi não leu e o presidente da República não lerá também”. Neste momento, nenhum de nós leu e não há nenhuma sinalização de que haja necessidade de lermos. Há uma confiança muito grande no trabalho dos técnicos no Inep.
 
É possível dizer que a prova será mais conteudista e técnica?
Não necessariamente. Possivelmente, quem olhar a prova deste ano, coisa que eu não fiz, vai notar uma prova que tem o mesmo modo de questionamento dos anos anteriores. Para quem entende que as provas do passado são mais conteudistas, então será. Para quem entende que não, não será. Quem se preparou para as provas anteriores não verá nenhum sobressalto para este ano.
 
Qual o caminho feito pela prova a partir da elaboração?
Há um edital que convoca colaboradores, que tenham competências nas suas áreas, para participar da seleção e, uma vez selecionados, preparar as questões. Todos assinam termo de sigilo. Essas pessoas preparam o conteúdo e, depois, comissões são formadas para revisar e testar esses itens até que, em determinado momento, essas questões são consideradas prontas para serem utilizadas e ficam no banco de questões. Neste ano, por exemplo, teremos a prova regular, em 3 e 10 de novembro, bem como a reaplicação em dezembro. Esta é destinada a Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL) e aqueles que, por algum motivo, não conseguiram fazer a prova. Todos têm a mesma chance.
 
Em qual etapa o Enem está agora?
Esse é o fluxo, que permite, inclusive, o que chamamos de recurso de ofício. Ou seja, todo esse fluxo permite que, após a prova, se faça a avaliação das respostas dadas sob a Teoria de Resposta ao Item (TRI). Neste momento, estamos no cronograma, sem nenhum atraso, um grande número de prova já está impressa e outro volume ainda está sendo. Elas já estão sendo guardadas no Batalhão do Exército, em São Paulo, até alguns dias antes da prova, quando serão distribuídas para os locais de prova. Dentro de algum tempo, em outubro, saberemos os locais. Está tudo em dia, e as alterações de gestão não afetaram em nada o cronograma.
 
Há quanto tempo as questões escolhidas foram criadas?
Não foram feitas este ano. Foram elaboradas antes da gestão atual. Há quanto tempo, eu não posso comentar. Não há nenhuma ingerência de mudança de texto de questões, até porque não seria possível e não é pedagogicamente aconselhável.
 
São três os diretores envolvidos no Enem. Um é o diretor de Tecnologia, cargo ocupado por mim há três anos, que trata de arquivos, preparação dos sites, divulgação de locais de prova e outras demandas de tecnologia. A diretoria de Gestão e Planejamento, responsável pela logística, cuida dos contratos e convênios com a Secretaria de Segurança Pública, Polícia Federal, Exército, Correios e todos os parceiros. A Daeb é responsável por elaborar as matrizes e o conteúdo pedagógico da prova, além de fazer a correção das questões depois de feitas. Essa diretoria vem fazendo a preparação dos itens há anos, não só no Enem, mas também em provas como Saeb e Encceja. Neste momento, em relação ao Enem, já acabaram as atividades da diretoria. No momento em que começa a impressão, termina o trabalho da Daeb. Ela volta a trabalhar no exame no divulgação do gabarito. O diretor assumiu, mas não há nada a ser feito neste momento.
 
A dois meses do exame, o que recomenda aos candidatos?
Recomendamos que o candidato não deixe para ver o local de prova no último momento. Deixaremos disponíveis os locais de prova com, no mínimo, 12 a 15 dias de antecedência. A grande novidade deste ano é a eliminação do candidato cujo celular tocar durante a prova. Até o ano passado, se o aparelho tocava dentro do envelope, o aluno era alertado. Este ano, se tocar, ele é eliminado. Tem que desligar ou até, se possível, não levá-lo. Já tivemos, inclusive, eliminados no Encceja assim. É uma orientação da Polícia Federal.
 
Correio Braziliense


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