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Viver Bem
27/08/2019 13:00:00

Qualidade de vida para crescente população idosa do DF ainda é um desafio


Qualidade de vida para crescente população idosa do DF ainda é um desafio

Prolongar a vida foi um dos grandes feitos do ser humano no século 20. Se, antes, a longevidade era privilégio de poucos, agora, ela começa a ser regra e, ao mesmo tempo, um dos maiores desafios dos tempos modernos. A sociedade precisa aprender a viver mais e melhor. Não somente quem passou dos 60, como também os netos e os filhos de quem está na terceira idade.

De 2012 a 2017, o número de pessoas com mais de 60 anos no país subiu 18%, alcançando 30,2 milhões, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão é de que, em 2060, um quarto dos brasileiros tenha mais de 65 anos. No mesmo ano, o Distrito Federal terá a menor taxa de fecundidade do país, e a proporção de idosos para jovens será a segunda maior entre as 27 unidades da Federação, com cerca de dois para um.
 
Os desafios de uma nação com pirâmide etária em transformação acelerada, como é o caso do Brasil, incluem definir políticas voltadas para as necessidades dos idosos: de mobilidade urbana a lazer, passando pelos cuidados com a saúde e pela prevenção de doenças, além da definição de múltiplas formas de inclusão. Apesar disso, o país engatinha nesses quesitos. Para o médico Renato Veras, doutor em epidemiologia do envelhecimento pela Universidade de Londres, transformações são necessárias. Ele alerta que o país tem perdido a chance de promover mudanças nessa perspectiva. “A questão do envelhecimento nunca se encaixou muito bem na sociedade brasileira”, diz. 
 
A expectativa de vida do brasileiro, em 2019, é de 76 anos; no DF, um pouco maior: de 78 anos. Diante do novo perfil populacional, o Brasil deve pensar em quem não tem mais a mesma vitalidade de outrora. A Organização Panamericana de Saúde (Opas) define como “cidade amiga do idoso” a que adapta estruturas e serviços para que sejam acessíveis e promovam a inclusão para pessoas com diferentes necessidades e capacidade.
 
Mais de 600 cidades e comunidades em 37 países fazem parte da rede da Organização Mundial de Saúde (OMS), pensando em iniciativas que permitam o envelhecimento saudável. No Brasil, quatro receberam o certificado internacional de Cidade e Comunidades Amigáveis à Pessoa Idosa: os municípios gaúchos de Esteio, Porto Alegre e Veranópolis, além de Pato Branco (PR).
 

Mobilidade

Na capital federal, muito precisa ser feito. O aposentado Eloy Barbosa, 73 anos, é categórico: “Brasília não tem acessibilidade. Isso vale para Plano Piloto, Samambaia, onde for. As escadas rolantes não funcionam, não tem calçada na maioria dos lugares e, quando tem, as pessoas param os carros em cima”. Mesmo assim, ele encara a velhice com “animo. Todos os dias, o morador da QNA 5 de Taguatinga Norte caminha até a parada de ônibus mais próxima.
 
O transporte público faz parte da rotina do senhor de cabelos brancos. Com agenda lotada, ele reveza os dias entre aulas de teatro, filosofia, canto coral, dança e o que mais aparecer. Para se locomover, vale ônibus, metrô, ou dirigir o próprio carro. “Prefiro o transporte público, porque não vou sozinho. Converso e conheço as pessoas. Quando está cheio, tem gente que finge não me ver, mas sempre tem uma alma boa para me ceder o lugar. Devem ser os meus cabelos brancos”, brinca Eloy. Para ele, ser idoso é um privilégio. “Significa que estou vivendo mais. As rugas são o nosso diploma, e eu tenho doutorado. Procuro ser dono da minha vida. Em Brasília, só fica em casa quem quer”, afirma.
 
Menos otimista, a mulher dele, Marieta Oliveira, 74, se lembra de situações de discriminação. “Tem muita gente educada, mas ouvi uns reclamando que velho não paga passagem. No transporte, nem todo motorista é educado e, nas ruas, as calçadas são ruins, você tropeça se não estiver atento”, reclama (leia Personagens da notícia).
 
Correio Braziliense


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