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Economia
27/08/2019 11:00:00

Alta no IPCA pode encarecer financiamentos imobiliários


Alta no IPCA pode encarecer financiamentos imobiliários

Quando soube da nova linha de financiamento imobiliário indexada à inflação, a técnica administrativa dos Correios Cristiane Mendes, 41 anos, viu isso como um empurrão para antecipar o financiamento da casa própria. “Eu quero ter o meu imóvel próprio. Acho que a maioria dos brasileiros pensa assim. Morei de aluguel durante cinco anos, e foi complicado. Tinha que mudar de um lugar para o outro, porque o dono aumentava o aluguel e eu não via o retorno daquele dinheiro”, explica. Ela quer comprar uma casa no Guará ou em Samambaia.

Na última terça-feira (20/8), a Caixa Econômica Federal lançou uma linha de crédito imobiliário atualizada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou alta de 3,22% no acumulado em 12 meses encerrados em julho. As taxas anuais para esse tipo de financiamento variam entre 2,95% e  4,95% mais o IPCA, ou seja, são pós-fixadas, e, portanto, podem variar de acordo com a variação do custo de vida. Essa modalidade entra em vigor a partir de amanhã e vale tanto para imóveis residenciais enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) quanto no Sistema Financeiro Imobiliários (SFI).
 
Além da Caixa, o Banco do Brasil anunciou redução nas taxas de juros para financiamentos em até 7,99% ao ano, que pode ser com o teto da taxa pós-fixada, de 8,17% ao ano (caso o IPCA utilizado fosse equivalente ao registrado em julho, por exemplo).
 
O economista Ricardo Rocha, professor de Finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper),  aconselha que é preciso muito equilíbrio antes de contratar um financiamento imobiliário. “Se você vai comprar o primeiro imóvel, procure um que não seja muito grande, com valor não muito elevado para evitar comprometer muito o orçamento. É preciso definir o imóvel necessário para não tomar decisões precipitadas, que aumentem o endividamento da família”, orienta. Segundo ele, uma boa compra é aquela que cabe no bolso.

Adicional

Alexandre Cabral, especialista em finanças pessoais e professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais de São Paulo (Ibmec-SP), considera a nova linha de crédito boa, mas orienta que é preciso tomar cuidado com a inflação, pois pode subir, como já aconteceu no passado. Além disso, o risco de contratar um empréstimo durante 30 anos é grande. “Custos adicionais mudam de acordo com a idade da pessoa. Quanto mais idosa a pessoa, mais caro o financiamento fica, já que isso estará embutido na taxa de juros. A chance de ocorrer mortes é maior”, explica. Considerando o cenário de hoje, o professor acredita que só vale a pena pegar empréstimo se for de 10 anos. Acima disso — 4% ao ano —, ele recomenda o uso do crédito imobiliário indexado à TR.
 
Para a coordenadora de projetos de construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Ana Maria Castelo, “o consumidor precisa considerar muitas variáveis antes de tomar decisão, mas o fato de ele ter opção para escolher qual a modalidade que mais lhe convém é uma coisa importante”.
 
A medida animou o mercado imobiliário, que vem amargando com a recessão de 2015 e 2016. Especialistas recomendam que o consumidor pesquise bastante e faça simulações antes de contratar um financiamento pós-fixado por um prazo muito longo. Há um risco embutido nessa modalidade de empréstimo, que é o fato de a inflação variar. Caso a carestia aumente, a prestação poderá subir em vez de cair, como normalmente acontece nos financiamentos pelo SAC (Sistema de Amortização Constante), quando uma parte da parcela é fixa e a parte dos juros é maior no início e vai caindo ao longo do tempo.
 
A técnica dos Correios pretende pesquisar bastante antes de assinar o contrato, mas não quer perder mais tempo. Pretende aproveitar que a inflação está bem baixa. Ela vai fazer a simulação, levando em conta o dinheiro que tem guardado, mais o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). “Se os valores das prestações ficarem em um preço razoável, dá para eu financiar logo de uma vez esse imóvel”, conta Cristiane Mendes.

Retomada

O diretor comercial da Knüpfer Negócios Imobiliários, Heder Knüpfer, está animado com a retomada das vendas. A sinalização de que o mercado está disposto a reduzir os juros ao consumidor, uma vez que a Selic (taxa básica da economia) está no menor patamar da história (6% ao ano) dá esperança ao mercado de que a situação vai melhorar. “A queda dos juros é uma tendência que pode fomentar o mercado da construção civil”, afirma.
 
Porém, ele admite que há riscos em um financiamento pós-fixado. Se o IPCA subir muito, a prestação do imóvel sobe, a renda familiar fica comprometida. “Isso já aconteceu no passado, o risco existe, mas o cenário aponta um ciclo contínuo de estabilidade”, explica. Ele destaca que, a grande maioria dos contratos é de 30 anos, mas tem sua liquidação em um tempo menor, em torno de oito anos. Nesse caso, o risco diminui.
 
Clientes que possuem renda e classificação de risco dentro dos parâmetros aceitáveis do banco podem utilizar esse recurso para aquisição de imóveis, sem necessariamente se descapitalizar ou vender algum ativo. “Para os que creem num cenário positivo para o futuro, a segurança de que as prestações ficarão dentro de um patamar muito mais atrativo e com tendência de queda”, Knüpfer.
 
Na avaliação do presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário do Distrito Federal (Ademi-DF), Eduardo Aroeira, as novas taxas indexadas ao IPCA significam uma redução de prestação do financiamento habitacional, que pode atrair a população de baixa renda, novamente, para a compra da casa própria. Ele aposta que isso pode ocorrer, principalmente, com famílias que se enquadrem nas faixas 1,5 (renda de até R$ 2,6 mil) e 2 (até R$ 4 mil), do programa Minha Casa Minha Vida. “Acreditamos que essa nova modalidade de empréstimo será positiva para o mercado, porque pessoas que, antes, não conseguiriam comprar um apartamento, devido às altas taxas de juros, poderão se candidatar”, destaca.
 
Correio Braziliense


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