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Geral
30/06/2019 14:00:00

Com a crise, comunidade brasileira em Portugal chega a 105 mil pessoas


 Com a crise, comunidade brasileira em Portugal chega a 105 mil pessoas
Ilustração

Moradora de um assentamento no Setor Noroeste e desempregada há dois anos, Dariana Machado, 21 anos, desistiu de procurar emprego. Ela trabalhava na área administrativa de uma empresa, mas após ser dispensada e de muito insistir em uma nova chance, perdeu as esperanças e resolveu ficar em casa cuidando da filha Annaella, de oito meses. A esperança, conta, é que o marido, Ademar Roporiwats, 26, também desempregado, conquiste uma vaga no mercado de trabalho. “Eu procurei muito, mas ninguém me chamou. Com sorte, meu marido conseguirá um emprego para segurar as contas da casa. Passamos um aperto grande porque não temos renda alguma”, afirma.

Dariana é uma das brasileiras que endossam a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que o país encerrou maio com 4,9 milhões de pessoas desalentadas (que desistiram de procurar emprego). O número é recorde na série histórica. Em um ano, aumentou 3,7%, ou seja, com o acréscimo de mais 175 mil pessoas.

A Pnad aponta ainda que a taxa de desemprego no Brasil teve queda no trimestre encerrado em maio, saiu de 12,5% para 12,3%, atingindo 13 milhões de pessoas — mesma quantidade do mesmo período do ano passado. Esse é o menor índice de desemprego desde o último trimestre de 2018. Para Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, a taxa de desemprego responde a um comportamento sazonal e, por isso, é normal que a ocupação volte a aumentar nesse período do ano. “Nos primeiros meses do ano, muitos estavam sendo desligados do trabalho, o que é  comum nesta época. A partir de maio e junho, é o momento de termos uma certa interrupção dessas dispensas”, explicou.

Porém, dos novos 1 milhão de trabalhadores que ingressaram no mercado, 60% foi contratado para trabalhar menos do que gostaria (subutilizados), segundo Adriana. O número de subutilizados atingiu o recorde da série história, iniciada em 2012. A informalidade também é a maior já registrada. Enquanto a população ocupada (92,9 milhões) cresceu 1,2% em relação ao trimestre anterior e 2,6% em relação ao mesmo período de 2018, a subutilizada teve uma alta de 2,7% frente ao trimestre anterior e 3,9% referente há um ano atrás.

Informalidade


A quantidade de trabalhadores na informalidade — sem carteira assinada — alcançou 11,4 milhões de pessoas no trimestre, o que representa 18% de toda a população ocupada em maio — crescimento de 3,4% na comparação com o mesmo período de 2018.  O número de trabalhadores por conta própria também foi recorde da série, chegando a 24 milhões de pessoas — crescimento de 5,1% em um ano. Somando ambos indicadores, 35,4 milhões de brasileiros trabalham na informalidade ou por conta própria, como autônomos, é o maior número registrado pelo IBGE desde 2012.

Keyton Costa, 26 anos, morador de Águas Lindas, trabalhava com vendas e carteira assinada, mas saiu do emprego para tentar trabalhar como autônomo. Há um ano e quatro meses, vende camisetas e bermudas na plataforma superior da Rodoviária do Plano Piloto. “O lado ruim de não ter carteira assinada é no futuro, para a aposentadoria. Mas tem muita gente desempregada, é uma situação triste que nem sei como explicar. Como esperar ter carteira assinada para trabalhar? O jeito é trabalhar por conta própria”, diz.

Antônia Gonçalves, 52, moradora de Samambaia, trabalhava como doméstica. Após ser demitida e ficar dois anos desempregada, resolveu trabalhar por conta própria. Ela levanta todos os dias às 5h, prepara uma caixa de isopor com gelo, coloca garrafas de água e dindin. Depois sai para vender na Rodoviária do Plano Piloto. Diz que consegue cerca de R$1.500 por mês. Só de aluguel, paga R$ 600.

Flavio Serrano, economista-chefe da Haitong, afirma que o aumento no desalento, de 2018 para cá, se deu por causa da atual situação econômica. “Quanto mais as pessoas veem a economia sem crescer, menos esperançosas ficam de arrumar um emprego”.

Correio Braziliense



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