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Greve
24/06/2019 19:30:00

Reitora da Ufal se posiciona contra redução salarial dos jornalistas


Reitora da Ufal se posiciona contra redução salarial dos jornalistas
Ilustração

Neste domingo (23), a reitora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Maria Valéria Costa, mostrou seu apoio por meio de uma nota em prol da luta dos jornalistas alagoanos contra a redução do piso salarial da categoria, proposto pelas principais empresas de comunicação do estado. A redução salarial de 40% tem gerado revolta por parte dos profissionais da comunicação, que prometem iniciarem uma greve geral a partir da próxima terça-feira (25).

Em nota, Valéria afirma que a manutenção das condições de trabalho e salários dos profissionais do jornalismo é algo que deve ser defendido por todos, sejam democratas ou progressistas. Ainda de acordo com a reitora da Ufal, o jornalismo sério e comprometido é o que constitui “o único antídoto que a liberdade tem contra o arbítrio, o autoritarismo e a desinformação”.

Confira nota completa na íntegra:

Nota da Reitoria da Ufal em apoio aos jornalistas

As democracias modernas não podem prescindir de uma imprensa livre, crítica e qualificada. Tal condição é fundamental para que qualquer regime democrático de direito prevaleça sobre a barbárie.

A razão neoliberal tem buscado institucionalizar a proliferação de notícias falsas como procedimento padrão de informação. Anonimato, calúnias, injúrias e a sistemática tentativa de destruir reputações são elementos da prática corrente em certos ambientes políticos e acadêmicos em nosso país.

O jornalismo sério e comprometido com fatos constitui o único antídoto que a liberdade tem contra o arbítrio, o autoritarismo e a desinformação. A defesa do jornalismo com condições de trabalho e salários dignos não pode ser uma agenda de corpo ou de uma categoria. Na verdade, a manutenção das condições de trabalho e de assalariamento dos profissionais do jornalismo é uma trincheira que todos os democratas e progressistas devem defender com veemência.

Por esse motivo, o corte de 40% no piso salarial dos jornalistas deve ser combatido e repudiado com a mesma intensidade que qualquer outro ataque estrutural aos trabalhadores desse país. A valorização do trabalho de profissionais que sustentam o espírito da democracia e da liberdade em condições tão adversas não pode ser secundarizada.

Claro que os grandes conglomerados da comunicação são os principais beneficiários de propostas dessa natureza e, por este motivo, dentre tantos outros, se impõe uma reforma para democratização das políticas públicas de comunicação do país.

Por fim, como a Universidade Federal de Alagoas tem sido responsável pela formação de gerações de jornalistas e profissionais de comunicação no Estado e no país, a reitoria se coloca em defesa destes trabalhadores cuja importância ao bem público deve sobrepor-se a qualquer ímpeto de lucro. A desvalorização e a precarização de uma carreira tão importante são componentes de um processo de fechamento democrático.

A liberdade de imprensa no Brasil está em xeque. A reitoria da UFAL se coloca ao lado dos trabalhadores, à liberdade de imprensa e à democracia.

Maria Valéria Costa Correia

Reitora da UFAL

*com Ascom / Ufal

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