17/07/2019 17:32:33

Maceió
10/06/2019 11:30:00

Moradores protestam e pedem à Justiça bloqueio de R$ 6,7 bilhões da Braskem

Manifestantes bloquearam os dois sentidos da via em frente à sede da empresa, no bairro do Pontal da Barra


Moradores protestam e pedem à Justiça bloqueio de R$ 6,7 bilhões da Braskem
Moradores protestam na Avenida

Dezenas de moradores do Pinheiro, Mutange e Bebedouro protestaram, em frente à Braskem, no Pontal da Barra, na manhã deste domingo (9), para pedir que a Justiça bloqueie os R$ 6,7 bilhões da ação conjunta movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) e a Defensoria Pública, em razão dos problemas causados a cerca de 40 mil famílias que possuem imóveis na região.  

Os dois sentidos da via foram bloqueados pelo moradores e um grande congestionamento se formou na região. 

"O nosso protesto hoje é para que o judiciário acorde e resolva bloquear o dinheiro para a indenização dos moradores. São mais de 40 mil pessoas que estão sofrendo e sem nenhuma perspectiva, enquanto a Braskem está se omitindo do que sempre falou, que se tivesse responsabilidade, arcaria com as consequências. O problema que estamos passando foi criado por ela e a Justiça não toma uma atitude quanto a bloquear e distribuir as indenizações", afirmou o morador Joeliton Barbosa Góes.

Na última sexta-feira (7), a prefeitura de Maceió divulgou o novo mapa de risco das áreas do Pinheiro e adjacência. A população espera, agora, um plano de ação.

"Com a divulgação do novo mapa de risco o pânico só aumenta, porque as pessoas não têm a mínima noção do que fazer e muito menos recursos para fazer. A única certeza que se tem é que todo mundo está em risco, todos os bairros estão em risco e, consequentemente, suas famílias. Não dá para governante ou o judiciário brincar com vidas", ressalta Joeliton.

A Justiça Federal decidiu, na semana passada, que cabe à Justiça Estadual julgar o processo que pede bloqueio de R$ 6,7 bilhões da Braskem para indenizar famílias afetadas pelas rachaduras no solo, causadas pela extração de sal-gema em Maceió. O morador acredita que a Justiça de Alagoas deveria olhar para a população e julgar favorável ao bloqueio do valor pedido.

"Na verdade, não era nem para esse processo ter ido para a Justiça Federal porque o processo já rodada na esfera estadual e o pedido de bloqueio já tinha sido feito. Então, ao invés de mandar o processo para à Federal, o judiciário alagoano precisava olhar para a população. Eu acredito que eles não tiveram coragem de ir no bairro, quando eles forem, vão entender o que nós estamos passando e do que estamos falando. Ficar no seu gabinete ou na sua casa luxuosa é fácil, eu quero ver alguém ir pro bairro e passar pelo que estamos passando".

A moradora Maria Lúcia, tem uma casa no Mutange. No local, reside a filha dela e os dois netos. Ela disse conta que, depois do levantamento populacional no bairro, nada foi feito por parte dos órgãos responsáveis. Segundo ela, até mesmo o posto de saúde vai ser fechado na localidade.

"Eles foram lá e perguntaram quantas pessoas moravam nas casas, quantos animais, mas depois não foi feito nada. Nós queremos ter direito ao aluguel social. Minha filha mora lá com os dois filhos, ganha R$ 500, e não tem como sair de lá para pagar um aluguel. Nós vamos ficar sem atendimento médico também, porque até o posto de saúde vai ser retirado", conta.

OUTRO LADO

Em nota à imprensa, a Braskem foi lacônica. Disse apenas que 'se solidariza com os moradores do Pinheiro e região e respeita o direito de manifestação'. "A companhia segue empenhada na busca das causas dos eventos e na implementação de ações do Acordo de Cooperação Técnica assinado com o MPF, MPE, MPT, CREA e Prefeitura de Maceió", afirma a empresa na nota.

Gazetaweb



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