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Economia
17/05/2019 17:00:00

Com governo 'perdido', dólar toca R$4,02 pela 1ª vez no ano


Com governo 'perdido', dólar toca R$4,02 pela 1ª vez no ano
Ilustração

Uma nova derrota do governo Bolsonaro na Câmara e a retração da economia no primeiro trimestre levaram a Bolsa brasileira a recuar mais de 2% na manhã desta quarta-feira (15).

Logo após a abertura, o Ibovespa chegou a 90.294 pontos, menor nível desde 3 de janeiro, quando a Bolsa bateu os 89.921 pontos mas fechou acima dos 91 mil pontos. O dólar acompanhou o viés negativo e opera a R$ 4.

A moeda atingiu o patamar de 4,02 reais pela primeira vez no ano, em meio à renovada aversão ao risco após a divulgação de dados fracos sobre a economia chinesa e queda inesperada nas vendas no varejo dos Estados Unidos em abril.

O dólar ganhou impulso com dados mais fracos da China e dos EUA, enquanto os dois países seguem envoltos numa guerra comercial que coloca em risco o ritmo da atividade econômica mundial.

Mas a cotação saiu das máximas do dia após autoridades do governo dos Estados Unidos afirmarem à Reuters que o presidente norte-americano, Donald Trump, deve adiar a decisão sobre tarifas de carros e peças importados em até seis meses, o que ajudaria a amenizar tensões comerciais.

Clima conturbado atrapalha a economia

Na terça (14), oposição e centrão impuseram mais uma derrota ao governo na Câmara dos Deputados. Foi aprovada a convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para o plenário da Câmara prestar esclarecimentos do bloqueio de R$ 7,3 bilhões na pasta aos 513 parlamentares.

Inicialmente, Weintraub falaria na comissão de educação, mas foi surpreendido pela articulação dos parlamentares. A intenção do PSL, partido de Jair Bolsonaro, era derrubar a deliberação e impedir que o ministro fosse obrigado a vir, mas foi derrotado por 307 votos a 82.

"Vamos ver quantos votos o governo tem", debochou o líder da maioria, Aguinaldo Ribeiro (PP-AL), quando deputados do PSL pediram para fazer a votação nominalmente.

O episódio deixa investidores cautelosos com a aprovação da reforma da Previdência, que depende da boa articulação do governo com o centrão.

Outro dado preocupante para o mercado é a confirmação do Banco Central de que a atividade econômica brasileira registrou retração de 0,68% no primeiro trimestre.

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) recuou também na comparação de março com fevereiro, apresentando queda de 0,28%. Economistas previam queda de 0,20%, segundo projeções das agências Bloomberg e Reuters.

"Todos estes fatores negativos fazem com que o investidor realize lucros e se proteja. No ano, a saída de investidores estrangeiros já soma R$ 2,5 bilhões. Dependemos de uma boa reforma da Previdência para melhorar o quadro econômico brasileiro", afirma Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais.

Com REUTERS e FOLHAPRESS

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