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Maceió
29/04/2019 08:30:00

Abalos sísmicos frequentes no bairro do Pinheiro envergaram poços da Braskem

Consultor revela estudos da USP e UNB que indicam falhas geológicas como causas de tremores


Abalos sísmicos frequentes no bairro do Pinheiro envergaram poços da Braskem
Conselheiro Ricardo Queiroz

Uma falha na placa tectônica, cientificamente identificada como "Lineamento BR 01", entre os estados da Bahia, Sergipe e Alagoas, desde 1954 provoca uma onda de energia que causa abalos (tremores) em diversas cidades dos três estados. A partir de 2016, os tremores se intensificaram e, em março do ano passado, chegou a 2,5 graus em Maceió. O fenômeno envergou "alguns" poços de extração de salmoura da Braskem. 

A informação foi revelada, com exclusividade, à Gazeta de Alagoas, pelo mestre da cadeira de hidrologia do Cesmac, Ricardo Queiroz, contratado, em janeiro, pela mineradora, junto com outros especialistas, para estudar as causas do afundamento do solo no bairro do Pinheiro.

 

Com base em estudos do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e do Observatório Sismológico da Universidade Nacional de Brasileira (UNB), o professor demonstrou um traço indicando falha geológica cortando os estados atingidos. "Defendo que está ocorrendo um lineamento e que esta é a origem dos problemas no Pinheiro".

Segundo o professor, há registro de abalos sismológicos em Alagoas desde 1954. "Nos últimos quatro anos esses abalos intensificaram em camadas muita profundas". Queiroz repetiu a tese já divulgada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) de que tais falhas geológicas provocam movimento na terra. 

"O Pinheiro está se movimentando. O SGB já demonstrou isso. Por conta da depressão na placa tetônica, existe uma bacia que sente os efeitos da depressão. Os abalos provocados pelo lineamento BR 01, registrados a partir de 2016, movimentaram a gelatina geológica (camada de cedimentos)".

A solução para o Pinheiro, segundo o professor Queiroz, é de engenharia. "É impedir que a água continue penetrando no solo do Pinheiro, onde há uma fenda. O local onde ocorre a penetração da água já foi identificado pelo SGB", disse o professor.

Com relação ao "envergamento" dos poços da Braskem, o professor garantiu que "os poços danificados não cederam. Isto comprova que não há colapso (afundamento radical) das cavernas afetadas. Comprova que existe uma força horizontal que envergaram alguns poços. As sondas (contratadas pela Braskem para avaliar a integridade dos poços) constaram o problema. Alguns poços foram empenados. Mas, não há risco de colapso no bairro do Pinheiro, porque o problema está bem acima das cavernas, numa camada rígida, que chamamos de conglomerado de granito que protege as minas e fica a 400 e 500 metros de profundidade".

Ricardo Queiroz é formado em Pernambuco. Desde 1982 desenvolve estudos sobre água subterrânea. Neste período, iniciou as pesquisas relativas aos aquíferos de Maceió. Naquela época percebeu que, no subsolo da cidade, havia várias depressões, a uma profundidade de 150 e 300 metros. A observação dele ocorreu durante investigações sobre a exploração de poços particulares, da Casal, Braskem e Petrobras.

Segundo ele, na separação dos continentes houve um "rift" (fenda gigante) nesta região. A fenda teria sido detectada pela primeira vez, pela Petrobras, em 1989.

Ainda com relação aos poços, o professor afirma que não deve haver um afundamento, um abatimento repentino (colapso) de grande vulto na região do Pinheiro. Com base em estudos interferometria (ciência e técnica da sobreposição de duas ou mais ondas) da SGB, ele disse que o bairro se desloca numa velocidade de dois centímetros por ano. 

"Verificamos que o deslocamento se dá por conta de uma falha lístrica (falha gravitacional ou extensional curva com mergulhos variando de muito fortes, ao alto, a sub-horizontais, na base, e com concavidade para cima, onde desliza o teto sobre o muro) que atingiu o bairro, provocou rachaduras no solo, nos imóveis e danificou alguns poços da Braskem".

A questão agora, de acordo com o professor Queiroz, é tratar da solução. Evitar que a água de chuva continue penetrando no solo. Ele acredita também que a penetração da água no solo aumenta a falha e o rebaixamento de parte do solo na região.

No próximo dia 5, o Ministério de Minas e Energia, por meio da Agência Nacional de Mineração e do Serviço Geológico do Brasil, promete divulgar dos estudos que realizam no Pinheiro desde novembro do ano passado, para identificar as causas do "afundamento do bairro". 

A Gazeta questionou o professor sobre o resultado. Ele disse acreditar que os estudos devem apresentar como causa e efeito os fenômenos naturais. 

Gazetaweb



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