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Crise na Venezuela
28/04/2019 11:00:00

Visita de deputado alemão a Maduro é alvo de críticas


Visita de deputado alemão a Maduro é alvo de críticas
Visita do deputado a Maduro gerou criticas

Um encontro em Caracas entre um deputado federal alemão e Nicolás Maduro provocou indignação entre políticos da coalizão governista da Alemanha.

Andrej Hunko, filiado ao partido Die Linke (A Esquerda), se reuniu com o líder venezuelano na última quarta-feira (24/04) durante uma viagem de 11 dias à Venezuela.

Foi a primeira visita de um parlamentar alemão desde que Berlim reconheceu o oposicionista Juan Guaído como presidente do país latino-americano em detrimento da liderança de Maduro, que, em resposta, expulsou o embaixador alemão do país em março.

Após o encontro entre Hunko e Maduro,  Johann Wadephul, o vice-líder parlamentar da União Democrata-Cristã (CDU) – o partido da chanceler federal Angela Merkel – descreveu a reunião em Caracas como "escandalosa".

"Com esta visita, Hunko deu um tapa na cara da população venezuelana oprimida e se tornou um fantoche político de Maduro", disse Wadephul .

Já Nils Schmid, porta-voz para assuntos de política externa do Partido Social-Democrata (SPD) – que também faz parte da coalizão de governo – chamou a iniciativa de Hunko de "vergonhosa". "É embaraçoso como o partido A Esquerda ainda apoia um líder que destruiu a democracia na Venezuela e mergulhou o país na ruína econômica."

O deputado Omid Nouripour, dos Verdes – que não fazem parte do governo –, disse que Hunko se deixou usar como "instrumento de propaganda” do regime venezuelano. "Maduro não é um presidente de esquerda. Ele é um cleptocrata perverso que arruinou seu país e seu povo”, disse.

Após o encontro com Maduro, Hunko escreveu em sua conta Facebook que durante o encontro com o venezuelano, ele expressou sua "solidariedade com o povo venezuelano contra as sanções econômicas e ameaças de guerra". "Nós tivemos um longo intercâmbio de ideias sobre a situação internacional, especialmente sobre a erosão do direito internacional”, salientou.

A televisão estatal venezuelana VTV cobriu a visita de Hunko ao Palácio de Miraflores. "Esta reunião destaca o compromisso com o diálogo do presidente Maduro ", disse um âncora de televisão estatal.

A cobertura mostrou Hunko e Maduro trocando gracejos durante as boas-vindas. A conversa ocorreu como se fosse uma visita oficial de um chefe de estado, diante das bandeiras dos dois países.

O deputado alemão de esquerda também se reuniu com Guaído e outros representantes da oposição. Neste caso, ele disse "expressei minha convicção de que uma solução para a crise só pode ser pacífica e com diálogo", escreveu Hunko.

Essa não é a primeira vez que membros do partido de Hunko expressam simpatia por Maduro. O Die Linke (A Esquerda) foi formado nos anos 2000 por remanescentes do antigo Partido Socialista Unificado da Alemanha (SDE) – que governou a Alemanha Oriental por quatro décadas – e uma antiga facção mais à esquerda do Partido Social-Democrata.

Em fevereiro, durante uma convenção do partido em Bonn, vários filiados, entre eles três deputados, interromperam o encontro para agitar bandeiras venezuelanas e exibir cartazes que diziam "Tirem as mãos da Venezuela”, em referência às ações dos Estados Unidos e da União Europeia para isolar o regime de Maduro. Alguns deputados também parabenizaram o venezuelano pela vitória nas eleições presidenciais de 2018, que não foram reconhecidas pela maior parte da comunidade internacional.

Em 2015, Hunko já havia provocado controvérsia no meio político alemão ao viajar para o leste da Ucrânia. Na ocasião, ele se encontrou com o líder separatista Alexander Zakharchenko, que travava uma guerra contra o governo ucraniano com apoio da Rússia.  O episódio provocou ainda críticas de Kiev, que baniu Hunko de visitar a Ucrânia.

Mas Hunko também único deputado alemão que já se envolveu em viagens controversas.

Em 2018, seis deputados do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) viajaram a Damasco, onde se encontraram com o grão-mufti da Síria e representantes do governo do ditador Bashar al-Assad, que desde 2011 trava uma sangrenta guerra civil contra forças rebeldes e foi repetidamente acusado de usar armas químicas contra a população civil. À época, a viagem foi criticada pelo porta-voz do governo Merkel e classificada como “repulsiva” por políticos de outros partidos. 

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