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Mundo
24/03/2019 12:00:00

Força curdo-árabe conquista reduto do EI e “califado” chega ao fim


Força curdo-árabe conquista reduto do EI e “califado” chega ao fim

O “califado” autoproclamado pelo grupo extremista mais temido do mundo caiu neste sábado, quando as forças curdo-árabes apoiadas pelos Estados Unidos conquistaram o último território controlado pelo grupo Estado Islâmico (EI) na Síria.

Para celebrar a vitória, os combatentes das Forças Democráticas Sírias (FDS), a força curdo-árabe que lidera a luta antijihadista na Síria, hastearam sua bandeira amarela na localidade de Baghuz, onde os extremistas resistiram até o fim.

A poucos metros do rio, uma bandeira preta do EI foi derrubada.

Nas proximidades de Baghuz, homens e mulheres que integram as FDS, nas quais predominam os curdos, comemoravam com o dabke, uma dança tradicional.

A perda do que restava em seu último reduto no leste da Síria, perto da fronteira com o Iraque, significa o fim territorial do EI na Síria, após sua derrota no vizinho Iraque em 2017.

Depois de assumir o controle de amplas regiões na Síria e Iraque, o EI proclamou em junho de 2014 um “califado” em um território equivalente ao tamanho do Reino Unido, no qual instaurou sua própria administração, arrecadou impostos e iniciou uma campanha de propaganda para atrair estrangeiros.

A organização extremista, a mais brutal da história contemporânea, espalhou o terror com decapitações, execuções em massa, sequestros e estupros. Também raptou estrangeiros e reivindicou atentados na Síria, assim como em outros países árabes ou asiáticos e inclusive no Ocidente, além de ter destruído tesouros arqueológicos.

A vitória foi proclamada após mais uma campanha militar, desta vez de seis meses. A data é importante na luta contra os movimentos jihadistas no mundo.

“As FDS anunciam a total eliminação do suposto califado e uma derrota territorial de 100% do EI”, declarou o porta-voz da aliança curdo-árabe, Mustefa Bali.

Os combates, segundo ele, foram violentos com os extremistas que permaneceram entrincheirados em uma pequena faixa territorial às margens do rio Eufrates, na província de Deir Ezzor.

– Trincheiras –

“Restava apenas uma colina controlada pelo EI”, afirmou outra fonte das FDS.

No local era possível observar os vestígios de um acampamento improvisado dos extremistas, com barras de ferro, barracas e carros incendiados.

Algumas das barracas improvisadas ocultam trincheiras profundas. Há vasos, tigelas de plástico, um braseiro e roupas entre galhos secos de arbustos.

Alguns combatentes das FDS subiram nos telhados de casas na região.

Os últimos jihadistas estavam escondidos em túneis subterrâneos e armazéns, informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A ofensiva das FDS contra Baghuz, iniciada em fevereiro, foi a última fase de uma operação lançada em setembro de 2018 para expulsar o EI dos setores sob seu controle na Síria.

A campanha militar, apoiada por bombardeios aéreos da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, teve que reduzir a velocidade de seu avanço para permitir a saída de dezenas de milhares de pessoas, incluindo jihadistas que se renderam e muitos de seus familiares.

Desde janeiro, mais de 67.000 pessoas saíram do reduto do EI, incluindo 5.000 jihadistas que foram detidos, de acordo com as FDS. Os civis, sobretudo parentes de extremistas, foram levados para acampamentos, principalmente em Al-Hol (nordeste), onde vivem em condições difíceis.

A repatriação de jihadistas e de suas famílias é motivo de debate em países ocidentais.

Mais de 750 combatentes das FDS morreram em seis meses de combates e quase o dobro de jihadistas, segundo o OSDH.

Na sexta-feira à noite, a Casa Branca anunciou que o “califado territorial do EI foi eliminado na Síria”, mas pouco depois as FDS anunciaram que os combates prosseguiam na região.

Neste sábado, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que o fim do “califado” do EI elimina um grande perigo para a França.

– “Califado virtual” –

Horas antes do anúncio da derrota, o EI divulgou um vídeo para convocar seus partidários a resistir e a atacar os “inimigos” no Ocidente.

Durante os últimos dois anos, o EI viu a redução constante de seu “califado” em consequência dos múltiplos ataques contra as regiões sob seu controle.

Apesar da perda de território, combatentes do EI permanecem espalhados pelo deserto, que vai do centro da Síria até a fronteia iraquiana, assim como em zonas desérticas do Iraque.

Algumas células adormecidas conseguem executar atentados, de acordo com analistas, que acreditam que o EI está se transformando em uma organização clandestina.

Outros analistas consideram que os vídeos das execuções do EI continuarão na memória e servirão de modelo para espalhar o terror.

A batalha contra o EI era a principal frente de guerra na Síria, que provocou mais de 370.000 mortes desde março de 2011. O regime de Bashar al-Assad, apoiado por Rússia e Irã, reconquistou quase dois terços do país.

A guerra na Síria, provocada pela repressão a manifestações que pediam democracia, se tornou um conflito complexo ao longo dos anos com o envolvimento de potências estrangeiras e de grupos jihadistas.

IstoÉ 
 


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