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Educação
19/03/2019 19:30:00

Sinteal diz que Educação de Alagoas 'não é boa'

Professores pedem mais segurança e governador rebate críticas ao revelar evolução dos investimentos


Sinteal diz que Educação de Alagoas 'não é boa'

lém da falta de professores, merendeiras, vigilantes, auxiliares administrativos e de serviços gerais para atender a demanda dos quase 200 mil alunos (180.720 estudantes em 2018) matriculados nas 310 escolas da rede estadual, os diretores do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), reclamam também que a Secretaria de Educação (Seduc) importou metodologia de ensino do sul do Brasil para tentar reduzir o elevado índice de analfabetismo. 

A avaliação é feita com base no currículo mínimo nacional. "A avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é feita considerando apenas duas disciplinas: Português e matemática", disse a presidente do Sinteal, Maria Consuelo Correia, ao destacar que "a avaliação é direcionada". Não leva em conta, segundo ela, a qualidade do ensino ofertado. "A nossa educação não é boa", disse a sindicalista, conforme matéria especial publicada na edição desta semana da Gazeta de Alagoas.

 

"Houve melhoria do ensino em algumas escolas. Na maioria existem diversos problemas a começar pela qualidade da merenda, da falta de equipamentos didáticos, de aparelhamento e de poucos professores na sala de aula", revelou Consuelo ao acrescentar que, dentre os cerca de 10 mil professores da rede, menos de 80% são concursados e os demais são professores monitores com contratos temporários.

Com relação às escolas de tempo integral, os diretores do Sinteal, dentre eles,a professora Lenilda Lima, disseram que o projeto, se fosse colocado em prática como foi idealizado, "seria muito bom". De acordo com os sindicalistas, o projeto não funciona como apresenta o discurso governista. "Uma coisa é escola de tempo integral, a outra é escola de ensino de tempo integral", salientou ela. 

Os diretores admitiram, porém, que, dentre as 53 escolas de tempo integral, algumas passaram por reforma física, outras ainda estão em obras. Na maioria delas, faltam professores concursados, pessoal de apoio e servidores motivados. Por isso, em várias escolas, os alunos passam o segundo turno sem ter o que fazer".

Insegurança

A presidente do Sinteal, professora Maria Consuelo Correia, cobra também mais segurança nas áreas próximas das escolas. "Estamos vivendo situações semelhantes às grandes cidades com assaltos de professores, de alunos, tráfico de drogas perto das escolas, arrombamentos e ameaças". A professora pediu apoio das Polícias Civil e Militar.

O comandante do Batalhão de Polícia Escolar (BPEsc), Ten. Cel. Jorge Francelino Tenório, em entrevista a Gazetaweb na semana passada, disse que as rondas de rotina continuam. Anunciou, inclusive, o aumento de mais viaturas e do efetivo com mais 20 novos PMs. "O Batalhão Escolar faz um policiamento específico, tem noção do perfil, noções de direitos humanos e sabe que vai lidar com crianças e adolescentes".

Mesmo assim, o comandante do BPEsc sugere que as escolas tenham também seus sistemas de segurança com vigilância própria. Nas áreas mais violentas as operações policiais são constantes e têm maior atenção da Polícia.

Atualmente, o Batalhão atua preventivamente em torno de 240 escolas: 140 municipais e 104 da rede estadual. As rondas e operações são feitas em turno de 24 horas.

Secretário

O secretário estadual de Educação, vice-governador Luciano Barbosa, também rebateu as críticas e assegurou que as reclamações, inclusive de que os problemas provocam aumento de evasão nas escolas de tempo integral não procedem. Como disse na reportagem da Gazeta de Alagoas na edição desta semana, "Existem problemas em todas as escolas. Mas, não há evasão nas escolas de tempo integral provocada pela falta de alguma infraestrutura", afirmou ao acrescentar que os problemas estão sendo resolvidos.

O número de alunos matriculados nas 310 escolas e nas 53 de tempo integral ainda não foi fechado. O secretário estima que haverá acréscimo em relação a 2018 quando foram matriculados 180.720 alunos, conforme o censo final do ano passado.

De acordo com o censo escolar da Seduc em 2017 foram matriculados na educação básica 976.351 pessoas. No ano passado, foram matriculados 870.579 estudantes, uma redução de 0.66%. No segmento Educação de Jovens e Adultos (EJA), registrou-se um aumento de 3,6% no quantitativo de matrículas, passando de 114.049 em 2017 para 118.156 em 2018.

Segundo o Sinteal existem evasões em escolas de tempo integral. O secretário Luciano Barbosa não concorda. "Até 2015 não existia ensino integral e ainda é uma novidade que toda a sociedade de Alagoas está se acostumando. Embora tenha casos pontuais de evasão, o número de matrículas vem aumentando no ensino integral e, em 2018, eram cerca de 12 mil estudantes e, em 2019, há 14.230 matrículas".

Revelou também os novos investimentos previstos na rede estadual, como programas de robótica, dentre outros. "Foi ampliado o número de escolas de ensino integral de 50 para 53. Outra novidade foi o aumento de carga horária das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática no 9º ano, e nas 1ª e 3ª séries do Ensino Médio. O Espaço de Formação e Experimentação em Tecnologias para Professores no Cepa, o segundo em todo país, intensifica as formações de professores na área de inovação e tecnologia"

Com relação às reclamações dos alunos a respeito da baixa qualidade da merenda escolar, Luciano Barbosa disse que a Seduc promoveu recentemente um processo seletivo de contratação temporária de profissionais para atuarem no preparo da alimentação escolar. Também garantiu que o dinheiro da merenda escolar já foi repassado.

Apesar do esforços dos governos, Alagoas era um dos estados com o maior índice de analfabetismo do País. Os técnicos do alto escalão da Secretaria garantem que mudou este triste perfil nos últimos quatro anos. De que forma? Barbosa respondeu que a principal ação é alfabetizar a criança na idade certa e reduzir evasão escolar. 

"Estes são os pilares do programa Escola 10 que trabalha em regime de colaboração com os municípios. Alfabetizando na idade certa você deixa de produzir analfabetos", argumentou Luciano, considerando, ainda, que os índices vêm diminuindo: "21%, em 2015, para 18,6% em 2017. E, de acordo com o IBGE, a taxa de analfabetismo é maior entre os mais velhos, que muitas vezes, resistem a voltar para uma sala de aula. E os que querem voltar podem ser atendidos pela Educação de Jovens e Adultos", assegurou.

Gazetaweb



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