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Especial
03/03/2019 00:00:00

Central de Interpretação de Libras promove inclusão para deficientes auditivos em AL

Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos disponibiliza acompanhamento surdos em atendimentos na capital e no interior


Central de Interpretação de Libras promove inclusão para deficientes auditivos em AL
Texto de Joanna de Ângelis

Inaugurada em 2015, a Central de Interpretação de Libras (CIL) foi implantada com o propósito de facilitar os atendimentos públicos a pessoas com deficiência auditiva, surdos e surdo-cegos para garantir acessibilidade e cidadania. Central foi viabilizada por uma parceria entre a Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh) e a Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal (SDH/PR).

 

O atendimento é realizado de maneira espontânea e interna, por meio de agendamentos sobre os mais diversos assuntos e necessidades. Gilmara Farias, intérprete da Central desde sua fundação, já trabalhava anteriormente como voluntária prestando o serviço de acompanhamento e diz ser grata por todo o trabalho construído até hoje no auxílio à comunidade surda em Alagoas. “A CIL chegou como a realização de um sonho. Trabalhar com o que você gosta, recebendo e ainda com o suporte do Estado e de pessoas motivadas a trabalhar com você é gratificante”, afirmou a intérprete.

 

A média de atendimentos mensais da Central na capital chega a 120 Surdos. Alagoas possui aproximadamente 140 mil pessoas com deficiência auditiva e/ou surdos. Segundo o superintendente de Políticas para os Direitos da Pessoa com Deficiência da Semudh, Gino Meneses, entre 2017 e 2018 a CIL alcançou a marca de dois mil atendimentos.

Aline Bastos já é conhecida entre os intérpretes da CIL pela frequente solicitação de auxílio em atendimentos (Foto: Joanna de Ângelis) 

“A CIL está ligada diretamente a Superintendência de Políticas para os Direitos da Pessoa com Deficiência e tem a função de articular, executar e monitorar as políticas públicas para a pessoa com deficiência em Alagoas, além de construir uma rede de atenção que assegure a inclusão ativa e a promoção de direitos para plena participação social e igualdade de oportunidades”, ressaltou Gino.

 

Para a secretária da Mulher e dos Direitos Humanos, Maria Silva, os serviços ofertados pela CIL são de fundamental importância para o processo de inclusão social da comunidade de deficientes em Alagoas. “É um trabalho de utilidade pública que merece e precisa do nosso apoio para continuar atendendo às demandas e ampliar as ofertas inclusive no interior do Estado”.

 

Interiorização

O município de Delmiro Gouveia, Sertão alagoano, também conta com uma Central de Interpretação de Libras. Fundada em novembro de 2017, a Central possui um intérprete disponível para atendimento na região e realiza cerca de dois a quatro atendimentos diários.

 

Sérgio Leandro, coordenador da Central em Delmiro, relata alguns obstáculos encontrados no desenvolvimento de ações na região. “Temos uma grande dificuldade com a população surda residente no alto sertão pela falta de conhecimento e acesso ao aprendizado de libras. Nossa expectativa é que a CIL expanda suas atividades para ofertar essa capacitação, facilitando o atendimento e o auxílio à comunidade”.

 O atendimento passa a ser mais rápido e prático com a presença de um intérprete. Na foto, Gilmara auxilia Davison sobre orientações do seu processo (Foto: Joanna de Ângelis)

A CIL do alto sertão é uma extensão da área de direitos humanos da Semudh na promoção de acessibilidade para as pessoas surdas ou com deficiência auditiva. A instituição também está ligada a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e a Associação dos Deficientes Físicos de Delmiro Gouveia (ADEFIDEG).

 

“A CIL de Delmiro cumpre seu papel por meio da vinculação com a ADEFIDEG, que busca ativamente esses usuários, com palestras, visitas em escolas e entidades, além das redes sociais. É gratificante o trabalho que realizamos aqui. Não só pra mim, mas para toda a equipe”, destaca Sérgio Leandro.

 

Acessibilidade Legal

Apesar do Decreto Nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência, garantir a presença de intérpretes em serviços de atendimento público para pessoas com deficiência auditiva, que não se comuniquem em Libras e para pessoas surdo-cegas, a realidade é bem diferente.

 

“Antes da CIL a dificuldade era enorme. Nesses quase quatro anos já perdi a conta de quantos problemas consegui resolver com o auxílio da intérprete. É algo que nos faz ser vistos, ouvidos, nos torna cidadãos”, conta Aline Bastos, artesã, surda, que já é conhecida pelos intérpretes da CIL.

 Eventos com a presença de intérpretes facilitam a inclusão e participação da população surda - Gilmara Farias no Prêmio Tia Marcelina (Foto: Letícia Sobreira)

Outro ponto importante é a necessidade de ampliação da visão comum de acessibilidade. “Quando se fala em acessibilidade a imagem que vem na cabeça é uma rampa, é o deficiente físico. Os deficientes visuais e auditivos muitas vezes são deixados de lado. Acessibilidade é um termo completo e deve ser pensado como um todo. Como a deficiência auditiva não é visível é esquecida da mesma forma”, afirma Gilmara Farias.

 

Inclusão na prática

Davison Calixto, surdo, 35 anos, trabalha como separador de produtos em uma empresa alimentícia. Atualmente, passa por um processo de dissolução de união estável e solicita a presença de intérprete por meio da Central em todas as etapas da ação. Gilmara o acompanhou no atendimento com a assistente social do 2º Juizado Especial Cível e Criminal da Capital.

 

Emocionado, Davison conta não saber o que fazer sem a CIL. Sua família também não sabe linguagem de sinais, o que já dificulta a comunicação em casa, mas graças ao acompanhamento das intérpretes na resolução de problemas fora do ambiente familiar, tudo fica mais fácil.

 

“Minha família me cobra para aprender português, mas nenhum deles se dispõe a aprender libras. Já insisti, mas se eles não querem, não tem outro jeito. Até no meu trabalho não existe alguém que saiba libras e sempre procuro a CIL para me ajudar, seja com acompanhamento ou com informações”.

 

Marcelita Medeiros, assistente social do 2º Juizado, destaca a importância da presença da intérprete no andamento do processo de Davison. “Você viu como terminei o cadastro com êxito e rapidamente? A comunicação ficou bem mais fácil e prática com a Gilmara aqui. Nas audiências, sempre solicitam a presença de alguém que possa realizar essa comunicação com os surdos. É maravilhoso que tenhamos esse recurso. Sem a intérprete não teríamos como realizar essas abordagens”.

 

Serviços

A CIL conta com três intérpretes para acompanhamento nos atendimentos públicos. Também fornece atendimento interno para tirar dúvidas ou realizar consultas sobre assuntos variados, pessoalmente ou via telefone e para agendar ida a órgãos que necessitem de ligação ou marcação via internet. A Central realiza agendamento para datas posteriores em diversos lugares, como: hospitais, delegacias, fóruns, juizados, Secretarias de Assistência Social, Saúde, Educação, Detran, Ministério Público, diversas lojas para fazer cartão, Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa, entre outros.

Para acessar os serviços, deve ser feito um agendamento pelo número (82) 3315-2132 em Maceió, e (82) 3641-5807 em Delmiro Gouveia, através de um familiar, de forma presencial ou através do e-mail cil.alagoas@gmail.com. O horário de funcionamento é das 8h às 12h, 13h às 17h. A Central em Maceió está localizada na Rua Dr. Augusto Cardoso, no bairro da Jatiúca. Em Delmiro, na Rua Linduarte Batista Vilar, nº 79, no bairro Eldorado.

Agência Alagoas



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