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Justiça
23/02/2019 07:00:00

Operação Expurgo: MP oferece denúncia e pede que tenentes presos percam a farda


Operação Expurgo: MP oferece denúncia e pede que tenentes presos percam a farda

Os tenentes da Polícia Militar Tiago da Silva Duarte e Wellington Aureliano da Silva, acusados de chefiar uma organização criminosa “especializada” em invadir residências e roubar, foram denunciados pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de Justiça de Santa Luzia do Norte. O MP pede a perda da “farda” dos oficiais.

Além dos tenentes, outras cinco pessoas presas durante a Operação Expurgo foram denunciadasrealizada em janeiro deste ano.

Conforme o MP, há indícios de que os tenentes estão envolvidos em outros ilícitos, como revenda de armas de fogo, apreensão e revenda de drogas, homicídios, tentativa de estupros durante as invasões. Os alvos tanto seriam pessoas envolvidas com o crime, como cidadãos comuns.

Na denúncia, o grupo nominado “bonde dos tenentes”, segundo investigações e provas contundentes, é responsável pelo planejamento e execuções de vários assaltos. Um deles a invasão à residência do microempresário José Carlos Felismino, conhecido como “Pescocinho” e “Carlinhos”, em Santa Luzia do Norte. Nessa ação, os denunciados visavam lucrar a quantia de R$ 190 mil. Eles ficaram sabendo do valor através de informações repassadas por Dênis Novaes dos Reis Silva que residia na casa do ex-prefeito de Santa Luzia e era vizinho de Renato Cristiano.

Porém, apesar de todo aparato de armas e cobertura, in loco, dada pelos tenentes aos dois membros do grupo criminoso, identificados como Renato Cristiano e Cláudio Ramon, eles não esperavam que o proprietário do imóvel invadido recepcionaria a dupla a tiros o que frustrou a concretização do crime. Na hora da fuga, inclusive, Cláudio Ramon teria escorregado e atingido, acidentalmente, Renato Cristiano no pé esquerdo.

O tenente Tiago Duarte também é citado no planejamento de outra ação criminosa, que ocorreria na cidade de Colônia Leopoldina, cujo alvo seria um cidadão que trabalha com apostas de jogos e geralmente transita com elevada quantia de dinheiro. Especificamente desse projeto criminoso participariam, além do oficial, que era lotado na 2ª Cia Independente de Joaquim Gomes, novamente Renato Cristiano, e os outros integrantes identificados como Marcelo da Silva (motorista), Neilson Santos Dantas e Marcelo da Silva, sendo os últimos empresário e auxiliar de escritório, respectivamente. A trama teria sido projetada no escritório de Neilson.

Conforme apuração, nessa ação prevista para Colônia Leopoldina, o motorista Marcelo da Silva era o “ponteiro” do grupo, ou a pessoa responsável para seguir e repassar informações precisas da localização da vítima para assegurar o êxito da abordagem. Os promotores de Justiça afirmam que Marcelo, Neilson e Romoaldo confessaram, durante interrogatório, participação no planejamento do crime.

Estrutura

Para a ação criminosa em Santa Luzia, os autores alugaram um veículo modelo Corsa Classic, cujo proprietário desconhecia a finalidade do uso. Nessa ação, os tenentes usaram arma da corporação, enquanto Renato Cristiano, um revólver de calibre 38 e Cláudio Ramon uma pistola Taurus 938, pertencente ao tenente Aureliano. Segundo comprovações, o oficial se desfez da arma desconfiado que estariam sendo investigados.

Já dentro do planejamento para a ação criminosa em Colônia Leopoldina, o combinado foi que o tenente Tiago da Silva Duarte e Neilson Santos Dantas dariam cobertura à ação com o veículo Ford Ka pertencente a Neilson, enquanto Renato Cristiano e Romoaldo e Souza executariam diretamente o crime usando a motocicleta de Romoaldo. O oficial da PM, conforme depoimentos, teria assegurado retirar da cidade as viaturas do Pelotão de Operações Policiais Especiais (Pelopes), da Companhia.

Provas

Os promotores de Justiça do Gaeco e de Santa Luzia do Norte, além dos depoimentos, robusteceram a denúncia por meio de imagens de câmeras, conversas pelo aplicativo Whatsapp e quebra de sigilo telefônico devidamente autorizada pela Justiça.

Para a ação criminosa no referido município, os tenentes teriam orientado o grupo a não levar os aparelhos celulares, a fim de não serem localizados pelos sinais identificadores da Estação Rádio Base (ERB).

“Utilizando-se dos conhecimentos adquiridos na inteligência da Polícia Militar para a prática do crime”, afirmam na denúncia.

Os denunciados criaram, segundo os representantes ministeriais, um grupo no Whatsap nominado “oioioi”, onde, “em conversas, os tenentes demonstram preocupação em serem descobertos pela ação na residência do senhor José Carlos Felismino”.

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