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Economia
01/02/2019 20:00:00

Minério de ferro sobe no exterior e puxa alta nas ações da Vale


Minério de ferro sobe no exterior e puxa alta nas ações da Vale
Ilustração
Por mais que o desastre em Brumadinho (MG) tenha causado perdas humanas irreparáveis  e grande impacto ambiental, a Vale voltou a ter força no mercado financeiro. Ontem, as ações da companhia subiram 9% na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), cotadas a R$ 46,70 no fechamento. Ou seja, desde o pregão que levou os papéis a caírem quase 25%, na última segunda, a mineradora já recuperou em R$ 4 — o que equivale a um ganho de 10,2%.
 
A decisão da companhia de suspender em até 10% a produção de minério de ferro gerou um efeito internacional positivo para as empresas do setor. Com a menor oferta da commodity no mundo, até as empresas concorrentes da Vale se beneficiaram com o anúncio, realizado na última terça-feira. As ações da Cleveland-Cliffs subiram 17,30% em Nova York. A Rio Tinto e a BHP tiveram alta de 0,7% e de 2,1%, respectivamente.
 
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A reação ocorreu após grande elevação dos preços do minério de ferro no mercado internacional — provocada, em grande parte, justamente pelo corte de produção da Vale. Somente ontem, a cotação futura da commodity na China subiu 5,6%, saindo de US$ 79,5 para US$ 87,2. O país asiático é o maior importador do minério do Brasil, maior exportador mundial do produto. A Vale é a principal empresa desse mercado e uma das maiores do mundo. A valorização das ações da companhia impulsionou a alta de 1,42% do Ibovespa, principal indicador da B3, que avançou para 96.996 pontos. O dólar, por sua vez, encerrou o dia em queda de 0,35%, negociados a R$ 3,708 na venda.
 
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, disse que as especulações “explodiram” o preço da commodity. “Faz parte do jogo, mas é extremamente exagerado”, disse. “Serão 40 milhões de toneladas que deixariam de ser produzidas, o que corresponde a US$ 2 bilhões. O Brasil exportou 390 milhões de toneladas em 2018. Teoricamente, cairia para 350 milhões. Não significa que haverá perda de receita, ainda mais com a alta nos preços”, completou.
 
Além disso, o especialista avalia que é difícil saber se o Brasil perderá mercado internacional para outros concorrentes, como Índia e Austrália. “O que deve acontecer é que, no primeiro momento, esses dois países vão suprir parte de mercado. Mas, hoje, a economia mundial está desacelerando. Vemos isso na China, principalmente, o que pode levar o país a comprar menos minério”, destacou Castro.
 
A Vale é considerada uma empresa robusta e as multas e indenizações que deve ser obrigada a pagar em consequência da tragédia de Brumadinho, não devem colocar a companhia de joelhos. A maior parte da produção de minério de ferro da Vale não fica entre as barragens que serão desativadas mas, sim, em Carajás, no sudeste do Pará, estado que, após a criação do complexo minerador, viu a produção da commodity subir para 230 milhões de toneladas ao ano.
 
Renan Silva, economista da BlueMetrix Ativos, avalia que, a princípio, a empresa saiu “do fundo do poço”. “Há um temor em relação às ações judiciais que estão sendo abertas nos Estados Unidos e no Brasil, além de outras sanções, mas apesar do acontecimento, o mercado percebeu que foi exagerada a queda de 25% das ações na última segunda-feira”, disse. “Devemos ter desdobramentos e penalidades, mas que não vão mudar significativamente o patamar do preço de mercado da empresa. Ou seja, a Vale terá volatilidade, mas a fase de grandes traumas de preços de mercado será diluída”, acrescentou.
 
Fed empurra Bolsa e faz dólar cair
 
O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) decidiu manter as taxas de juros norte-americanas no intervalo entre 2,00% e 2,25% em sua primeira reunião do ano. Segundo Pablo Spyer, diretor de Operações da Mirae Asset, a notícia, apesar de esperada, contribuiu para os ganhos, no fim do pregão, da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), e para a queda do dólar diante do real. Estável durante a maior parte da sessão, o dólar fechou cotado a R$ 3,708 para venda, o menor valor em 20 dias, com queda de 0,35%. Mais do que a manutenção dos juros, influenciou o mercado a afirmação do presidente do Fed, Jerome Powell, de que a autoridade monetária será “paciente” antes de definir novos aumentos dos juros.

Processos na Justiça

A Vale afirmou que pretende se resguardar “de forma vigorosa” de uma ação judicial coletiva  nos Estados Unidos movida pelo escritório Rosen Law. O presidente da companhia, Fábio Schvartsman, e o diretor executivo de Finanças e Relação com Investidores, Luciano Siani Pires, são acusados no processo. Em nota, a mineradora ainda disse que a “reclamação requer indenização por danos ainda não especificados”, o que, segundo a companhia, impossibilita a previsão de qualquer desfecho para a questão.

A ação coletiva afirma que a Vale apresentou, em abril passado, à reguladora do mercado de capitais americana (SEC, na sigla em inglês), um documento assinado por Schvarstman e Siani garantindo que a empresa estava empenhada na manutenção de locais de trabalho seguros, além de atuar para diminuir prejuízos ambientais. A intenção, à época, era reparar dados provocados pelo rompimento da barragem em Mariana (MG), em 2015. De acordo com a Rosen Law, os comunicados da Vale “eram materialmente falsos e/ou enganavam, porque não levavam em consideração fatos adversos inerentes às operações da empresa, “que eram conhecidos pelos acusados ou descartados de forma imprudente por eles”.

Também ontem, um grupo de acionistas minoritários ingressou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitando a abertura de inquérito contra a companhia por não contabilizar, nos relatórios de riscos de negócios, a ameaça ambiental que seus empreendimentos continham. Segundo os acionistas, a mineradora falhou ao não emitir amplas informações aos investidores em relação aos riscos, além de impactos ambientais. O documento também abarca os riscos dos empreendimentos da mineradora nos estados do Pará e Maranhão. O texto também solicita, à CVM, a apuração do assunto em torno da responsabilidade da mineradora e do ocultamento de informações requisitadas em lei.  
 
Reprodução - Correio Braziliense


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