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Economia
01/01/2019 08:05:00

Com tantas incertezas, poupar e investir nunca foi tão importante


Com tantas incertezas, poupar e investir nunca foi tão importante
Ilustração

Diante das mudanças na economia e na sociedade, com os governos que vão assumir apertando o cinto para ajustar as contas, e a população vivendo cada vez mais, com menos filhos, o cidadão brasileiro não pode deixar de pensar no futuro e acumular reservas para garantir uma velhice digna. A reforma da Previdência, inadiável, segundo técnicos em gestão pública, é fundamental para cobrir o rombo do sistema, que pasará de R$ 292 bilhões em 2018. 

“Além dessas questões, há o desemprego estrutural. A inteligência artificial fará muita gente perder a empregabilidade. Estudos apontam que cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo, nos próximos 30 anos, ficarão sem emprego, mas seus gastos, com a idade, aumentarão. Terão dificuldades. A realidade nos obriga a encontrar, de imediato, formas de proteger o dinheiro e investir na aposentadoria”, destaca Jurandir Sell Macedo, professor de finanças pessoais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Macedo acredita que o Brasil está, finalmente, saindo do fundo do poço da recessão. Os próximos quatro a cinco anos serão melhores para a economia. “O problema é saber quando o país começará a crescer. Isso depende das reformas estruturais e dos impactos das tensões internacionais”, afirma. Portanto, é preciso cuidar muito bem do dinheiro.

A razão é simples: a melhora econômica não vai eliminar a necessidade de acumular reservas para garantir o futuro, mesmo porque será cada vez menos prudente confiar na Previdência estatal. “Não adianta dizer que pagamos, portanto, temos direito e queremos o retorno. Não tem jeito de resgatar um direito dado no passado, mas que será bancado pelas próximas gerações”, reforça o professor.

A maioria dos brasileiros não tem cultura previdenciária ou hábito de poupança. Mas a necessidade de poupar parte dos rendimentos e escolher boas aplicações é essencial.  “Não existe fórmula única. O melhor investimento depende do perfil e da situação específica do poupador. As pessoas se esquecem, por exemplo, da importância de ter liquidez para imprevistos”, diz Macedo. Mas, antes de tudo, a pessoa precisa identificar se tem mais ou menos apetite para risco, ou seja, se tem perfil conservador, moderado, dinâmico ou arrojado.

Objetivos

“Risco e retorno andam juntos. Não existe baixo risco com alto retorno”, alerta o professor da UFSC. Para quem não conhece os meandros do mercado financeiro, ele aconselha aplicar na caderneta de poupança, nos fundos DI (que acompanham de perto a Taxa Básica de Juros, a Selic) ou no Tesouro Direto (investimento em títulos públicos) corrigido pela Selic. “Nunca faça investimento que você não conhece. É preciso entender como funciona cada um deles, o retorno, se há ou não desconto de Imposto de Renda (IR), enfim, quais são os riscos, e se vale a pena, considerando seu nível de renda e seus objetivos. Se quiser fazer uma longa viagem, por exemplo, aplique em fundos corrigidos pela moeda que será usada (dólar, euro, etc).”

As irmãs Ana Carolina, 22, e Gleicilene Ramalho, 23, foram educadas para “entender que os pais não são eternos, e que fazer reserva é fundamental”. Gleicilene é bacharel em enfermagem e se prepara para concurso público. As duas dizem que pretendem começar a poupar. “Ainda não sabemos exatamente o plano ou o ativo. Mas vamos investir no mercado financeiro”, diz Ana Carolina. 

O engenheiro eletricista Marcelo Gonçalves, 41, já se prepara há 10 anos para o futuro. “Eu e minha esposa, que é funcionária pública, conversamos muito a respeito e vimos que não tinha outra saída”, afirma. Ambos poupam mensalmente, e separadamente, R$ 152 para eles e para o filho Guilherme, de 4 anos.

“O que se vê é insegurança total na economia. Trabalho em uma montadora de automóveis. Não tem muito tempo, mais de 10 mil foram mandados embora e outros aderiram ao plano de demissão voluntária. A maioria não está vivendo bem. Se não tivermos reservas, a situação será terrível daqui para a frente”, afirma Gonçalves.

Diversificação

O próximo estágio é diversificar o investimento, a depender de como é a vida do aplicador. Se for solteiro, jovem e sem dívidas, pode ser mais agressivo. Se casado e com filhos, ou maduro, precisa saber das necessidades de curto prazo. O mais importante, no entanto, é que o cidadão descubra qual é a sua “inflação pessoal”, diz o educador financeiro Fabrizio Gueratto. “Veja as suas despesas e prioridades. Os idosos, por exemplo, pagam mais por planos de saúde, que têm uma correção altíssima devido aos custos dos equipamentos médicos, e menos em vestuário e calçados. Os mais jovens gastam mais em educação. A prioridade é proporcional”, explica o educador financeiro.

A maioria dos brasileiros ainda não sabe ou não se convenceu de que não pode ficar de braços cruzados. Matheus Malty, 23 anos, retornou recentemente do mestrado de filosofia na Alemanha e está desempregado. “Enquanto não consigo uma vaga, vou ajudando o meu pai na fazenda, em Goiás, onde ele cria gado”, conta. Ele explica que o pai insiste para que ele contribua para o INSS e faça também um plano de previdência complementar. “Ouço ele falar, mas sou descrente. Nada me garante que não vai aparecer de novo um outro louco para confiscar minha poupança. A economia é muito volátil”, afirma. Os especialistas descartam veementemente essa hipótese.

Correio Brazilense



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