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Mundo
22/12/2018 20:00:00

Saída de Mattis deixa incógnita para relações internacionais dos EUA


Saída de Mattis deixa incógnita para relações internacionais dos EUA
Ilustração

Após o anúncio pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o secretário de Defesa, James Mattis, deixará o cargo no fim de fevereiro, poderão aumentar as preocupações dos governos europeus em relação à política externa americana. 

"Há enormes preocupações quanto ao comprometimento do governo Trump para com as relações transatlânticas de segurança", afirmou o analista para o Oriente Médio Markus Kaim, do Instituto Alemão para Temas Internacionais e de Segurança. Em entrevista à DW, ele acrescentou que Mattis era considerado um garantidor da manutenção dessas relações. "Com sua saída, aumentam ainda mais as preocupações nas capitais europeias", observou.

Kaim alerta que um possível fim da presença americana na Síria poderá fazer com que os demais aliados, como Alemanha, França e Reino Unido, também removam suas tropas da Síria e do Iraque. "É simplesmente prematuro afirmar que o EI já está derrotado. Isso também prejudica os esforços internacionais para continuar combatendo o EI e, dessa forma, compromete as políticas 'internacionalistas' americanas".

Depois da divulgação, nesta sexta-feira (21/12), de planos do governo americano de também reduzir o contingente de tropas em solo afegão, Kaim avaliou que "isso mina os esforços da Otan no Afeganistão", lembrando ainda que a Alemanha anunciou recentemente que continuaria presente no país. "Não consigo realmente imaginar uma missão da Otan no Afeganistão sem os Estados Unidos", afirmou.

Saída

"O general Jim Mattis vai se aposentar, com distinção, no final de fevereiro, após ter servido ao meu governo como secretário de Defesa nos últimos dois anos", disse Trump no Twitter nesta quinta-feira (20/12).

"Durante o mandato de Jim, fizemos um progresso tremendo, especialmente no que diz respeito à compra de equipamentos de combate. O general Mattis foi de grande ajuda na hora de conseguir que os aliados e outros países paguem sua parte nas obrigações militares. (...) Agradeço a Jim por seu serviço", acrescentou Trump, anunciando que um novo nome para o cargo será indicado em breve.
O anúncio ocorre depois de Trump informar ontem que retiraria as tropas americanas da Síria. Mas, nos últimos meses, a relação entre os dois já não estava boa. O presidente, inclusive, chegou a se referir a Mattis como uma "espécie de democrata".

Segundo o jornal New York Times, Mattis chegou a se dirigir à Casa Branca na quinta-feira para tentar demover Trump da ideia de retirar os 2 mil militares americanos que atuam na Síria. Trump não se deixou convencer, e como resultado Mattis resolveu renunciar ao cargo.

Em sua carta de renúncia, Mattis deixou claro que decidiu sair do governo por discordar das visões do presidente.

"Enquanto os EUA permanecem como nação indispensável no mundo livre, não podemos proteger nossos interesses ou cumprir esse papel de maneira efetiva sem manter alianças fortes e mostrar respeito a esses aliados", escreveu o general reformado.



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