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Comportamento
30/10/2018 19:09:00

O caos da saúde, qual nossa responsabilidade?

O Brasil tem muitas questões urgentes, mas poucas têm um resultado e consequência de tão curto prazo como a saúde. É caso de vida ou morte, literalmente.


O caos da saúde, qual nossa responsabilidade?
Ilustração

https://www.huffpostbrasil.com 

Se continuar como está, em alguns anos, o sistema de saúde brasileiro vai se tornar inviável. Esse foi o diagnóstico feito no estudo Visão Brasil 2030, idealizado pela consultoria McKinsey, em parceria com o CLP - Liderança Pública. No Brasil, existem mais de 900 mil pessoas na fila por cirurgias eletivas do SUS, uma média de espera de 12 anos, cerca de 30% dos medicamentos essenciais estão em falta e há a expectativa de que pelo 45 mil crianças, com menos de 5 anos, morram até o final de 2018.

Nossa taxa de mortalidade infantil é uma das piores da América Latina e, apesar de gastarmos o equivalente a países europeus com a saúde, nossa expectativa de vida é uma das piores do continente. Nosso sistema ainda suporta o peso e consequências de 3 problemas muito graves: as doenças infectocontagiosas; as causas externas de acidentes e óbitos (trânsito, homicídios); e as doenças crônicas.

Diante desse cenário caótico, vimos, nos debates e planos de governo, propostas genéricas e superficiais, que não trazem solução clara para um dos principais problemas da saúde brasileira, que é a eficiência do sistema. Não adianta ficarmos apenas na discussão sobre quem destinará mais ou menos recursos para a saúde, ou quem manterá ou não programas atuais se mantivermos a máquina rodando no modelo atual e gerando os mesmos problemas.

A questão crítica não é o quanto se gasta, mas a eficiência e foco do gasto. Trazendo para a uma analogia de contexto médico, não basta tratar o sintoma, que é a falta de dinheiro; o que precisamos é identificar e eliminar as causas da doença, que começam na falta de eficiência e distorções na gestão do sistema como um todo.

Para poder gerir melhor os recursos que estão sendo prometidos, as secretarias de Saúde precisam promover mudanças estruturais, construir uma base sólida de processos internos que foquem na entrega de bons serviços à população. Entre as mudanças possíveis estão a qualificação do time em todas as esferas, do secretário aos atendentes dos postos de saúde; estabelecer metas, processos e planos de ação para cumpri-los, além de criar metodologias para monitorar os resultados.

É essencial desenvolver uma cultura voltada para o resultado, com foco na população. E, fruto desta cultura, iniciativas extremamente importantes devem emergir. Como a adoção de novas tecnologias que possam acelerar a produtividade e reduzir drasticamente as desigualdades que ele possui. A instalação do prontuário eletrônico universal no SUS, estruturação de uma estratégia de Telessaúde para atendimentos primários e expansão do atendimento básico feito por unidades móveis têm grande potencial para melhorar os processos.

Porém, cuidar da saúde pública brasileira não é uma missão apenas dos governos. Falta uma mobilização social concreta, que vá além dos discursos. Assim como existem instituições lideradas pela sociedade civil para melhorar a educação, causa primordial para o País, precisamos também buscar uma maior cobrança e mobilização em prol da saúde. Essa responsabilidade também é da sociedade.

O Brasil tem muitas questões urgentes, é verdade, mas poucas têm um resultado e consequência de tão curto prazo como a saúde. É um caso de vida ou morte, literalmente.

Temos um sistema de saúde pública (SUS – Sistema Único de Saúde) que é referência no mundo e oferece atendimento a 100% da população em 100% de suas demandas médicas, mas que precisa ser mais bem administrado para se sustentar e se perpetuar.

Porém, para que este sistema possa oferecer melhor qualidade e, realmente, cuidar da vida de todos os cidadãos brasileiros, é necessário sairmos da discussão filosófica e puramente financeira, para enfrentarmos os reais problemas e mudanças que precisam ser realizadas. E essa é uma tarefa de todos, pela vida e futuro de todos os brasileiros.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.



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