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Mundo
11/06/2018 20:37:00

A Espanha receberá o navio Aquarius em Valência por razões humanitária


A Espanha receberá o navio Aquarius em Valência por razões humanitária
Refugiados Espanha

O presidente do Governo (primeiro-ministro), Pedro Sánchez, deu instruções para que a Espanha receba no porto de Valência o navio Aquarius, que navega pelo Mediterrâneo com mais de 600 imigrantes e refugiados resgatados pela Médicos Sem Fronteiras (MSF) e SOS Mediterranée, abandonados à sua sorte depois que o novo ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, impediu sua entrada no país. No entanto, ninguém notificou até o momento o capitão da embarcação e as ONGs ali presentes que seu destino é Valência. O percurso é de cerca de 700 milhas náuticas, uns três dias, e segundo os cálculos dos responsáveis pelo barco não há comida suficiente para tanto tempo, por isso precisariam recolher mantimentos em outro porto a caminho de Valência. A embarcação continua parada.

“É nossa obrigação ajudar a evitar uma catástrofe humanitária e oferecer um porto seguro a essas pessoas, cumprindo dessa maneira com as obrigações do Direito Internacional”, afirmou Sánchez em uma nota difundida pelo Governo. Momentos antes da divulgação do comunicado, o presidente da Generalitat valenciana, Ximo Puig, havia dito que o Governo da Espanha tinha oferecido Valência à ONU como “porto seguro” e que isso tinha sido dito pela vice-presidenta do Governo, Carmen Calvo, informa Elsa García de Blas.

"Fui informado de que o Governo indicará o porto de Valência como o porto seguro para essa operação humanitária que o Governo da Espanha vai empreender com a ONU”, disse Puig, que afirmou ser uma boa notícia para a Espanha e Valência, consideradas abertas e hospitaleiras.

Enquanto isso, o Aquarius continuava parado quando chegou da Espanha a notícia de que o navio humanitário se dirigirá a Valência com seus 629 hóspedes. “Até o momento não recebemos nenhuma notificação de que temos um porto seguro na Espanha”, disse o porta-voz do MSF a bordo, por volta das três da tarde (10 horas no horário de Brasília). O capitão e os responsáveis pelas ONGs que operam a embarcação estão à espera das instruções e enfatizam que vários dos resgatados precisam de atendimento médico. O Centro de Coordenação Marítima de Roma dirige os resgates nessa zona do Mediterrâneo e é quem, de acordo com as normas marítimas, tem de comunicar ao capitão em que porto poderá desembarcar os imigrantes. É assim em todos os resgates.

Anteriormente, a prefeita de Barcelona, Ada Colau, e o prefeito de Valência, Joan Ribó, havia se oferecido ao longo da manhã para acolher nas respectivas cidades, ambas com porto, os 629 imigrantes porque, nas palavras de Colau, “antes de tudo é preciso salvar vidas humanas”, uma meta para a qual pediu a colaboração do Governo espanhol.

Ribó lembrou da condição dessa capital como “cidade refúgio” e considerou “absolutamente desumano que se deixe um navio à deriva nessa situação”. Por isso, disse que na capital valenciana iriam “mobilizar todos os dispositivos para o caso em que, não havendo outra possibilidade”, Valência seja o local de atraque desse navio.

Colau fez sua oferta ao ser indagada sobre a questão em um café da manhã informativo do Fórum Nova Economia, onde previamente tinha lamentado a situação dos imigrantes que viajam nesse navio, que Malta e Itália se negaram a receber, e havia reafirmado a obrigação de “não olhar para o outro lado” e atender às questões humanitárias. “As cidades querem cumprir com os direitos humanos. Barcelona e Madri já estão acolhendo com recursos próprios e queremos fazer isso bem, queremos nos organizar com as outras cidades e com o Governo da Espanha”, destacou a prefeita de Barcelona.

A prefeita pediu organização à União Europeia quanto ao fenômeno da imigração porque, disse, “as pessoas também vêm” porque “fogem do desespero e do horror”. “Em vez de atendê-los bem, perde-se uma porção de dinheiro em políticas de fronteira que fracassam”, lamentou Colau. Em seu discurso, também comentou a situação de “terrível atualidade” dos imigrantes a bordo desse navio e criticou que enquanto os refugiados lutam por sua vida os Governos “olhem para o outro lado” e tomem decisões ‘profundamente racistas e imorais”.

“Se nós nos consideramos Europa é o momento de demonstrar isso”, advertiu Colau, para em seguida lembrar que a Espanha está descumprindo todos os compromissos em matéria de asilo e está deixando as cidades “sozinhas”, em referência aos recursos próprios que tanto Madri como Barcelona destinam ao atendimento dessas pessoas. “Barcelona quer ajudar”, recordou, e para isso necessita que o Governo da Espanha “assuma suas responsabilidades e não descumpra os compromissos”.



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