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Mundo
09/05/2018 20:31:00

Argentina busca auxílio do FMI para conter crise


Argentina busca auxílio do FMI para conter crise
Presidente argentino Mauricio Macri

A Argentina anunciou nesta terça-feira (8) que buscou ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) para enfrentar a grave turbulência de seus mercados, e a diretora do organismo, Christine Lagarde, afirmou que as negociações terão início "em breve".

"De forma preventiva, decidi iniciar diálogos com o FMI para que nos conceda uma linha de apoio financeiro", anunciou o presidente Mauricio Macri em um pronunciamento televisionado, após o peso cair nesta terça mais de 4% em relação ao dólar na abertura dos mercados.

O subsecretario de Assuntos Internacionais do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, David Malpass, descartou a iminência de uma crise em um mercado emergente. "Não acredito que estejamos vendo isto (... ) mas acompanharemos de perto as discussões".

No último mês, a depreciação foi de mais de 10%, apesar de o Banco Central ter vendido 8 bilhões de dólares de suas reservas e elevado sua taxa de juros a 40%.

"Estamos recorrendo ao único caminho possível para sair da estagnação, buscando evitar uma grande crise econômica que nos faria retroceder e prejudicaria a todos", acrescentou.

O peso, que chegou a perder 4,61%, reverteu a queda para apenas 2,66% após o anúncio, e fechou a 22,94 ante a divisa americana. A Bolsa também freou a baixa e fechou em -3,85%.

"Foram iniciadas discussões sobre como podemos trabalhar juntos para fortalecer a economia argentina e levaremos esses diálogos a cabo em breve", informou Lagarde em uma nota oficial, sem mencionar os eventuais valores do aporte financeiro. De acordo com ela, a Argentina "é um membro valioso" do FMI.

"Não podemos ainda anunciar os montantes. Neste momento dos diálogos, ainda não falamos de detalhes", indicou o ministro de Economia, Nicolás Dujovne.

- 'Outro FMI' -

A ideia de um ajuste guiado pelo FMI preocupa os argentinos.

Por isso, Dujovne destacou nesta terça que "estamos falando com um FMI muito diferente do que conhecemos há 20 anos. O FMI aprendeu com as lições do passado, assim como todos nós".

Para a analista Mariana Dal Pogetto, da consultoria Ecogo, "não é uma boa notícia para a Argentina que, neste momento, esteja indo ao FMI diante de um fechamento dos mercados de capitais".

"O que aconteceu é que foi cortado o crédito para a Argentina. Politicamente, a decisão de ir ao Fundo não está isenta de custos internos", disse Dal Pogetto à AFP.

Em janeiro de 2006, a Argentina tinha saldado seu último crédito com o FMI, por 9,6 bilhões de dólares. Ela então cortou os laços com o Fundo e impediu durante uma década as visitas do organismo para revisar suas contas públicas.

A Argentina sofreu, em 2001, uma crise econômica que provocou a queda de quatro presidentes em uma semana e levou o país à moratória.

- Contexto internacional desfavorável -

Macri explicou sua decisão afirmando que "durante os dois primeiros anos (de governo) tivemos um contexto internacional muito favorável, mas esse contexto está mudando. Estamos entre os países que mais dependem de financiamento externo no mundo".

Quando assumiu, em dezembro de 2015, Macri permitiu a flutuação da moeda, eliminando o controle cambial que vigorou durante o governo de Cristina Kirchner (2007-2015).

Mas a valorização do dólar nos últimos dias afetou o peso argentino mais que a outras moedas.

Para enfrentar a desvalorização do peso, o Banco Central decidiu na semana passada aumentar a taxa básica de juros a 40% ao ano, a mais alta do mundo.

A taxa tão elevada pode afetar o crescimento do país.

Além da desvalorização, a Argentina enfrenta uma inflação de mais de um dígito (24,8% em 2017) e um déficit fiscal cuja meta foi reduzida de 3,2% para 2,7% do PIB na semana passada.

O governo estabeleceu uma meta de inflação de 15% para este ano e insiste que não será modificada, embora o próprio FMI a tenha projetado em 19%.



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