24/09/2018 01:26:10

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02/03/2018 07:43:00

Corpo Oceano


Corpo Oceano

Mansamente deito-me atento ao seu lado, 
Contemplando-lhe toda a extensão do corpo; 
Quanto menos se move faz-se maior impacto, 
O revezar dorsal e frontal sempre em decúbito; 
Sinuoso mar afeito à nau do timoneiro motivado. 

Geme mas é quase inaudível tamanho apelo, 
Que se faz murmúrio marinho dentro do peito; 
Ondas sequenciais açoitam forte meu rochedo, 
Quando emanam poderosas de sua plácida nudez; 
Tela majestosa a me pedir moldura num macio leito. 

Velado prazer na tormenta que sobrevém à calmaria, 
Que nas profundezas prepara múltiplos gozos na vida; 
Prenunciação sutil que há na pele do seu leitoso dorso, 
Extensa e sedosa praia que me leva em êxtase às dunas; 
Polivalente paisagem a oferecer deleite à criativa ousadia. 

Convenientemente tudo gira em torno de seu umbigo, 
Quando tento em vão encontrar a algo mais no horizonte, 
Qual pomba em reconhecimento pairando sobre um dilúvio, 
E, a mergulhar em voo rasante em busca de um ramo florido; 
Na superfície beijo-lhe pés, mãos e seus cabelos junto à fronte. 

Todo embate em nosso abraço então se relativiza, 
No preciso e imensurável deleite do eterno instante, 
Um lavar de almas juntas imersas num mesmo oceano, 
Quando deslizo as minhas mãos sobre a crista das ondas; 
No corpo há maresia morna e, na espuma sabor inebriante.

 

George W. De B. Cavalcanti

Pensador por vocação e Educador por formação.



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