17/11/2019 10:27:53

16/10/2007 00:00:00

Política


Política

Relator de um dos processos mais espinhosos contra Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Jefferson Peres (PDT-AM) pretende marcar, nesta terça-feira (16), o depoimento do usineiro alagoano João Lyra ao Conselho de Ética. Vai convidar Lira também para participar de uma acareação com o presidente licenciado do Senado.

 
Jefferson Peres considera o tête-à-tête de Lyra e Renan essencial para a elaboração do seu relatório, que tenciona entregar nos primeiros dias de novembro. Em 21 de agosto, em telefonema ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), um advogado do usineiro informara que seu cliente se dispunha a ser acareado com Renan, que, à época, ainda estava acomodado na cadeira de presidente.
 
Renan, porém, rejeitara a idéia. Chegara mesmo a ironizar a oferta de Lyra, perguntando se o usineiro viria ao Senado “com algema ou sem algema”. Para Jefferson Peres, se o senador se mantiver refratário à acareação, sua situação ficará frágil.
 
“Ele pode se recusar. Mas creio que a recusa do Renan seria quase como uma confissão de culpa. Ficaria numa situação muito frágil”, disse Jefferson Peres ao blog. O relator telefonara para João Lyra na última sexta-feira (12), um dia depois do pedido de licença de Renan. Não conseguiu falar com o usineiro. Informou-se que ele se encontrava numa de suas fazendas. Passou o sábado (13). Veio o domingo (14). E nada de Lyra responder ao telefonema.
 
Nesta segunda-feira (16), o usineiro tocou, finalmente, para o gabinete de Jefferson Peres. O senador encontrava-se no Amazonas, seu Estado. Foi alcançado pela assessoria, no celular, no instante em que subia a escada do avião que o trouxe de volta a Brasília. Não pôde falar. Fará contato nesta terça (16). O gesto de Lyra, porém, deixou-o mais tranqüilo.
 
“O silêncio dele já estava me preocupando”, disse Peres ao repórter. O senador receava que o usineiro pudesse recuar em relação às declarações que prestara ao corregedor Romeu Tuma, em Alagoas, no dia 16 de agosto. Tuma ouvira-o por cerca de três horas. Lyra confirmara ter constituído uma sociedade secreta com Renan. Compraram, segundo o seu relato, empresas de comunicação em Alagoas –um diário chamado “O Jornal” e de duas emissoras de rádio, reunidas sob o logotipo “Sistema Costa Dourada de Radiodifusão”.
 
Lyra ratificara a Tuma a notícia de que Renan investiu no negócio R$ 1,3 milhão. Verba de origem desconhecida e não-declarada à Receita Federal. O usineiro dissera que Renan fez-se representar na transação por dois laranjas: Ildefonso Tito Uchôa, seu primo, e Carlos Santa Ritta, assessor dele no Senado. Coube a Uchôa assinar notas promissórias e recibos, cujas cópias João Lyra repassou a Tuma. No momento em que foi efetivada a transação, Renan desembolsara R$ 650 mil. Dinheiro vivo. Lyra emprestara-lhe outros R$ 650 mil, pagos posteriormente, também em moeda sonante.
 
A sociedade secreta foi desfeita em 2005. Lyra reteve o controle do jornal. O Sistema Costa Dourada de Radiodifusão ficou com o primo Tito Uchôa e com um dos filhos de Renan, que “comprou” a parte do assessor Santa Rita. Chama-se Renan Calheiros Filho. Atende pelo apelido de Renanzinho. É prefeito do município alagoano de Murici. Como não tinha renda para entrar na sociedade, recorreu a doações do pai, dessa vez registradas no Imposto de Renda.
 
Em tese, Jefferson Peres pode convidar para depor, além de Lyra, o filho de Renan e os testas-de-ferro do senador. Ao blog do Josias da Folha de São Paulo o relator afirmou: “Estou analisando isso.” Em diálogos privados, ele disse, segundo apurou o repórter, que, dependendo da disposição de João Lyra, pode dispensar as outras oitivas.
 
Até aqui, Renan vinha afirmando que, se alguém tinha de ser acareado com João Lyra esse alguém era Tito Uchôa. Mantendo-se nessa posição, vai facilitar o trabalho de Jefferson Peres, a quem não restará senão a hipótese de recomendar o envio ao plenário do Senado de um novo pedido de cassação do mandato do colega. A ser julgado, dessa vez, em sessão aberta, numa votação ainda secreta

por Folha de São Paulo



Enquete
Se a Eleição Municipal fosse hoje qual seria seu candidato preferido?
Total de votos: 2645
Google News