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Cento e dezoito anos de Jorge Matheus de Lima


Cento e dezoito anos de Jorge Matheus de Lima
Jorge de Lima poeta palmarino

Da Redação // franco macial blog a terra da liberdade

 

Médico, ensaísta, professor, romancista, historiador, contista, tradutor, articulista, pintor, escultor e, sobretudo, poeta, Jorge de Lima foi a "personalidade literária e artística das mais múltiplas que o Brasil já viu", segundo definiu Otto Maria Carpeaux.

Em 23 de abril de 1893, num sobradinho de estilo colonial, edificado na Praça da Matriz de Santa Maria Madalena no município União dos Palmares, nasceu Jorge Mateus de Lima, filho de José Mateus de Lima e Delmina Simões Mateus de Lima.

Seu nome, esclareceria ele próprio em 1929, "veio simplesmente da Folhinha de Bristol que meu pai consultou a fim de ver o nome do padroeiro do dia em que nasci. Estava ali um nome sonoro de santo e de guerreiro..." (Jornal de Alagoas. Maceió, 10 fev.1929, p. 3).

Efetuou o primário na própria cidade onde nasceu, mais precisamente na escola da professora Mocinha Medeiros (Filomena Medeiros), onde estudou nos livros de Feliberto de Carvalho.

Em maio de 1902, transferiu-se para Maceió, onde ingressou no Instituto Alagoano, de Goulart de Andrade. Três anos depois, em 1905, após o fechamento do Instituto, matriculou-se no Colégio Diocesano, fundado na capital maceioense pelos irmãos Maristas.

Em 1906, iniciou a publicação de seus poemas em jornais de Maceió, com o soneto "Plantas". No Colégio dos Maristas, fez todo o curso preparatório para ingresso na Faculdade de Medicina, onde foi considerado aluno exemplar.

Em 1908, muda-se para Salvador, capital da Bahia, matriculando-se na Faculdade de Medicina da Bahia. Em 1910, publica o soneto "O acendedor de lampiões", composto em 1907, com o qual chama a atenção da crítica.

Em 1911, muda-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde dá continuidade a seus estudos na Faculdade de Medicina. Formando-se em 19 de dezembro de 1914, depois de defender a tese “O destino higiênico do lixo do Rio de Janeiro”, que mereceu distinção de Miguel Couto.

Neste mesmo ano, publicou o seu primeiro livro, “XIV Alexandrinos”, que lhe valeu mais tarde o título de "Príncipe dos Poetas Alagoanos". Um ano depois de concluído o curso médico, decide voltar para Alagoas, fixando residência em Maceió, onde passa a clinicar.

Em menos de seis meses em solo alagoano, o nome de Jorge de Lima conquistava a capital alagoana. Ao mesmo tempo em que Jorge começava a dar consultas na Farmácia Industrial, a imprensa trombeteava o nome do poeta saudando os seus “XIV Alexandrinos” em termos calorosos e em particular o seu “Acendedor de Lampiões”, considerado uma obra prima.

Nesse mesmo ano, Jorge conhece Ádila Alves, cunhada de Luís Bezerra Cavalcanti, comandante da Escola de Aprendizes Marinheiros, que anos mais tarde viria a ser sua esposa, deixa a Farmácia Industrial e funda o seu próprio consultório numa outra farmácia, que era conhecida pelo seu nome. Em 1918, ingressa na política, sendo eleito Deputado Estadual pelo Partido Republicano de Alagoas.

Em 1919, no dia 1º de novembro, participa, ao lado do conterrâneo Carlos Povina Cavalcanti e outros escritores alagoanos, da fundação da Academia Alagoana de Letras, ocupando a de número 22.

Em 1920, é nomeado Professor catedrático de História Natural e Higiene, com exercício na Escola Normal de Alagoas. No ano seguinte, é eleito, com 9.395 votos, "Príncipe dos Poetas Alagoanos", através de concurso literário promovido pelo Jornal Correio da Tarde, de Maceió. Em 1923, publica o livro de ensaios "A comédia dos erros".

Dois anos depois, em 1925, casa-se com Ádila Alves de Lima, na cidade de Belém, capital do Pará. Em 1926, nasce seu primeiro filho, Mário Jorge. Em 1927, adere ao Modernismo, publicando, no Rio de Janeiro, "O mundo do menino impossível".

Classificado em concurso público, é nomeado professor catedrático de Literatura Brasileira e Línguas Latinas, no Lyceu Alagoano, cuja tese teve o tema "O romance de Marcel Proust", reunida depois no livro "Dois ensaios". Nesse mesmo ano, publica "Poemas", o romance "Salomão e as mulheres" e nasce sua filha, Maria Thereza.

Em 1928, publica "Essa negra fulô", primeira grande manifestação do modernismo poético. No ano seguinte, publica "Novos poemas" e "Dois ensaios".

No ano seguinte, após sofrer atentado à bala por Rodolfo Lins, transfere-se definitivamente para o Rio de Janeiro, onde passa a clinicar em consultório no Edifício Rex, na Cinelândia, que mais tarde se tornaria ponto de reunião de intelectuais.
Em 1932, publica "Poemas escolhidos". Dois anos depois, em 1934, publica "O anjo", primeira incursão da literatura brasileira no surrealismo, "Anchieta", biografia lírica de José de Anchieta, e Rassenbildung und rassenpolitik in brasilien, em Leipzig, Alemanha.

Em 1935, recebe o Prêmio de Literatura da Fundação Graça Aranha, atribuído a "O anjo"; converte-se ao catolicismo, publica o romance regionalista "Calunga", e, em parceria com o amigo Murilo Mendes, publica "Tempo e eternidade", que inaugura a temática cristã em sua obra.

Em 1936, recebe o Prêmio de Romance da Revista Americana, de Buenos Aires, atribuído a "Calunga". No ano seguinte, publica "Quatro poemas negros" e "História da terra e da humanidade".

Em 1938, publica "A túnica inconsútil", atingindo o ápice de sua fase religiosa, e a tradução de "Os judeus", de Jacques Maritain, Paul Claudel e outros. Em 1939, publica "A mulher obscura". No ano seguinte, em 1940, recebe o Grande Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras, torna-se Professor de Literatura brasileira na Universidade do Brasil e publica a tradução de "Morte, tua vitória onde está?", de Daniel Rops.

Em 1941, publica a biografia de Alexandre José de Melo Morais. No ano seguinte, em 1942, publica "A vida de São Francisco de Assis" e a tradução de "Aventuras de Malasarte", em parceria com o irmão e também poeta Mateus de Lima. Em 1943, publica o álbum de fotomontagens "A pintura do pânico" e "Os melhores contos rústicos de Portugal".

Em 1945, retorna à política, ingressando na União Democrática Nacional (UDN) e publica o ensaio "D. Vital". Em 1947, publica "Os poemas negros", com prefácio de Gilberto Freyre e ilustrações de Lasar Segall, "Vida de santo Antônio", a tradução de "Sol de satã", de Georges Bernanos e é eleito vereador do então Distrito Federal, pela União Democrática Nacional.

Em 1948, é eleito Presidente da Câmara de Vereadores do Distrito Federal. No ano seguinte, em 1949, publica "Livro de sonetos" e "Vinte sonetos". Em 1950, publica "Obra poética", o romance "Guerra dentro do beco" e "Anunciação e encontro de Mira-Celi".

Em 1952, publica "As ilhas", poema "IV de Invenção de Orfeu", em edição limitada, com ilustrações de sua autoria, "Castro Alves - Vidinha" e "Invenção de Orfeu", com estudos críticos de João Gaspar Simões, Euríalo Canabrava, Murilo Mendes e ilustrações de Fayga Ostrower, Les îles e Poems.

Certa vez, sendo entrevistado para um jornal, no ano de 1952, Jorge de Lima se definiu com singeleza: "Tenho um metro e 68 de altura, 59 quilos e meio e uso óculos. Sou meio careca e meio surdo. Sou católico praticante e meu santo é São Jorge. Visto sempre cinza e acordo às quatro da manhã, com os galos e a aurora. (...) Minha leitura predileta é poesia. (...) Sou casado, tenho dois filhos e quatro netos. Gosto de pintar, esculpir e compor."

Em 1953, meses antes de morrer, gravou poemas para o "Arquivo da Palavra Falada da Biblioteca" do Congresso de Washington, nos Estados Unidos da América. Nele, a voz cansada do poeta denuncia o estágio avançado do câncer que lhe tirou a vida. São 20 minutos de gravação nos quais o palmarino declama poemas de "Invenção de Orfeu", "Tempo e Eternidade" e "A Túnica Inconsútil". As poesias foram escolhidas pelo próprio Jorge de Lima. Na época, acreditava que estava tendo uma crise de apendicite.

Jorge Mateus de Lima faleceu aos 60 anos, em sua residência no Rio de Janeiro, na manhã de 15 de novembro de 1953, vítima de câncer. Seu corpo foi velado no Salão Nobre da Câmara Municipal e enterrado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Bibliografia

Poesias


* XIV Alexandrinos (1914)
* O Mundo do Menino Impossível (1927)
* Poemas (1927)
* Essa negra fulô (1928)
* Novos Poemas (1929)
* Poemas escolhidos (1932)
* Tempo e Eternidade (1935)
* Quatro poemas negros (1937)
* A Túnica Inconsútil (1938)
* Poemas (1939)
* Poemas Negros (1947)
* Livro de Sonetos (1949)
* Vinte sonetos (1949)
* Anunciação e encontro de Mira-Celi (1950)
* Invenção de Orfeu (1952)
* As ilhas (1952)
* Castro Alves: vidinha (1952)
* Poema do Cristão (1953)
* Antologia de sonetos (1953)
* Ausgewachite Gedichte (1953)

Romances

* Salomão e as mulheres (1927)
* O anjo (1934)
* Calunga (1935)
* A mulher obscura (1939)
* Guerra dentro do beco (1950)

Tradução

* Os judeus (1938)
* Morte, tua ventura onde está (1940)
* Aventuras de Malasarte (1946)
* Sol de satã (1947)

Ensaio e organização


* A Comédia dos Erros (1923)
* Dois Ensaios (1929)
* Anchieta (1934)
* Rassenbildung und Rassenpolitik in Brasilien (1934)
* História da terra e da humanidade (1937)
* Biografia de Alexandre José de Melo Morais (1941)
* A vida de São Francisco de Assis (1942)
* Os melhores contos rústicos de Portugal (1943)
* D. Vital (1945)
* Vida de santo Antonio (1947)
* Proust (1953)

Artes plásticas

* A pintura em pânico (1943)
Da Editoria: Agradecemos a gentileza e a lembrança do Franco Maciel jovem por quem mantemos um especial apreço
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