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09/10/2010 00:00:00

Polícia


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Com gazetaweb // terra

Cinco anos após o referendo nacional sobre o desarmamento, o Ministério da Justiça, impulsionado pelo aumento de 73% no comércio de armas de fogo no País, lançou neste sábado a campanha anual de entrega voluntária de armamento, com pagamento de indenizações.
De 2005 a 2009, segundo a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército, responsável pela averiguação deste tipo de negócio, foram vendidas 494,5 mil armas no Brasil. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 62%.

Segundo números do Exército, no ano do plebiscito (2005), foram vendidas no Rio 4,077 mil armas. Em São Paulo, outro estado com expressivo crescimento, foram 12,49 mil. Com a decisão favorável ao comércio de armas, esses números saltaram para 6,628 mil e 38,684 mil, respectivamente, em 2009.

"Era um aumento esperado pelo resultado do referendo (favorável à comercialização), que estimula a ilusão de que ter arma oferece proteção ao cidadão", afirmou o sociólogo Antônio Rangel, coordenador do Programa de Controle de Armas de Fogo do Viva Rio.

O pesquisador participou, há duas semanas, em Brasília, de acordo com o Ministério da Justiça para realizar campanhas de conscientização. Ele cita informações da Polícia Federal que indicam que 27 mil armas foram furtadas ou roubadas das casas de "cidadãos de bem", em 2003. Dados da Polícia Civil também mostram que 60% das armas apreendidas com bandidos no Rio, em 2004, pertenciam a pessoas que haviam adquirido armas legalmente. Desse total, 88% eram pistolas e revólveres.

"Calculamos que haja 17 milhões de armas em circulação, 90% delas nas mãos de civis e 10% em poder do estado. Somos um país dos mais armados do mundo. A média é de 74%. No imaginário popular, o que ameaça são as armas em poder dos bandidos. Mas ter arma é perigoso, pois é um instrumento para matar", disse Rangel.

Vítima de dois assaltos com pistolas apontadas para a cabeça, o sociólogo Antônio Rangel, coordenador do Programa de Controle de Armas de Fogo do Viva Rio, votou a favor do fim do comércio de armas e participará novamente das campanhas de esclarecimento.

Rangel crê que a posse de uma arma, mesmo que legal, é de grande perigo para o cidadão. "Ele compra uma arma com a melhor das intenções, para defender seu lar, seus bens. Só que o bandido ataca de surpresa, invade a casa e simplesmente não dá tempo de fazer nada", afirmou. "A arma costuma ficar bem guardada e, para ser usada, precisa estar à mão. Aí, há o risco de acidentes com crianças, suicídio de adolescentes e crime passional. O cidadão compra arma para se proteger e acaba armando o bandido".

A desconfiança nas autoridades também pode ser um motivo para a compra, mas traz mais prejuízo do que segurança ao consumidor. "O cidadão pensa se não posso confiar na polícia, vou me proteger comprando uma arma. É raciocínio lógico, mas traz risco", afirmou Rangel, que justificou seu raciocínio usando dados dos Estados Unidos. "Pesquisas nos EUA apontam que uma casa com arma tem quatro vezes mais chances de ser assaltada porque o bandido vai atrás dela".

Número de homicídios cai
Em 2005, 68 mil armas foram comercializadas no Brasil. No ano passado, esse número chegou a 118,3 mil ¿ pistolas e revólveres, na maioria. Dados do Exército mostram que 6,3 milhões de cápsulas foram vendidas em 2009.

Segundo o Ministério da Justiça, houve redução de 11% nos homicídios praticados com armas de fogo entre 2003 e 2009. A campanha visa a reduzir ainda mais este índice. O recolhimento acontecerá sempre em julho, com campanhas de esclarecimento nos três meses anteriores.

Durante a campanha do desarmamento, 459 mil armas foram recolhidas. No plebiscito, 59 milhões de eleitores (63,94% dos votos) foram às urnas e votaram contra a proibição do comércio de armas e munições, e 33 milhões a favor.

Segundo Antônio Rangel, há estimativas de que 4 milhões de armas ilegais estariam com os chamados "cidadãos de bem". Já os criminosos teriam em seu poder em torno de 3,9 milhões de armas.



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