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25/06/2010 00:00:00

União dos Palmares


União dos Palmares

com alagoas24horas // Fonte glaucio araujo G1

“Em 70 anos vivendo nessa comunidade, essa foi a primeira vez que vi algo parecido. A destruição foi total e rápida demais.” Essa foi a maneira que o aposentado Antonio Nunes, 70 anos, encontrou para contar, com os olhos cheios de lágrimas, a sensação de ter perdido a casa com a chuva de sexta-feira (18) para sábado (19), em União dos Palmares (AL). Para conseguir escapar da água, 56 integrantes da comunidade quilombola Muquém subiram em duas jaqueiras e no telhado de uma casa para sobreviver.

No estado, foram confirmadas 34 mortes causadas pela chuva desde a semana passada. Em Pernambuco, foram 17 óbitos. Com isso, o número de mortes nos dois estados chega a 51.

Todos os integrantes da comunidade quilombola chegaram a ser considerados desaparecidos pela Defesa Civil de Alagoas desde sábado. Eles só foram localizados na terça-feira (22), quando integrantes do Instituto de Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e da Secretaria de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos (Semarh) foram ao local, de helicóptero. “Temíamos o pior, mas conseguimos encontrá-los com vida. Alguns chegaram a ficar até 18 horas sobre as árvores”, disse Adriano Augusto de Araújo Jorge, presidente do IMA.

Desabrigados pela chuva em Alagoas acompanham jogo do Brasil Após chuva, moradores de AL apresentam problemas na peleNa região, apenas oito das 90 casas que existiam na comunidade ficaram de pé. Outras 50 foram completamente destruídas e as outras estão condenadas. “Não há mais como reconstruir as casas no mesmo local”, disse o secretário Alex Gama.

O quilombola Aloísio Nunes, 65 anos, disse que não teve tempo de escolher em qual árvore subir e se proteger. “Subi com meus parentes e ficamos agarrados na jaqueira, até a água baixar, a cerca de meio metro de altura. Era madeira boiando, móveis, tudo que tinha por perto foi arrastado pela água.”

Auricéia Maria Nunes da Silva, 13 anos, conseguiu pegar o primo Nandiel, de 2 anos, no colo para socorrê-lo. “Ele estava dormindo quando o colocamos no alto da árvore. Ele só ficou assustado depois que acordou. Tive muito medo que ele se mexesse e caísse na água.”

Grávida de 4 meses, Tatiana da Silva, 24 anos, disse que saiu de Maceió para passar alguns meses com a família na comunidade quilombola e acabou perdendo tudo. “Não tenho mais nenhum documento. Perdi meu cartão do Bolsa Família. Tive medo de perder minha filha Tauane, de 2 anos. Agora, quero ir embora daqui.”

Os irmãos Arlindo Nunes da Silva, 68 anos, e José Nunes da Silva, 66 anos, socorreram um ao outro quando a força da água começou a destruir todas as casas da comunidade. “Nós corremos e subimos para o telhado de uma casa. Ficamos ali sem saber se tinha gente viva do outro lado. Quando a chuva parou e a água começou a baixar, começamos a gritar pelo nome das pessoas. Quem ouvia foi respondendo. Assim a gente foi ficando mais aliviado”, disse José Nunes.

 



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