As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) localizadas nos bairros Benedito Bentes, Trapiche da Barra e Santa Lúcia relataram uma elevação significativa no número de casos de gastroenterite infecciosa nos últimos dias.
Geridas pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), essas unidades contabilizaram mais de mil pacientes com sintomas relativos à doença apenas neste mês. A inflamação que acomete o estômago e o intestino manifesta-se frequentemente através de diarreia, náuseas, vômitos, dores abdominais, febre, mal-estar e, em casos mais graves, desidratação.
O aumento na demanda por atendimento tem mobilizado intensamente as equipes de urgência e emergência da cidade. A causa principal da enfermidade é a proliferação de vírus, como rotavírus e norovírus, embora agentes bacterianos — entre eles Salmonella, Shigella e Escherichia coli — e parasitas também possam ser responsáveis.
A transmissão ocorre principalmente pelo consumo de alimentos ou água contaminados e pela higiene inadequada das mãos. Especialistas alertam que as temperaturas elevadas favorecem a multiplicação de microrganismos, especialmente quando alimentos e água não são devidamente armazenados ou manuseados.
Assim, a ingestão de alimentos mal conservados constitui uma das maiores ameaças durante os períodos mais quentes do ano. Dados coletados entre 1º e 20 de janeiro de 2026 indicam que a UPA Benedito Bentes atendeu 547 pacientes com sintomas de gastroenterite, enquanto a UPA Trapiche da Barra recebeu 379 casos e a UPA Santa Lúcia registrou 136 atendimentos.
Ao todo, o total de registros nessas unidades atingiu 1.062. Dr. Leandro Teitelroit, médico infectologista responsável pela UPA Benedito Bentes, salientou que a maioria dos atendimentos envolve crianças de baixa idade.
“Cerca de 70% dos casos ocorrem em menores de cinco anos. Os idosos também precisam de atenção especial, devido ao maior risco de desidratação e possíveis complicações. Entre adultos, os quadros tendem a ser mais leves”, comentou. Quanto ao tratamento, o especialista explica que a abordagem principal é de suporte, com ênfase na hidratação.
“A reposição de líquidos e eletrólitos é essencial, preferencialmente por via oral. Nos casos mais graves, com desidratação moderada ou severa, a administração intravenosa pode ser necessária”, afirmou.
Medicamentos para controlar febre, dor e náuseas também podem ser utilizados, embora o uso de antibióticos seja indicado apenas em situações específicas, após avaliação clínica adequada.