O chefe de Estado dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu que, caso o Canadá avance em suas negociações comerciais com a China, o país pode sofrer uma sobretaxa de 100% em suas exportações para os EUA.
Essa ameaça intensifica as tensões diplomáticas entre as duas nações. Durante uma declaração, Trump, ao se referir ao primeiro-ministro canadense Mark Carney como 'governador Carney', criticou o governo do Canadá por sua política de importação de veículos elétricos da China, afirmando que o país estaria sendo 'enganado' nessa questão.
O presidente norte-americano ainda brincou com a ideia de que o Canadá deveria se tornar o 51º estado dos EUA. Em suas redes sociais, Trump declarou: 'A China vai devorar o Canadá, destruindo suas empresas, sua estrutura social e seu modo de vida. Se o Canadá firmar um acordo com a China, uma tarifa de 100% será imediatamente aplicada a todos os produtos canadenses que entram nos Estados Unidos.' Recentemente, o Canadá anunciou um acordo histórico com a China, visando diminuir tarifas e estabelecer uma nova ordem mundial, sinalizando uma mudança na sua política externa e afastando-se da linha alinhada com a agenda de Trump.
Na semana passada, Mark Carney destacou a expectativa de que a China reduza as tarifas sobre a canola canadense após encontros com o presidente chinês Xi Jinping, em sua primeira visita a Pequim em oito anos.
Além disso, o país permitirá a entrada de 49 mil veículos elétricos chineses ao seu mercado com uma tarifa de aproximadamente 6%, eliminando a sobretaxa de 100%. Como benefício, os canadenses também terão direito a viagens sem visto para a China.
Após a assinatura do pacto, Carney discursou no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, alertando sobre os perigos das ações de grandes potências, uma indireta às políticas de Trump.
O presidente americano respondeu acusando Ottawa de ingratidão pelos apoios militares e declarou que o Canadá vive graças aos EUA, uma afirmação rejeitada pelo primeiro-ministro. Trump também cancelou o convite para o Canadá integrar seu Conselho de Paz, uma semana após Carney ter recebido o convite.
O líder norte-americano afirmou que o Canadá se opõe ao projeto antimísseis 'Golden Dome', embora a posição oficial de Ottawa não tenha sido esclarecida. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, revelou que Trump solicitou ao Canadá participação no projeto antimísseis.
Em Davos, Carney fez um apelo às principais potências para resistir às ameaças de intimidar grupos de nações, embora não tenha mencionado Trump explicitamente.
O primeiro-ministro canadense criticou várias políticas do governo americano, destacando o uso de tarifas como instrumento de pressão econômica, a manipulação de infraestrutura financeira e as cadeias globais de suprimentos como vulnerabilidades exploráveis.
Ainda não há clareza sobre o que o limite imposto por Trump à assinatura de acordos comerciais significaria na prática, especialmente considerando que o tratado USMCA atualmente isenta a maior parte das exportações canadenses de tarifas nos EUA, com uma tarifa geral de 35% para produtos não cobertos por isenções, além de taxas específicas para setores como aço e alumínio.
As relações entre Washington e Ottawa se deterioraram desde que Trump reassumiu a presidência há um ano. Sua decisão de aumentar tarifas sobre produtos canadenses gerou um forte sentimento de descontentamento no país vizinho, levando ao boicote de marcas americanas e à redução do turismo para destinos como Las Vegas.
Diante desse cenário, o Canadá tem buscado fortalecer seus laços comerciais com a Europa Oriental e Ásia, incluindo o recente acordo com a China e iniciativas para ampliar suas relações com a Índia, países que tiveram conflitos com o governo anterior de Justin Trudeau. Mais informações podem ser encontradas em bloomberg.com