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Acidente
24/01/2026 09:00:00

Crise Energética na Ucrânia Aprofunda-se Com Novos Ataques e Frio Intenso

País enfrenta apagões, deslocamentos em massa e negociações internacionais diante da deterioração da infraestrutura

Crise Energética na Ucrânia Aprofunda-se Com Novos Ataques e Frio Intenso

A Ucrânia atravessa um momento de crise sem precedentes desde o início das ofensivas regulares da Rússia contra sua rede elétrica.

A escalada dessas ações resultou em cortes de energia emergenciais em grande parte do território nacional, durante uma das ondas de frio mais severas dos últimos anos, com temperaturas inferiores a -10°C.

Quase 500 mil moradores deixaram Kiev, a capital, enquanto quem permaneceu sofreu com a ausência de aquecimento, eletricidade e água potável por dias consecutivos. A deterioração da situação agravou-se nesta sexta-feira (23), após uma nova série de ataques russos.

O ministro da Energia ucraniano, Denys Shmyhal, declarou que o dia foi o mais difícil desde o blecaute de novembro de 2022. Paralelamente, representantes dos Estados Unidos, Rússia e Ucrânia realizaram discussões em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, sobre a guerra.

Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na quinta-feira (22), o presidente Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de visar intencionalmente a infraestrutura vital do país para criar apagões e prejudicar civis. "Esta é a verdadeira face da Rússia e, na essência, a natureza desta guerra", afirmou.

Diante do agravamento da crise, a União Europeia anunciou a doação de 447 geradores de emergência, avaliados em 3,7 milhões de euros, destinados a hospitais, abrigos e serviços essenciais. As autoridades europeias destacaram que a intenção é evitar que a Rússia continue 'congelando a Ucrânia até a rendição'.

A Polônia também ampliou seu auxílio, enviando centenas de geradores de suas reservas e outros 90 doados por Varsóvia, especialmente para a região de Kiev. Segundo o operador nacional Ukrenergo, ataques combinados com mísseis e drones provocaram danos em várias instalações de geração de energia, deixando grande parte da população sem aquecimento em meio a temperaturas extremas.

A Ukrenergo informa que as usinas operam no limite devido aos prejuízos acumulados desde os primeiros ataques à rede. Com aproximadamente metade de sua capacidade de geração comprometida e uma forte dependência de energia nuclear, o sistema elétrico do país permanece extremamente vulnerável.

O CEO da maior empresa privada de energia na Ucrânia, Maxim Timchenko, descreveu a situação como "quase uma crise humanitária" e ressaltou que qualquer futuro acordo de paz deve obrigatoriamente incluir o fim dos ataques russos às instalações energéticas.

Entre reparos emergenciais, quedas de temperatura e ataques contínuos, o governo tenta evitar um colapso total. Apesar da complexidade da crise, as autoridades energéticas esperam que as reparações prioritárias possam ser concluídas nos próximos dias, possibilitando uma volta aos cortes programados, ao invés de apagões totalmente imprevisíveis.

Na sexta-feira, representantes da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos iniciaram negociações em Abu Dhabi, mediadas pelos Emirados Árabes Unidos. É a primeira vez que funcionários do governo americano participam de diálogos simultâneos com negociadores de ambos os lados do conflito.

As conversas devem se estender por mais dois dias. Segundo comunicado oficial, os Emirados esperam que o diálogo leve a medidas concretas para acabar com uma crise que perdura há quase quatro anos, causando sofrimento humanitário vasto.

O encontro será liderado pelo general Igor Kostyukov, responsável pela inteligência militar russa (GRU), enquanto a delegação ucraniana será comandada por Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, ex-ministro da Defesa.

Zelensky destacou que as negociações focarão na futura administração da região do Donbass e reiterou seu desejo de criar uma zona de livre comércio sob controle ucraniano na região leste, uma proposta já discutida com Donald Trump durante o Fórum de Davos.

Segundo o ex-presidente americano, as propostas de paz estão quase finalizadas, embora o status territorial ainda não esteja definido. Por sua parte, o Kremlin reafirmou que qualquer entendimento depende da resolução da questão territorial, insistindo na retirada das tropas ucranianas das áreas anexadas ilegalmente por Moscou, que permanecem sob ocupação incompleta.

Dmitry Peskov, porta-voz da presidência russa, afirmou que "as forças armadas ucranianas devem deixar o Donbass; essa é uma condição essencial para encerrar o conflito".

Já o governo alemão manifestou ceticismo quanto à disposição da Rússia de abrir mão de suas exigências territoriais durante as negociações. Steffen Meyer, porta-voz do governo alemão, comentou que "há muitas dúvidas sobre até que ponto a Rússia está disposta a abandonar suas posições maximalistas", especialmente após Moscou manter sua demanda de retirada das forças ucranianas do Donbass.