As forças de segurança de São Paulo estão intensificando as investigações relacionadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que estaria ampliando suas ações além do comércio de drogas, atingindo áreas como o futebol profissional e o sistema de segurança pública. De acordo com informações obtidas pela imprensa, a facção emprega múltiplas estratégias, envolvendo empresas de transporte e postos de gasolina, para lavar fundos ilícitos e mascarar suas origens.
O foco principal das apurações é o controle de transferências de atletas.
A equipe do São Paulo Futebol Clube passou a integrar o radar investigativo após a venda de um jogador, formado nas categorias de base, para uma equipe na Turquia. A transação foi intermediada pelo empresário Danilo Lima de Oliveira, conhecido como Tripa, suspeito de ligação com o PCC.
A presença de criminosos ligados ao PCC em clubes de futebol paulistas já havia sido apontada na delação de Vinicius Gritzbach. Essa denúncia resultou na abertura de uma investigação específica para verificar a possível influência do grupo na administração do clube do Morumbi.
Além do envolvimento com o esporte, os integrantes da facção também têm infiltrado a Polícia Civil. A nova delegada responsável pelo órgão em São Paulo, Layla Lima Ayub, é alvo de suspeitas de conexão com o PCC. Mesmo após sua nomeação, ela teria defendido quatro membros da facção durante audiências de custódia na Paraíba, prática considerada irregular segundo o Estatuto da Advocacia e normas policiais.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) monitora a relação entre Layla e seu parceiro, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como MC Dedel. Este foi detido em 2021 por liderar a expansão do PCC na região Norte do Brasil. Investigações indicam que o casal teria adquirido uma padaria em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, utilizando um “laranja” para disfarçar a propriedade, adquirida com recursos ilícitos. Ambos estão atualmente sob prisão temporária, suspeitos de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Os setores econômicos também não escapam da influência do PCC. Além do esporte e de órgãos públicos, o Ministério Público de São Paulo identificou que a facção tem utilizado o rede de transporte público para movimentar valores ilegais. Empresas de ônibus foram flagradas operando com recursos provenientes de atividades criminosas. O esquema também atinge segmentos como fintechs e postos de combustíveis.
As autoridades ressaltam que a estratégia principal do grupo é aparentar legalidade em suas operações financeiras, garantindo que o dinheiro ilícito circule através de atividades comuns ao cotidiano. As investigações continuam em andamento, com o objetivo de identificar novos centros de atuação e interromper o fluxo financeiro da organização criminosa.